quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

16º Desafio - Charlie, Lilo e Elvis

O desafio de hoje (que deveria ter saído ontem) é algo bem inusitado. Charlie, usando a Ann como porta-voz, pediu que eu transmitisse seus pensamentos mais íntimos pro meu blog e é isso que fiz! Mas, para não ser injusto, trouxe também os da Lilo (difíceis de captar debaixo de tantos olhares DUMAU!) e das ideias caóticas do Elvis, que deve ser um servo de Nimb. Francamente, ficou uma doidera só. Espero que gostem!

Charlie Gouda

Fome? Fomeeeeee.
Mas por que fome?
Fome de carinho. Talvez.
Fome de atenção.
Ah! Monstro, monstro!
Lambe, lambe, lambe.
Ei, humano! Como vai?
Me dá! É meu!
Aaaaaaah, fome!
Fome? Fomeeeeee.

Miau.

Lilo Garra do Mal

Tédio, mórbido tédio.
Eu sentada a esperar.
Tenho certeza que uma hora passa.
Isso, massageie minhas costas.
E meu ego.
Obedeça humano.
E tire esta criatura infernal daqui!
Hora de divar...
Caminho, vocês me ouvem
Me louvem
Me queiram
Vou passear.
MIAU!

Elvis Pretzel

MORDEEEEER.
Morde, pega, corre.
Quéisso, quiéaquilo?
Oba, pés! E meias!
E pés com meias!!!
E canelas, amo canelas!
Hora de lanchar
Latir latir sem parar
Ei, por que fechou a porta?
Mais latido pra você!
Adoro isso!

E quem quiser ver a fuça dessas fofuras, tem imagens no instagram da Ann!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

15º Desafio - Antônio Henrique

Era para ter saído ontem. Minha mente, no entanto, pediu arrego. Os últimos dias foram tensos para ela e quis respeitar. Assim, o desafio que seria do meu pai foi transferido até eu ter algo bom pra escrever com ele. Mas aí surgiu uma ideia, depois de ver uma imagem e eu precisei escrever sobre isso. Duas pessoas talvez entendam bem a referências, às outras só desejo que tentem, e se não, que apreciem a beleza do encontro de três magníficos animais. Espero que gostem.

Ótima imagem tirada daqui.
O Tigre, o Lobo e a Raposa

O sol subiu no horizonte, clareando o vale e iluminando o lago. Das sombras, um tigre de cores claras, um animal esplêndido, saiu para beber água. Sua pelagem reluzia com o amanhecer, os olhos irrequietos procurando por possíveis presas. Nenhum som o alertou para perigo. Convencido de que ninguém poderia observá-lo, o tigre se ergueu nas patas traseiras e tirou a capa de pêlos, revelando uma bela jovem por baixo.
Corpo nú, apenas uma faca presa a um cinto para proteger-se em sua outra forma. Abaixou-se para pegar água com as mãos quando um som lhe atraiu o olhar. Discreta, uma raposa tentava sair de sua toca sem chamar a atenção, mas acabara tropeçando em um graveto, o suficiente para que o Tigre lhe percebesse. O pequeno animal não dava medo ao felino, então o ignorou. Mas a raposa continuava parada lhe olhando.
De repente, do mesmo modo que o Tigre, a Raposa se pôs de pé e livrou-se de seus pêlos, surgindo de lá outra jovem também bela e de corpo generoso. Ela usava apenas uma alforja e carregava um arco. Mesmo armada, ela ergueu as mãos para fazer sinal de “não vou lhe ferir”.
- Acalma-te, amiga Tigre. Nada posso lhe fazer de mal. Vê? Sou só uma raposa.
- Então por que te aproximas tão sorrateiramente, Raposa? Se sabes que sou um animal caçador e meu instinto diz para lhe atacar, por que me dás esta oportunidade?
- Só queria beber água ao teu lado. Nunca encontrei criatura tão excepcional antes. Tão bela és que meus olhos quase se feriram.
- Não me bajules demais, Raposa, sei de tuas artimanhas. Tramas pelas minhas costas para tirar proveito de mim.
- Oh, nunca faria isso contigo, senhorita Tigre, de forma alguma!
E ainda que a Raposa se defendesse, o tempo todo o Tigre a observava, sempre atenta a qualquer movimento suspeito. Outro somde passos atraiu a atenção das duas. Um homem, vestido de preto e portando uma espada se aproximava. Seus olhos pareciam serenos, mas sua postura de guerreiro ativou o modo de batalha do Tigre. Ele chegou até o lago, ajoelhou-se e pegou um bom golede água com as mãos.
- Não temam, garotas, nada tenho a fazer com vocês. Beberei e irei embora.
- E como posso confiar em alguém que nem conheço, senhor...?
- Meu nome não é de importância, Tigre, nem o seu. Se o sei, é apenas pelo barulho de vossa discussão.
E bebendo mais um pouco, o homem se ergueu e voltou-se para retomar o caminho. Quando passava pela Raposa, ele esticou o arco, fazendo-o tropeçar e caindo. Fora uma armadilha fácil de evitar, mas parecera que ele nem percebera.
- És cego, meu amigo, e também conheço teu cheiro e tua forma. És um Lobo não?
- Se sou, não entendo porquê terias me derrubado. Que mal te fiz?
- Mal nenhum, é fato, e por isso me desculpo profundamente, mas precisava ter certeza de minhas suspeitas. Agora que o fiz, lamento muito pela brincadeira. Como compensação, lhe indicarei o caminho correto para que sigas em paz.
- Agradeço. E também à ti, Tigre. Mesmo que eu, uma boa presa, tenha caído diante de ti, não me atacasses à traição.
- Apesar de tudo, minha alma de caçadora tem como rival minha alma de guerreira, que me impede de ferir um oponente caído. Vá, Lobo Negro. E não volte mais, não lhe darei outra chance.
- Também prezo por ti, Tigre, e espero que consigas encontrar o que procuras. E a você, Raposa, desejo sorte em tua empreitada.

E sem dizer mais nada, seguindo as informações que a Raposa lhe passou, o Lobo se foi. Quando o Tigre se virou para olhar, a Raposa também havia partido. Disposta a esquecer tal encontro, mas sabendo que nunca fugiria de sua memória aquelas auras tão ímpares, o Tigre voltou à sua pelagem e se embrenhou na floresta, seguindo seu destino.

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PS: Tentarei publicar ainda hoje o 16º Desafio para não pular NENHUM dia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

14º Desafio - Ana Carolina e Gabriel Carneiro

Bem, teoricamente esse desafio é só da Ann, mas ela pediu pra fazer baseado em faroeste por conta do Gabriel, então resolvi fazer uma homenagem pra ele também. É um conto curtinho e simples, mas foi bem divertido de escrever. Amanhã espero voltar à programação normal, exatamente na metade do grande desafio!

Imagem simples do DeviantArt, mas ótima pro texto.

Uísque. Duplo.

Dois buracos de bala, a garrafa de uísque correu pelo balcão, caindo diante do corpo do defunto. Silêncio no salloon. Nenhuma viva alma pensou em se mexer ou contestar o assassinato. Os buracos de bala pararam se soltar fumaça.
- Duplo. – disse o atirador, sentando no balcão diante do barman enfurecido.
Havia trocado a tábua há uma semana só, exatamente pelo mesmo motivo. Era o quinto morto desde o começo do ano e ainda nem haviam chego a Março! Definitivamente um ano ruim para os negócios, a não ser para o coveiro.
- Qual seu problema, Tooth? Será que dava para... Esquece, não está mais aqui quem falou.
O revólver voltou ao coldre, levando consigo mais uma morte não concretizada. Quanto ódio Brian “Black Tooth” Holligan carregava consigo por todo aqueles homens? Ninguém sabia, mas a pilha de corpos aumentava e estava ficando difícil contar. Um dos homens sempre jogando pôquer havia começado a contar com cortes na parede.
Ninguém pensaria em enfrentar o velho Tooth, poucos seriam capazes disso, na verdade. O medo que sua arma trazia poderia ser comparável ao medo do próprio ceifador. O demônio também tinha olhos negros, e sua história era tão obscura que preferiam ignorar.
- Aqui está, Tooth, mas por favor... Vá embora.
E foi, porque depois de beber o Tooth não tinha mais o que fazer por ali. Havia matado mais um e pronto. Era o bastante.
Mas as coisas mudaram um dia, quando um chicano de sombrero e com uma Winchester surgiu na borda da cidade. Ele dizia procurar pelo pai, um homem que havia fornicado com sua mãe e fugira. Agora teria seu couro curtido preso nas costas de seu cavalo. Todos pensaram em Tooth, já que sua fama de grande comedor chegara longe. E o garoto tinha fibra.
O grande Tooth ignorou, preferiu fingir que não era com ele e foi beber como sempre. Dessa vez não tomou sua dose habitual, nem atirou em qualquer um. Ficou ali parado, como se esperasse por algo. De repente três tiros foram ouvidos. Tooth caiu no balcão, o copo fugindo dos dedos e se espatifando no chão do salloon. Sem dizer mais nada e passando pelo povo que absorvia a cena, o chicano sentou, deu uma batida e chamou o barman.
- Duplo. – foi tudo o que disse.

O homem, aquele das marcações na parede, pegou a faca e fez um corte por cima de todos os riscos anteriores e então iniciou uma nova sequência.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

13º Desafio - Cintia Yuri Nishida

Então... Desculpem mesmo a demora, mas aconteceram coisas... E acabei atrasando. Bom, Cintia, quis cumprir nosso desafio e espero mesmo que você goste deste comentário sincero. E vamos lá então!

Vejo seu sorriso e meu corpo treme de antecipação
São palavras sutis, mas que acalmam a mente
Trazem meu desejo de escrever e o lapis à mão
E quão belo é poder dizer que foi por você
Toda a coragem de ter feito algo para te alegrar
Seus olhos me dão o destino, seus lábios o acalento

Pensei sinceramente em fazer uma poesia ou um conto para falar de musas, mas cheguei à conclusão que não seria justo, nada que eu fizesse chegaria aos pés disso. Então resolvi que só deveria escrever o que viesse à minha cabeça, fosse bom ou não, ao menos seria sincero e direto. E é por isso que estou aqui, contar sobre minhas musas.
Elas poderiam ser resumidas em nomes de pessoas, amigos, família ou meu amor, o que fosse, trazer um sorriso, ouvir um elogio deles, já é o suficiente para eu sair produzindo textos pra caramba, é o orgulho de ter alcançado meu objetivo. Acho que este é exatamente o motivo pelo qual tanta gente escreve afinal de contas, mas no caso deles é pela busca de reconhecimento de um público maior, de vendas, de listas. O meu não é mais simples que isso, é apenas meu, único, entende?

E nisso temos talvez o que realmente me faz ter textos divertidos para vocês. Vejam os pedidos que recebi e as respostas que dei, o que já publiquei nesses desafios. Conseguirão reconhecer a minha alegria ao escrever, a felicidade em cada comentário que está publicado? Pois então, esta é minha musa por completo. É a Ann, a Ari, o Aleatório, meu pai, todos que já me deram algum apoio. Valeu gente. E que continue assim!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

12º Desafio - Ariana

E voltamos a nos atrasar, não é, Senhor Antônio? É, eu sei, muita coisa pra fazer, mas poderia ter escrito esse desafio da Ari antes não concorda? Bom, agora mostre pra ela o que você preparou! Bem, como ela pediu algo perto de um shoujo, acho que esta historinha deve servir. Até separei uma bela imagem da rainha em um momento mais íntimo e reservado. Fiquem com o conto!

Um lindo trabalho de Elephant Wendigo mostrando nossa Elektra em seu trono.
A Rainha deve escolher!

A fila ia longe, aparentemente todos os jovens sadios e de descendência “nobre” foram convocados para comparecer à seleção. Com isso, quase todos os futuros cavaleiros do reinado estavam ali, dos magros aos fortes, dos baixos aos gigantes, dos feios aos... Mais ou menos. As portas do salão permaneciam abertas enquanto em pares, pai e filho, entravam para conhecer a rainha Elektra.
Sentada no trono, vestida de preto dos pés à cabeça, o cajado com a pedra vermelha seguro firme em sua mão direita, a recém-coroada monarca do Reino do Crepúsculo observava cada um que entrava. Um levantar de sobrancelhas, um gesto com as mãos ou um meneio de cabeça serviam para que os visitantes fossem dispensados. Já perdera a conta de quantos vieram até ela falar de suas posses, de como seus filhos eram valentes e inteligentes e exímios em diversas artes. Todos bobos sem paixão no fim das contas.
Mesmo quando princesa, já convivia com constantes apresentações de futuros pretendentes, dos mais estranhos aos mais sem-graça. A rainha Elektra sabia bem o que queria, e não era nenhum deles. Mais uma vez teve de mandar embora alguém cuja aparência claramente não refletia o amor que poderia vir a sentir por ela.
- Próximo! – gritou seu lacaio-arauto.
- Diga-me, sir Hugo. Quantos ainda temos que ver?
- Quantos forem precisos até a senhora escolher um rei. É uma tradição do reino, minha senhora. – respondeu o quase ancião líder da guarda real.
- Diacho... Gostaria de conseguir saber as horas, mas o céu está sempre avermelhado, e este pajem inútil vive errando com a contagem.
O dito garoto se encolheu diante da acusação. Sentiu o olhar pesado de sir Hugo e temeu pela própria vida, mas a nova rainha não tinha a fama de assassina do rei anterior. O som de passos conseguiu tirar a atenção de cima dele.
- Sir Gerfried e seu filho, o bravo Gallen!
Dessa vez a rainha se animou, assim que viu o jovem seu coração de adolescente deu um salto. Alto, musculoso, os olhos azui como o mar que banha a Praia do Anoitecer, e os cabelos minunciosamente ajeitados. Não fosse o excesso de roupas, Elektra pensou que poderia ver um tronco sarado e pernas torneadas. Segurou um suspiro apaixonado até que os dois se dispuseram à sua frente, ajoelhando. O rapaz não a olhava, parecia encarar displencemente a sala, os guardas, até o pajem, mas nunca ela.
- Minha rainha, trago à sua presença meu filho, Gallen. Ele, que já batalhou ao meu lado na defesa da Baía das Águas Verdes, que venceu três torneios de Tiro, que é o mais belo deste reino.
Os elogios eram mal e porcamente ouvidos. Enquanto o pai falava, Gallen se movia, mostrando as formas para a Elektra que ardia em desejo. Ainda assim, em nenhum momento ele direcionou os olhos para ela, o que a estava incomodando. De repente, notou que ele parecia muito interessado em um recruta próximo a sir Hugo, um homem de cabelos e olhos negros. Uma ideia passou pela cabeça da rainha, que chamou pelo soldado, pedindo a ele que fosse entregar ao pretendente uma taça de água, pois ele poderia estar com sede. Quando a ordem foi atendida, Elektra captou o olhar lânguido dde Gallen para ele e só pode dar um tapa na testa. A situação foi percebida por todos, que resolveram olhar para os lados.
- Bem, lorde Gerfried, seu filho foi... Muito apreciado... Por nossa rainha... Mas voltaremos a falar com vocês... É... Depois...
Constrangido, sir Gerfried levou seu filho para fora, praticamente arrastado. Foi possível ouvir a batida que deu no garoto assim que saíram do salão. Elektra só tampou o rosto com a mão para evitar o riso. A dupla seguinte lhe chamou ainda mais atenção. Parecia um belo par de gêmeos ruivos, não fossem os cabelos rareados do pai. O mais novo claramente não era voltado para o combate, mas a beleza de seu resto anguloso e do nariz adunco foi capaz de tirar uma piscada da donzela.
- Sir Archibald e seu filho, Elliot, o sagaz.
- Minha rainha, por favor, espero que possa dar um pouco de atenção à meu rebento.
- Belíssima soberana, ouso ficar em sua presença para tentar lhe tirar ao menos um sorriso, para que possa honrar sua generosa perfeição, que a todos nós é tão acalentadora. E quando a noite finalmente cair em nosso reino, gostaria de ser o estandarte iluminado por sua luz e... – a fala de Elliot prosseguiu.
Elektra segurou um bocejo. Ele continuava falando, mesmo depois de ela ter passado a contar os detalhes dourados na bandeira de seu reino. Seria o Sagaz tão estúpido que não reparava ter perdido todos os pontos com sua pretendente? Finalmente cansada e ele ainda não parando, ela fez um sinal de corte e o rapaz foi arrastado para fora pelos guardas, levando o pai dele junto.
- Sir Hugo, por acaso o senhor está brincando comigo?
- Perdão, milady, mas não sou eu que seleciono os candidatos – e lançou um olhar intimidador para o pajem, que procurou um buraco para se enfiar.
- Então que venha o próximo. E que seja bom!
As preces foram atendidas. Diferente do primeiro, um acumulado de qualidades díspares que virou um nada, este tinha a coesão de uma obra-prima. Os cabelos curtos, espetados, os lábios carnudos, o corpo delgado, mas firme, o porte de um atleta. Trazia nas mãos um baú que deixou aos pés da rainha.
- Sir Brahm e seu filho, Conner.
Ela nem havia reparado no idoso com rosto de falcão que viera acompanhando o rapaz. Tão diferentes, ele partilhava dos mesmos olhos intimidadores do filho.
- Trouxemos um presente, caríssima rainha, algo que não chega aos pés de sua magnificência, mas desejamos que aprecie.
Sir Hugo abriu o baú, mostrando à rainha o conteúdo da caixa, que a enojou. Era a carcaça de algum animal selvagem, talvez a cabeça de um lobo. Foi o suficiente. Fez um movimento com as mãos e a caixa, o pretendente e seu pai sumiram de sua vista. Estava prestes a chorar. Em questão de minutos tivera experiências tão ruins que teve certeza que surtaria antes do último. Precisava de alguém decente, carinhoso, que fosse bonito, mas não precisava ser tanto assim, desde que fosse um homem bom.
Tão enfiada na própria cabeça estava que mal ouviu o anúncio do pretendente seguinte. Quando levantou os olhos, seu coração perdeu o compasso, seu estômago revirou e suas mãos suaram frias. Ele não era o mais bonito, mas tinha o charme de um músico. Também não parecia o mais forte nem o mais ágil ou inteligente, parecia mais matreiro, o tipo de cara que teria uma boa ideia na hora certa e a tiraria do perigo. Não precisaria enfrentar um dragão, e matar o pobre bichinho por ela, ele o enganaria e conseguiria fugir com o tesouro e tudo.
- É ele! Por favor, tragam-no aqui! – gritou apontando para o garoto.
- Mas senhora...
- Agora! Depois de tudo isso, eu mereço falar com ele diretamente!
- Senhora...
- Obedeçam!
Por algum motivo o rapaz foi levado até ela de um jeito brusco, e sob olhares nervosos de todos. Sir Hugo trocava o peso dos pés e segurava a espada da forma errada. Todos pareciam não saber onde enfiar as próprias cabeças. O jovem estava tremendo um pouco de um jeito fofo.
- Então, por favor, pode repetir seu nome?
- É... Janus, minha rainha, mil perdões.
- Não precisa se desculpar, Janus. Diga-me, você não é adepto de caçar lobinhos e me trazer a pele como troféu, não é?
- Não, minha senhora! Juro que não! Odeio caçar! Prefiro... Adestrar os animais.
- Ótimo! Imagino também que goste de mulheres, não é? Digo... Acha-me bonita?
- Linda... Bela como uma rosa desabrochando sob a luz do sol.
- E ainda é sucinto! Sim! SIM! É você! Venha aqui, meu príncipe!
- Mas senhora! – interrompeu Sir Hugo não mais se contendo – Ele é apenas o pajem de Sir Harold e seu filho Mardock! Aqueles são seus pretendentes!
A rainha olhou para onde o cavaleiro apontava e encontrou o olhar reprovador e indignado de pai e filho, dois exemplares perfeitos de pessoas mais noção que já vira. Perto deles Janus passava de um simples servo para um magnífico pretendente.
- E daí? Eu o compro de Sir Harold, o transformo em cavalheiro e o caso comigo! Quer dizer, se você aceitar, sir Janus...
O garoto claramente ficou sem o que dizer. Engasgou nas palavras, trocou os pés pelas mãos e tremeu ainda mais. Ainda assim, quando olhou para ela, Elektra sentiu o calor de uma paixão inesperada. Talvez, aos poucos, ele estivesse se apaixonando por ela.
- Não precisa ter pressa, sir Janus. Pode apenas dizer que sim agora e ficaremos um bom tempo noivos, para nos conhecermos melhor. Se eu tiver te aceitado, ninguém vai poder me dizer que não. Entenderam?
Apesar de contrariados, os servos da rainha e os pretendentes só puderam concordar, frustrados.
- Eu... Eu adoraria... Minha dama...
A rainha se levantou do trono, desceu sorrindo e pegou na mão dele que ficou vermelho como um pimentão.
- Venha, vou lhe mostrar meu... Nosso reino.

E saiu feliz.