quarta-feira, 8 de abril de 2015

Vai aumentado o som...

Segunda música que fala de pessoas fora da casinha. Essa foi a primeira música de rock que decorei o nome e lembro até hoje da sensação de ouvir a explosão do riff e a entrada da bateria. Muito tempo depois, quando vi o clipe, me apaixonei pela banda e o Green Day está na trilha sonora permanente da minha vida. Vários anos passaram e cá está, é a segunda da lista. Devo dizer que quando comecei o texto não sabia o que faria, mas... gostei MUITO do resultado. Sem mais delongas... Basket Case!!

   

Pego a guitarra, largo a guitarra, pego de novo, largo de novo. Já há meia hora que só faço isso. Não dá, não consigo, é muito difícil me concentrar, eu preciso... eu devo...
- Você precisa de um tempo, amigo... – diz uma voz vindo sabe-se lá de onde.
- Ahn? Quem disse isso? – pergunto olhando em volta, mas estou sozinho.
- Ora, amigo, quem mais? Eu! Seu companheiro de tantos momentos!
Eu procurei e procurei, mas nada achei. A voz parecia vir de todo lugar, como se ressoasse nas paredes, ou pior, estivesse dentro da minha...
- Ah, qualé! Não pode dizer que me esqueceu! Você acabou de tocar em mim! E foi tão gostoso... vem, me pega!
- Mas... que m...
- Oh, oh, oh... em vez de xingar... porque eu e você não tocamos uma juntos? Pelos velhos tempos... você sempre curtiu um sonzão pra desestressar!
É claro. Eu sabia. Estou louco, essa voz que ouço é fruto da minha imaginação. Não posso estar mesmo ouvindo minha guitarra fal...
- AAAAAAAH!
- O que foi, cara? Que agudo foi esse? Gosta de metal agora é? Hum, acho que dá pra fazer um solo bem maneiro, peraê...
- Por... por que você... por que você tem a cara do BJ?
No corpo da guitarra, bem próximo das cordas, um rosto em alto relevo, com aquelas olheiras e a boca meio torta me encarava. Eu reconheceria em qualquer lugar...
- O que é isso? Como... o quê? Eu dormi, já? Droga, tinha que estudar!
- Por favor, não... você está acordado e estamos conversando. Não corta o clima. Ei! Lembra daquela do Guns? Adoro quando você me dedilha com ela!
- Para! Não fala essas coisas! Só... para! Que droga! Por que você não podia ter a cara da Scarlett Johansson? Ou sei lá, se for da música, podia ser a Orianthi!
Dá pra ver a expressão sacana que ele faz, aquele rosto torcendo a madeira, como se estivesse flutuando logo embaixo, em uma camada não tão visível.
- Pfff... qual o problema com minha aparência? Não estou bonitão?
- Não é isso, mas... ah, cara, não queria mexer em ti agora e pensar no Billie...
- Ah, talvez você preferisse um rosto mais angelical? De longos cabelos negros e brilhantes olhos azuis e claros como o oceano?
Que golpe baixo ele deu! Falar dela era covardia, e eu senti que meu coração doía. Há apenas alguns dias que nós não nos falávamos mais, mas a intensidade era como se fossem horas.
- Não fala isso... eu... nós... é que...
- Eu sei, mermão, eu sei. É em mim que você toca aquelas baladas pra ela, que fica pensando enquanto batuca em minha caixa e tantas vezes ensaiamos aquele refrãozinho xororô do Bon.
- Eu não sei o que fazer, eu tô pirando.
Eu ouvi o assovio que veio dele, muito estranho, metálico, parecia até uma risada. Pude ver a piscadela, e então algumas cordas se mexeram, saindo um som de Dó.
- Então que tal uma vezinha, hein? Você sabe que quer, é essa a ideia. Aí nós choramos juntos, lamentamos sua frustração e ficamos nessa vibe boa. Você quer, diz aí.
- Eu... não sei o que quero... não é só ela... é tudo... eu deveria estar indo melhor, eu deveria...
- Você não deve nada a ninguém, nem a si mesmo. Curta o momento, amigo, seja jovem, seja feliz, seja radical! É só me pegar e teremos bons momentos juntos!
Lembro imediatamente porque larguei o vício que me consumia todas as tardes, os ensaios constantes para ficar cada vez melhor. Não estava agradando a mais ninguém, nem a mim.
- Olha... quer saber? Acho que sei o que quero.
- Ah, bom garoto! Vamos nessa então, que tal aquela do... ei! O que você está fazendo? Pera! PARA! NÃO FAZ ISSO! VAMOS LÁ! SÓ MAIS UMAZINHA!
- Desculpe, é tarde demais, você precisa ir pro seu canto ou eu vou ficar doido de verdade. Quem sabe depois das provas... aí a gente conversa... até lá, me deixa em paz!

Pronto! Tinha fechado ela na capa e guardado no armário. Se desse tudo certo, pegaria depois pra uma serenata, quem sabe assim a Amanda voltava pra mim? Por hora... cabeça focada!

2 comentários:

  1. NOOOSSSAAAA, essa música é nostalgia pura!
    E... que nóia hein? Acho que eu jogaria longe a guitarra e nunca mais olharia pra uma.
    Mas gostei da viagem aí, imaginei a Amanda como a Amy Lee. Era pra ser isso produção?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não pensei dessa forma, mas... faz sentido!

      Excluir