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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eu não sei o que ando bebendo...

...mas não quero parar. Definitivamente. O texto que trago hoje foi um conto que escrevi e veio do nada, totalmente aleatório e muito, muito divertido. Não é sempre que sinto tanto prazer escrevendo, mas gostei tando do que fiz que precisava correr para compartilhar.

PS: Continuo horrível pra títulos!

Visita ao Sonho

Você sabe o que é acordar ao meio dia, encarar o vazio na parede do seu quarto e pensar que deveria ter continuado dormindo? Se disser que sim, será um mentiroso terrível pois até hoje eu nunca tinha ouvido falar de algo que sequer fosse parecido com isso, que dirá tão cheio de detalhes como quando o Sonho invadiu meu mundo apenas para me trazer um anão de cachimbo com uma carta em folhas de bananeira. Pois foi exatamente assim que comecei aquela segunda-feira.
Eu havia ido dormir no domingo com a estranha sensação de que teria um péssimo dia seguinte, já imaginando como explicaria ao meu chefe que a festa da faculdade no sábado havia me deixado tão ferrado que eu passara o resto do fim de semana devolvendo meu almoço de quando tinha quinze anos e por isso não podia terminar o relatório que ele me pedira. Há duas semanas. Sim, eu odiava meu emprego, mas quem poderia me culpar? Não odiamos todos nossos chefes ranzinzas de quarenta, quase cinquenta, como cara de sessenta? Bom, eu pelo menos admito.
Mas nada me preparara para o anão, que aliás usava um casaco laranja-lima com um gorro em plena primavera e que tinha a barba mais pontuda do mundo, podem conferir no Guinness. Ele me olhava com suas contas esmeralda, cheias de um brilho sobrenatural e assustador, e pigarreou quando me viu piscando devagar, como se quisesse que ele entrasse em foco. Tirou a bananeira da bolsa de couro e me estendeu, pois era óbvio que eu deveria pegá-la e entregar a ele uma moeda de bronze pelo serviço. Oh, desculpe, estou me adiantando.
- O que é isso? – foi o que perguntei brilhantemente.
- O que parece, meu chapa? É claro que é uma folhagrama. E é bom ler rápido, pois fui pago por uma resposta, e não para ficar esperando.
- Mas... o quê...
- Olha aqui. – ele apontou aquele cachimbo fedorento pro meu rosto – Eu sou um servidor das entregas a vácuo desde que eles inventaram as cartas-de-bilbouda, então é bom que tenha respeito por mim e deixe-me terminar meu trabalho. Ok?
- Tudo bem, tudo bem! Não precisa se irritar... homenzinho. – sussurrei a última palavra com medo que ele enfiasse aquele pedaço horrendo de madeira em meu nariz.
A letra era muito rebuscada, cheia de volveios desnecessários que só dificultaram a leitura, que aliás, fez um nó na minha cabeça antes de perceber que não deveria pensar na lógica das palavras, mas no que havia por trás dela. Ou seja, dane-se o mundo, apenas leia, divirta-se, tipo o filme pipoca ruim que você vai ao cinema ver e esquece que está lá, até que acaba e você sai do cinema rindo e comentando com os outros como foi a pior experiência da sua vida e pronto, pode ir pra casa assistir aquele clássico cult e que sim traz uma mensagem, normalmente edificante e cheia de mistérios que você nunca vai desvendar.
“Caro Normie (porque meu nome é Norman e sim, alguém achou que seria um bom apelido)
Estávamos contando com sua excelentíssima e grata participação em nosso sistema de auxílio aos não-encantados e que poderia, talvez, em alguma instância próxima entre hoje e a próxima lua dos dois quartos), unir-se a nós na corte para discutir os assuntos referentes ao seu tio em segunda cláusula do sol de três pontas, Willfred Von Duck, e que, caso não se faça de rogado ou ache por demasia enfadonho, possa dar a ele uma defesa digna para que não se vá diante da lâmina mui afiada de sir Godrick dos Picos Altíssimos, que deseja de todavia fazer da cabeça de seu tio um belíssimo troféu para alegrar sua casa de veraneio em Lago Flock. Desde já interessados em sua visita e tomando de chá com bolinhos,
Os reis de Monastergo”
E havia um Anti scriptum colocado no fim do texto, mas fora feito com algum tipo de tinta que se derreteu ou talvez tenha sido só esparramada por ali e não fazia mais o menor sentido. Definitivamente o tipo de coisa que passaria por falta de educação se o anão não estivesse batendo seu longo e desproporcional pé com uma expressão assassina em seu rosto redondo e barbudo. Cocei a cabeça e fiquei olhando para a folha até dizer uma tolice:
- Ahn... então... eu acho que vou?
- Ótimo. É uma mensagem enfim! Ufa! Posso tirar minhas férias. Aqui. – ele deixou um pacote que mais parecia um daqueles que envolvem lembrancinhas de casamento e se jogou no abismo na minha parede – Monaaaa! Estou in...
Desapareceu, levando consigo o vácuo e devolvendo a pintura abacate que minha mãe insistira que ficaria bem e não me enjoaria ao vê-la todo dia ao acordar. De fato, eu não consegui, já que a tinta vagabunda começou a descascar e cobrira tudo com pôsteres, restando apenas um trechinho que lembrava uma teia de aranha muito bêbada. Olhei para o pacote e puxei o lacinho, esperando que um sapo saltasse de dentro. Para minha surpresa era uma caixinha de música simples, com uns poucos ornamentos dourados sobre uma superfície rosada.
Tão bonitinha, eu a girei entre os dedos três vezes até decidir que talvez fosse uma boa pô-la para tocar. Que mal haveria nisso? Como deve perceber, foi uma das minhas decisões ruins que culminaram no que seria a experiência lisérgica mais louca desde que tomei aquela bala em uma festa prestes a completar 17 anos e fui parar em uma bóia no meio da piscina cercado de balões e uma menina semi-nua. Melhor não falar mais nisso. Onde estava? Ah sim. A caixinha. Eu girei a chave que a ativava e de repente senti muito, muito sono. Nem lembro como era a música, talvez fosse uma versão techno punk de Hey Jude, algo assim, tenho certeza que tinha a voz de Paul...
E então eu estava em uma sala de teto xadrez. Não, não me enganei ou estava de cabeça para baixo, o teto realmente tinha ladrilhos de duas cores e o chão era coberto por um carpete verde-musgo que faria minha mãe sorrir pela escolha. Era uma sala menor que meu cubículo no escritório e tinha apenas uma poltrona e um sofá, além de uma mesinha com o conjunto de chá mais estranho. Mas bem, na situação que estava, como poderia julgá-lo? Um senhor me observava da poltrona, e ele usava um terno bem alinhado, risca de giz, da cor de um céu de tempestade e pantufas de ursinhos carinhosos. Seus óculos de coruja haviam escorregado para a ponta do nariz mas ele não parecia se importar. Observava-me como um cientista que de repente descobre uma formiga andando sobre seu projeto de dois bilhões de dólares.
- Levante-se, Norman, temos que conversar. Seu tio não pode esperar muito tempo.
- Desculpe-me... como o senhor me conhece? Onde estou? Quem é você? Quem é esse tio Valfredo? E como diabos vim parar aqui?
- Bom, são muitas perguntas meu rapaz, não tenho tempo para todas. Qual prefere ouvir?
- Eu... acho que sobre o tio...
- Ah sim, Willfred. Sim, sim, um bom amigo, uma pena que um tanto biruta, com suas ideias sobre geogamia, carros movidos a sonhos e aquele papo sobre músicas feitas com instrumentos eletrônicos. Todos sabemos que batidas são apenas isso, é como um macaco cantando ópera! Bem, Willfred está profunda e sumariamente encrencado e provavelmente prestes a enfrentar o pior julgamento de toda a história feérica, animada e talvez até do submundo. Devo dizer que se tiver sorte, o exílio será uma opção agradável.
- Eu... não entendo.
- Rapaz. Quão bem foi sua adolescência?
- Não posso reclamar... muito. Eu tive uns amigos, fui a algumas festas, namorei uma garota...
- Sim, sim, tudo normal, não é? ESTE é o problema!
- Como assim?
- Veja bem, você, Norman, deveria ter sido contatado por seu tio quando tinha 13 anos e nem um dia a mais, ou pelo menos encontrar um diário perdido aos 14 ou recebido uma carta misteriosa dois anos depois, que o levaria a uma jornada de auto-conhecimento, descobrimento de poderes inigualáveis e quem sabe encontrar a garota de seus sonhos ainda que não soubesse nem o que é ter uma paixão direito. Mas não! Willfred estava tão concentrado em seus experimentos com o veículo e aqueles docinhos de padaria que esqueceu! Ele ESQUECEU! Veja que absurdo!
- Eu... não sei do que está falando. Eu tive uma boa juventude... acho. Não posso dizer que... você falou de poderes? Sou algum tipo de mago, por acaso?
- Ah, essa besteira? Naaaaah... no máximo deve ser capaz de lamber o próprio cotovelo e calcular os números primos de cabeça. Não, não, falo daquilo que todo jovenzinho tem, a autoconfiança excessiva, a criatividade para problemas e a transformação de uma situação comum em drama. Você foi excessivamente tranquilo e sereno. E isso é errado! Por conta disso, seu tio agora deverá se justificar diante do conselho e eles com certeza devorarão ele vivo com pouco sal e pimenta!
- Fala sério? Porque eu tive uma adolescência comum e boa ele vai pagar o pato? Prefeririam o quê? Que eu tivesse virado um rebelde sem casa?
- Oh sim, que grande emo você teria sido! Consigo vê-lo de cabelo preto e liso e olhos pintados, compondo poemas! Poderia até ter montado sua banda de dois instrumentos e virado uma sub-celebridade do YouTube!
- Por favor, não. Estou feliz assim mesmo.
O velho suspirou e largou sua xícara do lado apontando para o sofá, que eu cordialmente sentei. Ficar de pé havia me cansado pra valer e a conversa parecia que seria muito longa. Ele coçou a cabeça revelando um buraco entre seus longos cabelos prateados.
- Então você vai defendê-lo. Boa sorte.
E tudo ficou brilhante e ofuscante. Em seguida eu estava no meio de um tribunal de vários andares, ainda no sofá e cercado de guardas, todos vestidos em armaduras absurdamente brilhantes e cheias de entalhes e todo mundo me olhava. E eu falo dos mais diversos e esquisitos seres mágicos já imaginados. Fadas, duendes, anões, elfos, gnomos, vampiros, lobisomens... tudo que puder e o que nunca conseguirá imaginar. Eles me olhavam como se eu fosse o rei Elvis prestes a se apresentar. Creio que vi pelo menos dois iguais a ele e ao Michael no meio da multidão. Um senhor, quase tão velho quanto o que falava comigo antes, estava sentado de pernas cruzadas em uma tartaruga colossal e olhou para mim antes de falar.
- Norman dos mortais sonhadores, você está pronto para defender seu tio, Willfred Von Duck?
Seu dedo longo indicava um rapaz não muito mais velho que eu, mas dono de um bigode de dar inveja à Dali, vestido em uma combinação que não me surpreendia mais de camisa social, saia escocesa, casaco de poliéster e um par de fones de ouvido apoiados nos ombros. Parecia prestes a ir a uma das festas que eu tinha ido recentemente e poderia ser meu veterano que nem notaria a diferença. Tirando isso, seus cabelos eram tão azuis que provavelmente despareceriam junto do chroma key durante uma filmagem. Ele não sorria, mas tinha o ar brincalhão de quem estava prestes a aprontar.
- Eu... acho que sim.
- Ótimo, podemos avançar para isso de uma vez. Excelentíssimo julgador?
Um duende de preto com um turbante escarlate veio saltando por entre os guardas até ficar de pé na minha frente, em cima de uma mesinha. Mesmo com o apoio, a diferença de altura era clara e se eu ficasse de pé ele bateria em minha cintura. Eu fiquei encarando-o até que ele tirou uma vareta e apontou para meu nariz, muito mal educado.
- VOCÊ, MORTAL!
- Não precisa gritar... – murmurei.
- NÃO ME INTERROMPA! VOCÊ! COMO OUSA VIR ATÉ AQUI, DIANTE DE TODA ESSA GENTE, E DEFENDER ESTE IMUNDO, PREGUIÇOSO E TOLO DJINN QUE NUNCA FEZ NADA PARA CUMPRIR SUAS FUNÇÕES!
- Não, sério... tá doendo meu ouvido...
- CALADO! AGORA, FALE!
- Mas eu não...
- RESPONDA MINHA PERGUNTA!
- Olha, aqui, sua decoração de jardim furiosa, quer me deixar falar? Você me perguntou, então vou responder! Eu não sei que droga está acontecendo aqui ou que tipo de coisa ele deveria ter planejado para mim, mas estou bem com a porcaria da minha vida, então dá pra libertá-lo, me devolver pro meu quarto e me deixar enfrentar o desgraçado do meu chefe e dizer a ele o quanto eu espero que ele sofra enfiando aquele relatório no meio do...
- É ISSO QUE DESEJA? DE VERDADE?
Eu vi o olhar em Willfred que me fez estremecer. Ele parecia que me dizia “Cuidado, pode não ser uma boa escolha. Mas se é isso mesmo que quer, estarei aqui para lhe apoiar. Ah sim, e pode vir me visitar outras vezes se quiser. Você parece um sobrinho muito legal, uma pena que nunca falei com você antes. Bem, espero sua visita!” o que foi muito estranho, porque ele só sorriu e então o julgador maluco bateu na minha perna e gritou de novo.
- SE É ASSIM, CASO ENCERRADO, MERITÍSSIMO!

E foi assim que de repente eu estava no meu cubículo, segurando a caixinha de música e mais sóbrio do que nunca na vida, logo antes do meu chefe entrar e me perguntar do relatório. Não sei se foi por causa do que eu tinha sonhado, ou se teve alguma realidade naquilo, mas achei que seria uma ótima ideia dizer a ele o que tinha dito no Sonho. Sim, foi uma ideia imbecil e claro que fui despedido. Mas não me arrependo nada disso.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

20º Desafio - By myself

Como eu não tive mais sugestões (e uma ainda está no forno), acabei fazendo hoje um desafio para mim mesmo com uma ideia que tive repentinamente arrumando as caixas de livro pra mudança. Algo meio perturbador que realmente mexeu comigo um pouco. Por que será? De qualquer forma, eu acho que vocês podem se identificar com a historinha. É curta, verdade, mas tinha que ser assim. Enjoy it!

Um ambiente macabro criado por MSHFAR.
A Sala Escura

Primeira hora.
Nada demais, apenas alguns sons estranhos vindos dos cantos e a constante impressão de estar sendo observado, o de sempre. Sei por experiência própria que nada deveria mudar nesse curto espaço de tempo. As badaladas me avisaram de que uma hora havia passado, se não eu nem perceberia. É a partir de agora que as coisas vão ficar ruins de verdade.
Segunda hora.
Ele está ali, eu sei, esperando que eu me distraia, que eu durma. Não vou lhe dar esse gostinho, estou bem armado, alimentado e descansado. Só com muita sorte ele poderia me pegar desprevenido. É claro, usa truques para isso. Eu tenho certeza de que ninguém bateu na porta umas vinte vezes. Um de seus joguinhos mentais mais perversos.
Terceira hora.
Agora há mais uma pessoa comigo na sala, Bob. É um cara legal, mas com certeza não estava preparado para isso. A experiência está sendo chocante para ele, que agora treme de medo de tudo e também parece não conseguir controlar suas vontades. Devorou sua barrinha de cereal em minutos, bebeu a garrafa d’água e espero que tenha sido isso que vazou pro chão.
Quarta hora.
Bob está irritante, tentando o tempo todo devorar as MINHAS provisões e me acusando de coisas que não fiz. Ou melhor, que ELE fez. Foi ele quem abriu a porta e deixou que a criatura entrasse. E foi ele quem deu dois tiros e errou, fazendo com que a criatura se misturasse às sombras. Agora nunca saberemos para onde ela foi.
Quinta hora.
Matei Bob, aquele maldito. Quem mandou chegar perto da MINHA espingarda? E tentar ainda usar lógica contra mim para provar que eu que estou errado. Ora bolas, eu sou expert nesse game, Bob! Eu te odeio, seu gordo filho da...
- Jimmy, desliga esse videogame que já tá na hora de dormir!
- Mas mãe! Eu ainda não consegui acabar!
- Obedece, menino, ou vou aí e te dou uns tabefes!
- Droga, velha...

Jimmy levanta, vai até o videogame e toca no botão de desligar. Antes da tela ficar preta ele olha para o cadáver de Bob que acabar de saquear, levando seus itens. Em outro lugar do mundo algum garoto ou garota deveria estar roendo as unhas de raiva. Bom, problema dele, que não sabe jogar direito!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

16º Desafio - Charlie, Lilo e Elvis

O desafio de hoje (que deveria ter saído ontem) é algo bem inusitado. Charlie, usando a Ann como porta-voz, pediu que eu transmitisse seus pensamentos mais íntimos pro meu blog e é isso que fiz! Mas, para não ser injusto, trouxe também os da Lilo (difíceis de captar debaixo de tantos olhares DUMAU!) e das ideias caóticas do Elvis, que deve ser um servo de Nimb. Francamente, ficou uma doidera só. Espero que gostem!

Charlie Gouda

Fome? Fomeeeeee.
Mas por que fome?
Fome de carinho. Talvez.
Fome de atenção.
Ah! Monstro, monstro!
Lambe, lambe, lambe.
Ei, humano! Como vai?
Me dá! É meu!
Aaaaaaah, fome!
Fome? Fomeeeeee.

Miau.

Lilo Garra do Mal

Tédio, mórbido tédio.
Eu sentada a esperar.
Tenho certeza que uma hora passa.
Isso, massageie minhas costas.
E meu ego.
Obedeça humano.
E tire esta criatura infernal daqui!
Hora de divar...
Caminho, vocês me ouvem
Me louvem
Me queiram
Vou passear.
MIAU!

Elvis Pretzel

MORDEEEEER.
Morde, pega, corre.
Quéisso, quiéaquilo?
Oba, pés! E meias!
E pés com meias!!!
E canelas, amo canelas!
Hora de lanchar
Latir latir sem parar
Ei, por que fechou a porta?
Mais latido pra você!
Adoro isso!

E quem quiser ver a fuça dessas fofuras, tem imagens no instagram da Ann!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

10º Desafio - Franthesco Bertote

Dessa vez o desafio foi mais tenso, o Franthesco pediu que eu fizesse um roteiro de Teatro ou TV, algo com o quê não mexia desde a faculdade. Bem, acabei tendo uma ideia, mas pra fazê-la precisei desvirtuar o tema só um pouco, criando uma paródia. O resultado tem sim regras para roteiro, só que me foquei em manter o que eu achava que renderia um bom humor. Espero que agrade a ele e a vocês, então, boa leitura!

CENA 1

CENA 1
Abre o quadro, câmera parada, fundo todo branco, uma cadeira branca, alguém sentado nela, vestido todo de preto. A câmera dá um close. A pessoa está dormindo. Acorda, olha em volta, se levanta braba.
PERSONAGEM SEM NOME: Ah não, de novo não!
Corre até a câmera, encosta as mãos na lateral. Câmera chacoalha como se ela estivesse fazendo isso. Ela dá um berro.
PSN: Me tira daqui! QUERO SAIR!
Uma mão a empurra de volta. A mão usa luvas pretas.
PSN: Por que eu?!? O que eu fiz?
Ela levanta de novo e bate as mãos naspernas, como se tirasse o pó delas. Anda até a beirada e bate em uma parede invisível.
PSN: Vocês só podem estar de brincadeira, acham que é uma piada?
Sobe som Risadas.
PSN: Muito engraçado. Certo, vou ficar aqui parado(a) esperando. Quero ver o que vão fazer.
Senta na cadeira e cruza pernas e braços. Um guarda-chuva é jogado pra ela. Olha para o objeto.
PSN: Até parece que vai chover aqui dentro.
Sobe som Trovoadas.
PSN: Não vou cair nessa.
Sobe som Mais Trovoadas.  Pega o guarda-chuva e abre. Fica encolhido(a) em cima da cadeira.
Sobe som Muitas Trovoadas.
PSN: Tá, cadê a chuva?
Água jogada com balde bem no rosto. Fecha os olhos e cospe água.
PSN: Justo, eu que fiz a pergunta idiota. Mas ok, agora já fizeram a piada da esquete. Posso ir embora?
Mão surge com uma placa dizendo “NÃO”.
PSN: Oh, olá! Então eu tenho companhia. Como vai você?
Placa: “Bem, e você?”
PSN: Ótimo pra dizer a verdade. Estou encharcado(a), fui raptado(a) e estou preso(a) aqui. E pra piorar, não tenho gênero!
Placa: “Poderia ser pior.”
PSN: Duvido.
Placa: “Você poderia estar no BBB.”
PSN: Você ganhou. Posso então ser eliminado(a)?
Placa: “Claro!”
Uma arma surge apontando pra pessoa. Ela levanta as mãos.
PSN: Não foi isso que eu quis dizer! Abaixa isso!
Placa: “Desculpe.”
Pessoa coloca a mão na frente do coração e solta um suspiro de alívio.
PSN: Assim fica difícil dialogar. Ufa.
Sobe som Estômago Roncando.
PSN: Acho que estou com fome, teria algo pra comer aí?
Mão surge com um bombom.
PSN: Algo mais consistente? Sabe, faminto?
Mão surge com dois bombons.
PSN: Tá, tá, eu aceito. Obrigado.
Placa: “10 reais.”
PSN: Quê? Quem pagaria dez reais em dois bombons?
Placa: “Agrega valor.”
PSN: Ah, vá! Tudo bem, tudo bem.
Pessoa mexe nos bolsos, procurando algo. Não acha, faz cara de susto.
PSN: Quem pegou minha carteira? Ei! Como vou pagar?
Placa: “Podemos negociar.”
PSN: Ahn, acho que não é uma boa ideia. – pausa dramática – Já sei, que tal se eu cantar?
Placa: “Tá achando que tá no Ídolos?”
PSN: - gritando – Eu não sei onde estou! Fui jogado aqui!
Sobe som Own.
PSN: Tudo bem, tudo bem. Como faço pra sair daqui? Posso pegar dinheiro no banco daí.
Sobe som Diretor:
“Corta! Corta! Tá muito ruim! Vamos repetir do início! Todo mundo aos seus lugares! Peguem outro balde d’água e tragam também a bigorna e a torta!”
Pessoa fica com cara de medo, olha ao redor procurando algo.
PSN: Não! Espera! Não! – gritando –
Sobe som Diretor2:
“É esse o espírito! Agora, desacordem ele!”
Bota voa e acerta pessoa na cabeça, que cai desacordada  sentada na cadeira.
Sobe som Diretor3:
“Perfeito! Do início! Cena 1, décima nona tomada!”

- Fim da Cena -

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

9º Desafio - Cintia Yuri Nishida

Algo muito bom desses desafios: Estou reencontrando pessoas com quem não falo há muito tempo, e estão vindo com ótimas sugestões. No caso da Cintia, que me deu duas aliás, e que vou escrever a outra daqui a algum tempo, foi o caso de Memórias Herdadas. Precisei quebrar a cabeça um pouco pra pensar em como poderia falar disso. Daí me veio a ideia de um diálogo, e é o que temos aqui! Espero que ela goste da adaptação que fiz da ideia dela e prometo que vou me esforçar ainda mais para a próxima que virá!

Um Toque Aqui, Um Retoque Ali

- Ele vai ser médico.
- Não acho que seja uma boa ideia...
- Claro que é! Imagine: Doutor A...
- E se ele descobrir o que fizemos?
- Que nada, é só não deixar que ele estude sobre o assunto.
- É? E como vamos fazer isso, gênio?
- Hum...  Já sei! Um trauma!
- Como assim?
- Simples. Implantamos uma memória traumática, algo que ele nunca consiga esquecer e que vai impedir que ele queira saber mais sobre o assunto.
- Interessante. A morte de algum parente ou uma conversa que o mudará para sempre?
- Sim, sim. Isso mesmo!
- E se isso fizer com que ele nunca faça Medicina?
- Não tinha pensado nisso. Que tal contador então?
- Altas taxas de suicídio. Desnecessário para o projeto. Mas poderia ser policial.
- Seria irônico se ele nos prendesse no futuro.
- Só se alguém fizer outra besteira.
- Ei! E o senhor é o Doutor Perfeito?
- Ele só está aqui porque VOCÊ esqueceu de deixar a boca fechada.
- Isso, ponha a culpa no cara que estava fazendo sala enquanto VOCÊ limpava a bagunça que fez aqui dentro. Falei que mexer no cérebro de um cavalo não era uma boa ideia!
- Mais alguns ajustes e ele teria aprendido a usar aquelas asas que implantei... Ora bolas...
- E o que fazemos com ISTO aqui?
- Boa pergunta. Parece meio... Bobo não é?
- Bobo? Quem é você, uma adolescente apaixonada? Isto aqui é ridículo! Completamente inútil. Vou cortar fora.
- Espere! E se ele quiser aprender a...
- Não vai. Simples. Agora me passe uma dose de Feconaflexissotan.
- Você não vai...
- Ah, vou...
- Ele pode ficar impotente!
- Bobagem. Usei semana passada no Paciente B e ele ficou muito bem.
- O Paciente B é uma mulher, seu pateta! Agora confunde os gêneros?
- Isso explica muita coisa...
- Como você se formou, mesmo?
- Cala a boca! E você que ficou dois anos paquerando a Paciente G antes de se tocar que não poderia procriar com um gorila?
- Mentira! Calúnia! Ultraje! Eu... Eu... Só estava sendo gentil com ela! É uma gorila muito complexada, viu?
- Claro, claro. Ela deve ter ficado decepcionada com o tamanho da sua banana.
*CRASH!*
- Mas... O que é isso? Viu o que você fez? Agora ele... Ele... Não é que ficou mais atraente?
- Você acha?
- É, veja aqui, a monocelha se dividiu... E o lábio parece até mais carnudo...
- Desde quando você nota essas coisas?
- A Paciente M trouxe uma revista de garotas com ela anteontem. Fiquei sem o que ler no banheiro...
- Certo... Bom, desculpe a cadeirada, temos que nos focar no assunto.
- Sim, vamos só suturar aqui e ali, dar uma corrigida e quem sabe ele não possa até ser um ator.
- Ainda acho que ele seria um ótimo policial.
- Bom, ele pode fazer filmes policiais e de ação. Não precisa muita coisa pra atuar nesse ramo mesmo.
- Pronto, está fechado!
- Hum... O que é aquilo?
- Ah, droga! Sabia que tinhamos esquecido de algo! Bem, deixa pra lá... Quem precisa saber qual é a raiz quadrada de 144 mesmo...

domingo, 26 de janeiro de 2014

6º Desafio - Mônica Pedrini

É, eu sei, pela hora deveria ser domingo, mas... Eu ainda não dormi, então é sábado e este conto não está atrasado! Yes! Hoje eu trouxe o desafio da Mônica, que me pediu um conto sobre o romance de uma humana com um alien... Bem, vocês verão o que saiu disso aí! Espero que apreciem!

Contatos Imediatos de Quarto Grau e Meio

Todo mundo tem aquele amigo de um amigo que um dia passou por uma situação que é fora de série, inacreditável, o causo que conta em uma festa aleatória. Só que ás vezes, bem ás vezes mesmo, algumas dessas histórias são reais.
É o que venho contar, algo que aconteceu com uma amiga de minha prima. Uma tal Jéssica. Dizer que a garota era esquisita era pouco, apenas seus poucos amigos conseguiam compreender, ou fingir isso, sua paixão pelo que há universo afora. Não falo de um gosto por astronomia, viagens espaciais ou talvez um sonho com ficção científica.
A coisa é um pouco mais complicada, do tipo “Possua-me, alien!”. Pelo menos é o que diziam. Nunca vi, como saber?
Só que Jéssica tinha uma falha agravante em sua busca por ser um dia abduzida: Um medo mórbido de ficar na rua de noite.
Essa situação mudou em uma festa que Jéssica foi, praticamente empurrada por essa minha prima. A festa em si estava uma droga, com música ruim e gente esquisita. Tão esquisita quando a pobre garota, o que quer dizer que ela devia se sentir em casa. Mas não.
Depois de uma hora zanzando, tentando se enturmar, Jéssica sentou no sofá ao lado de um casal se pegando. Um par de olhos violetas atraiu seu olhar do outro lado da sala. Cabelos loiros espetados e uma roupa de nerd. Muito deslocado para uma festa tão estranha.
Jéssia se sentiu sem ar, totalmente envergonhada. A boca secou, as mãos suaram, os olhos vidraram. Tentou levantar, tentou caminhar, tentou não tropeçar no pessoal “dançando”, tentou chegar perto, tentou puxar conversa.
- Ahn, oi?
É, foi um bom começo Jéssica. Muito bem, mas pela história, isso DEU CERTO! Ela conseguiu que o garoto a respondesse, desse trela, a seguisse para a cozinha onde pegou ponche para os dois (está batizado, não é?). O garoto parecia divertido demais e NADA alienígena, o que é bem diferente de tudo que ela já apreciou antes.
- Então... Qual seu hobby, Jess?
- Ah, é, então, sabe?
Foi difícil confidenciar sua paixão, sua vocação.
- Ah, o espaço? Uau! Eu também gosto disso! Demais, cara!
E lá ficaram conversando sobre et’s, espaçonaves, teorias da conspiração, beijos, amassos, pegada em certas partes. Foi uma união muito boa de fluídos corporais, química e talvez uma boa dose de bebida. O ponche estava REALMENTE batizado.
- Eu... Nunca fiz isso antes.
- É, eu sei. Eu sei tudo sobre você Jéssica. Na verdade, eu venho observando você há muito tempo.
Foi nessa hora, sozinha com ele na varanda, que Jéssica notou que estava tudo muito quieto. Pior, estava tudo muito ESCURO. Ela estava no meio da noite a céu aberto. Sua pequena fobia repuxou suas orelhas, fez seu corpo reagir na defensiva e se afastar desse garoto que de repente pareceu mais bizarro do que o “normal”.
- Não entendi bem...
- Ah, não se preocupe, Jess, você está segura. Seus desejos serão todos realizados em breve. É só esperar um sinal.
O papo sem pé nem cabeça fez Jéssica tremer por inteiro e pensar em abrir a porta, que por algum motivo estava bem trancada. Oh-oh, Jéssica, isso não deu muito certo.
- Por favor, tá me assustando!
- Espere só mais um pouco... Ah, está ali!
Um círculo azulado cruzou os céus e parou bem em cima do garoto, começando a sugá-lo e levando Jéssica com ele. A garota até tentou se segurar em uma cadeira, mas acabou levando-a junto.
- Por favor, pára!
- Eu sempre pensei que você quisesse vir com a gente, Jess, o que foi, mudou de ideia?
- Eu só quero ir pra casaaaaaaa!
Bling! Jess, a cadeira e o pobre nerd caíram todos na varanda, bem antes do brilho azul sumir.
- Ué, quê? Ei! Voltem aqui!
Jéssica olhou para ele, para a situação ridícula que estavam e saiu correndo, deixando-o para trás todo aturdido. Depois disso o garoto ficou observando onde ela caiu, respirou fundo e puxou uma espécie de celular interplanetário. Discou um número e aguardou.
- Oi? Mals aê, mas minha carona me deixou, pode vir me buscar? É mãe, eu tava tentando achar uma acompanhante pro baile, mas não deu certo... Ah, não enche, mãe! Vem logo!

E como eu sei disso tudo? Bom, lembra do casal se pegando no sofá? Minha prima. Ela resolveu ir com o cara pro segundo andar e eles acabaram descendo para o telhado. Quando a nave sugou tudo, ela e o cara acabaram caindo na árvore do lado da casa. E minha prima jura de pé junto que depois disso a Jéssica só fala de morar no interior, bem longe de qualquer estação espacial!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

5º Desafio - Aleatório

De todos os desafios propostos até agora, o do Aleatório foi o mais simples e também o mais safado. Escrever uma fábula, aos pés de Esopo, é bem mais difícil do que parece! Mesmo assim, topei a brincadeira e aqui estou, com a história do pobre elefantinho. Espero que vocês aprendam uma boa lição com isso! Quem sabe não ajuda vocês no futuro, como as fábulas me ajudaram na infância! Não sou tão bom contador de histórias infantis, mas... Vejam lá!

Imagem meramente ilustrativa tirada daqui.
O Elefantinho e sua Tromba
Todo mundo tira sarro do pobre elefantinho. Suas orelhas grandes, sua barriga saliente, principalmente da sua tromba que ele vive tendo que tomar cuidado para não pisar em cima! O elefantinho corria, de vez em quando tropeçava e lá ia rolando, enquanto os macacos tiravam sarro, a girafa escondia a cabeça na árvore para rir e a ema afundava a cabeça na terra em gargalhadas.
Mas o elefantinho não se preocupava. Apesar da ótima memória, preferia esquecer as brincadeiras sem graça e as piadas de mal gosto dos outros. Ou ao menos é isso que dizia quando chegava o macaco troçando:
- Ei, elefante, já pensou em fazer redução de orelhas? Com um satélite desse tamanho deve ser difícil não pegar recepção de rádio religiosa!
- Ora, amigo macaco, agradeço a preocupação! Mas não ligo para isso. Qualquer coisa, só preciso mexer a cabeça e ouvirei o futebol!
E satisfeito saía, mesmo com o macaco atrás fazendo cara de quem não gostou e continuando a falar mal dele pelas costas. Outro dia mesmo a girafa chegou até ele e disse:
- Já pensou em fazer um regime? Comer umas folhas dessas árvores por exemplo em vez de todos esses amendoins. Porque daqui a pouco vamos começar a orbitar em volta de você!
Sorrindo, o elefanto responde:
- Obrigado, minha cara girafa, mas estou bem. Tenho comido só o suficiente e me pesei ainda ontem. Perdi trezentas gramas, veja só!
E mais uma vez caminhou pela foresta, feliz da vida. A girafa virou-se para o macaco e comentou:
- Com esse peso todo, duvido que ele tenha uma balança que aguente.
Caíram na gargalhada. A ema foi mais cruel, vendo que o elefante tentava espantar com o rabo uma mosca chata que ficava circulando por suas costas, disse:
- Que pena que sua tromba não seja lá tão flexível quanto nossos pescoços. Senão era simples, uma bordoada e essa mosca seria história! Ai ai, pobre de você, elefante, com esse peso morto que só serve pra acumular rinite...
Dessa vez o elefantinho não teve como responder. A mosca irritava realmente e dificultava uma boa conversa.
Só que o tempo esquentou, e esquentou muito. Os animais tentavam se refrescar na água do lago, mas não era o suficiente, porque a água também estava quente e parada. Se houvesse ao menos uma cachoeira para mexê-la.
De repente o elefantinho surgiu por entre as árvores e enfiou a tromba na água, sugando uma grande quantidade de líquido. Apontou aquele cano para cima e expeliu o líquido que tinha recolhido, fazendo-o cair como chuva e cobrindo os outros animais. A sensação da água caindo foi ótima, refrescando a todos que, envergonhados, disseram em uníssono:
- Obrigado, amigo elefante! E desculpe pelas brincadeiras, sua tromba é ótima!
Sem dizer nada, o elefantinho apenas sorriu. Ali perto, um jacaré que via a cena comentou para o outro:
- Amigo da onça, isso sim! Nenhum deles parou pra pensar que ele tá aproveitando para espirrar neles!

Moral da história: Não faça troça de ninguém, porque algum dia você pode precisar da ajuda dele e vai acabar é levando ranho!


Mentira, a moral é: Não leve desaforo para casa, mas também não se meta a brigão. Tenha paciência e saiba responder sem ser mal-educado, um dia você terá sua chance de se mostrar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

1º Desafio - Thiago Sant'Helena

Começando hoje meu desafio, aproveito para explicá-lo. No último Desenhe Aqui falaram de um projeto que envolvia a publicação de uma arte por dia, durante 30 dias. Gostei da ideia e de outra, citada pelo Diego Fernandes, de falar com as pessoas no face e elas darem sugestões e foi isso que fiz. Até agora recebi quatro propostas legais e vou tentar usar todas. E hoje já peguei a mais difícil, dada pelo Thiago Sant'Helena.

Graças à ajuda da Ann, mais uma vez, eu consegui fazer esse texto que vem à seguir. Espero que curtam, porque eu achei bem engraçado.

Rotina

Som. Relógio. Batida. Atraso. Geladeira. Droga. Pão? Margarina, queijo. Buzina. Mochila? Mesa. Porta. Chave. Cumprimento. Corrida. Semáforo. Fila. Fila. Fila. Fila.
Gritos. Chefe. Desculpas. Desculpas. Bronca. Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Secretária.
Despensa.
Gemidos.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Café. Comida. Conversa. Fofoca. Conversa. Relógio.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Hora. Cerveja, conversa, futebol. Política, religião, sexo, sexo, sexo, gostosa. Hora.
Corrida.

Casa, cama, relógio. Droga. Fim.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Todo mundo...

Já passou por aquela situação interessante de se reunir com a família... Da mãe. Do pai. A própria, depois de cinco, dez, até quarenta anos de casado. E há aqueles que sempre aparecem. O tio mala, a tia fofoqueira, o primo trambiqueiro. Bem, alguns tem famílias diferentes, com gente que é diferente mesmo, mas quão diferente? Acompanhem um pequeno causo dessa família aqui...

Reunião Familiar


Foi uma ocasião rara, os sete se reunirem assim, sem algum motivo muito importante como o fim do mundo ou quem faria o próximo inventário da família. Por conta de sua enorme vontade em exibir a nova coleção de Portinari que comprou em um leilão, Orgulho ofereceu sua casa para receber o clã, apesar dos protestos de Preguiça. Mas como ele só os fez uma semana depois, acabou por isso mesmo e Luxúria passou no loft dele no caminho, afinal houve uma festa na noite anterior, a apenas duas quadras dali, e ela não podia perder.
Começou no meio da tarde, nem cedo demais nem tarde demais, para não interromper nenhuma refeição do Gula, que estava em dieta controlada. Ira foi o último a chegar, batendo com força na porta porque haviam esquecido, de novo, de deixar a vaga dele aberta e novamente teve que deixar o carro ligado enquanto abria os portões. Como sempre, coube ao Ganância, o líder do grupo, a ingrata tarefa de apaziguar a todos... Até o momento em que foi pego roubando, mais uma vez, a carteira da Inveja, que não parava de olhar pro vestido curtíssimo de Luxúria desejando avidamente tirar aquela peça dela... E sair correndo porque estava louca pra experimentar.
Enquanto trocavam farpas aberta e avidamente, Orgulho foi conferir pela décima sétima vez se os Portinari estavam todos bem expostos para que ninguém deixasse de reparar neles e fazer comentários. Luxúria tremia de excitação pelos abraços apertados de todos, o que rendeu uma pequena anedota depois entre Ganância e Inveja, acerca do momento em que a garota abraçou Gula, mantendo-o longe da mesa de doces. Inveja estava verde de ver a gostosa da irmã tanto tempo abraçada com o fabuloso, e inexplicável, irmão musculoso, enquanto Ganância pensava em como era ótimo ter mais doces para poder pegar para si. Não que fosse comer. Odiava doces.
A grande estrela da festa no final foi o Preguiça, que de tanto tédio, acabou cochilando na varanda. Depois de algumas horas de resmungos e até gritos constantes, Ira reparou na falta do irmão, que já congelava de frio da chuva torrencial que caía, mas por pura falta de vontade, tinha ficado do lado de fora mesmo depois de acordar. Com muito trabalho, Orgulho o arrastou para dentro e para longe do seu carpete, colocando-o no banheiro principal, para que ele não esquecesse de reparar no mármore da pia.
Tinha ficado tarde já e Luxúria precisava sair URGENTE para encontrar os amigos “especiais” na festa logo a duzentos quilômetros dali. Em rápida troca de palavras, Inveja garantiu que a irmã viajaria até a China se fosse pra ficar se jogando no meio de machos. Gula concordou, mas ficou pensando que... Ah, se fossem doces... Por que não? Ira saiu em seguida, mais uma vez furioso porque, agora, Ganância havia roubado um dos quadros de Orgulho que veio correndo atrás dele gritando “É meu!”, sendo seguido por Inveja que gritava a mesma coisa, curiosamente, e acabaram esbarrando em Gula que derrubou o prato de doces no casaco de Ira. Conclusão? O irmão brutamontes desferiu porrada em todo mundo, e foram parar no hospital.
No fim das contas, o último a sair, quer dizer, que ainda não saiu, foi Preguiça, esquecido do lado da mesa da comida, ainda com pouca vontade de ir pro quarto descansar em uma cama melhor do que o sofá de quinze mil do irmão. É que dá muito trabalho. Essas reuniões de família sempre terminam assim.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Prometheus

Existem coincidências e coincidências. Hoje mesmo assisti um vídeo (falo sobre ele ao final do texto, esperem até lá!) e quando fui escolher o conto que iria publicar, acabei lembrando exatamente do que vi, e isso gerou um riso involuntário aqui. Francamente, existem comédias que a gente produz sem querer, na boa. Esse conto, por exemplo, não começou exatamente como uma comédia, mas com uma frase que eu queria colocar em um diálogo. E então foi surgindo e surgindo e acabou saindo meu primeiro conto engraçado BOM, o que é uma raridade e por isso eu tinha o DEVER de divulgá-lo. Se ficou realmente BOM quem decidirá são vocês!

Sim, Senhor!



- Senhor?
- Aaah-AAAAAH!
- Senhor?
- Igor, pela Ciência, já lhe disse para não me assustar assim!
- Senhor, o experimento acordou, eu acho que...
- Como? Já? Mas, ainda não se passou nem um dia! Diacho, Igor, eu lhe disse que desse os sedativos na ordem certa!
- Então, senhor, eu realmente dei. Na verdade, faz menos de meia hora que dei a nova dose.
- E ela já está de pé? Eu não estou pronto! Igor, vá buscar meu terno!
- Mas senhor...
- VÁ!
- Como pode? Eu tenho certeza de que os tranquilizantes a deixariam dormindo até a hora que estivesse tudo preparado. Ainda tenho que fazer a janta, e tenho que tomar um banho! Não, não dá tempo pro banho, usarei aquele perfume francês que Mamã me deu de Natal. Ah sim, aqui está. ARGH! Isso fede! Mas, com certeza é melhor do que o cheiro das máquinas. E o local? Eu ainda estava pensando se usava a velha sala de jantar ou o calabouço, e agora? O que ela achará mais confortável? Pela Ciência, como está tudo dando...
- Senhor?
- IGOR! Se entrar mais uma vez me assustando, eu lhe darei um murro!
- Vai doer mais no senhor do que em mim, mestre.
- Verdade, eu sou muito fraco. Já sei! Mandarei você bater em si mesmo!
- Ideia brilhante senhor. Aqui está o terno que me mandou buscar.
- Ótimo. Perfeito! Fan... Igor?
- Sim, mestre?
- Por que há um buraco enorme nas costas do terno?
- Lembra, mestre, que o senhor usou este terno para ir à convenção dos cientistas malucos no ano passado e saiu de lá correndo dos tomates?
- Sim...
- E que em seguida o senhor achou que o terno estava estragado e tentou usá-lo para vestir o seu monstro... Digo, seu protótipo, o qual o rasgou prontamente? (O que foi uma sorte, porque o queimamos em seguida)
- Sim...
- Então. Quando, na segunda-feira, o senhor pediu que eu cortasse um pouco de tecido para fazer de pano para colocar o frasco do cérebro fresco e trazê-lo para cá, usamos o pedaço que estava ruim do terno e seria tirado de qualquer jeito.
- Está me dizendo que não tenho mais nenhum terno?
- Bom, sim...
- IGOR, SEU PASPALHO INÚTIL!
- Ma-mas, mestre, foi o se...
- Não me venha com desculpas, sua anta superdesenvolvida! Vá me buscar uma roupa, qualquer roupa decente e me faça a janta! Em quinze minutos!
- Ora, bolas, ele estraga o terno e eu que...
- O QUE ESTÁ RESMUNGANDO AÍ? VÁ DE UMA VEZ!
- Sim, mestre! (Eu ainda me demito...)
- Este Igor, francamente. Destrói meu terno e ainda me vem com historinhas... Como se eu, um grande cientista e ganhador do prêmio Nobel (retirado depois por uma calúnia... Eu não preciso desses fanfarrões hipócritas), seria capaz de algo tão idiota! Igor, Igor... Tem sorte por ser sobrinho da empregada da tia em segundo grau da minha Mamã, senão...
- Ahn, senhor?
CRASH! TOMP! BOOM!
- E QUANDO VOLTAR A SUBIR AS ESCADAS, BATA NA PORTA, GIGANTE IMPRESTÁVEL!
TOC! TOC! TOC!
-Entre, Igor.
- Senhor, só vim avisá-lo (ai, minha coluna) que o seu experimento (acho que torci o tornozelo) está acordado.
- Susan, Igor.
- Como, senhor?
- O nome dela é Susan.
- O senhor tem certeza que é ela?
- Como se atreve, Igor?
- Mas ela tem barba!
- Bem, era o único queixo disponível...
- E posso jurar que as mãos dela são maiores que as minhas!
- Só tinha um pouco da única mulher no local...
- E as pernas dela são peludas!
- Ora, mas o que você queria que eu fizesse com meio corpo de mulher, cabeça de padre, braços de jogador de basquete e as pernas de um motoqueiro bêbado?
- Não era melhor esperar para semana que vem, senhor?
- Mas Mamã vem me visitar hoje.
- E o que tem isso senhor?
- Hunfhunfhunf...
- Eu não entendi senhor.
- HUNFHUNFHUNF...
- Senhor?
- EU FALEI PRA ELA QUE TINHA UMA NAMORADA!
- ...
- ...
- ...
- ...
- Senhor?
- Sim, Igor?
- Era melhor ter roubado um urso do zoológico e ter colocado em um vestido.
- Igor?
- Sim?
- VÁ FAZER O JANTAR!
- Eu juro que não entendo esse homem, tão inteligente, mas também tão burro...
- Ah, Igor, como se fosse fácil. Bem, ainda bem que Mamã é quase cega, coitadinha, e também um pouco surda, e se eu der sorte, os remédios para que ela durma vão funcionar rapidinho e antes da sobremesa ela já ter apagado. Oh, aqui está você, Sus... IGOR!
- Sim, mestre?
- AAH! Você estava me esperando chamar?!?
- Não, eu só estava...
- Deixe para lá! Igor, por que você não me disse que ISSO tinha acontecido?
- Bem, eu achava que era parte do projeto...
- Parte do projeto? PARTE DO PROJETO?!? IGOR! Você viu meus desenhos, acha que eu queria ISSO?
- Não, mas... Considerando a visita da sua mãe...
- Não fale isso! ARGH! Só falta ela chegar agora!
DING! DONG!
- Igor... Diga que é uma testemunha de Jeová.
- Não, senhor. É sua Mamã.
- Abra a porta, Igor.
- Vitinho, quanto tempo! Mas como está gordinho! E forte! E seu cabelo está lindo!
- Senhora, eu sou Igor, o criado de seu filho.
- Sim, sim, Vitinho, eu sei, você puxou meu lado da família, não o do seu pai, que ficou careca, de bochechas de buldogue e usou dentadura antes dos trinta.
- MAMÃ, ELE FALOU QUE É O IGOR! EU SOU O VÍTOR!
- Ah, sim, sim! Hum, é, meu filho, você está bonzinho.
- Bonzinho, Mamã? Veja, eu ando malhando.
- É, estou vendo que você anda... É... É... Bom, e onde está aquela sua namorada?
- Ahn, eu vou buscá-la. Igor, leve-a até a sala de jantar!
- A sala de jantar, senhor? Mas eu achei que usaríamos o cala...
- Então a leve para lá!
- Ele sempre grita assim com você?
- Sim, senhora.
- O que disse?
- SIM, SENHORA!
- Não precisa gritar, eu não sou surda!
- Hunf... Senhora, fique aqui, que eu vou terminar de verificar a comida no forno, sim?
- Esse criado do meu filho é muito folgado... Gritando assim comigo, como se eu fosse ralé! Mas Vitinho realmente investiu nesse castelo, até colocou correntes nas paredes de decoração! E veja só, tem um esqueleto de mentira! E ali um espelho... Puxa, eu preciso mesmo depilar as pernas.
...
- IGOR! Você viu Susan?
- Não, senhor. Eu acabei de deixar sua mãe no calabouço e vim pegar a comida.
- PELA CIÊNCIA! Onde estará essa mulher?!?
- Se é que pode ser chamada de mulher...
- O QUE DISSE?
- Ah, perguntei se o senhor não gostaria de uma bebida.
- Eu nunca bebo, Igor! Só quando estou socializando!
- Ou seja, de segunda a sexta.
- COMO?!?
- Ah, comentei que talvez Susan esteja com sua Mamã.
- NÃO! Temos que ver isso já!
- Como quiser, senhor.
- Igor, eu por acaso estou vendo duplicado?
- Se o senhor estiver, eu também estou.
- Elas são...
- Iguaizinhas...
- Vitinho! Que surpresa maravilhosa! Eu adorei sua namorada! Pena que é tão tímida! Mas que lindo sorriso! E que pele sedosa!
- Igor?
- Sim, mestre?
- Eu vou aceitar aquela bebida... De preferência toda ela.


It's Aliiiiiiiive!

Como prometido, o link do vídeo do Quatro Coisas sobre Frankenstein, que ficou simplesmente ÓTIMO! Espero que vocês também aproveitem! A imagem aí de cima foi exatamente por causa do começo desse vídeo.