Apesar do título a la Paulo Coelho, não é tão trágico assim esse post. Talvez um draminha, quem sabe uma novela das oito, mas nada que seja de fato um grande problema. Esse filme não vale meu esforço em ser dramático. Ainda assim, em conversas, a maioria por causa do texto anterior, foram levantados alguns pontos importantes que eu gostaria de ressaltar, relembrar, elucidar. Avisando que tem spoilers, então vamos lá!
terça-feira, 30 de agosto de 2016
domingo, 28 de agosto de 2016
Uma missão ingrata e quase suicida

Demorei um pouco para postar isso aqui pois estava... receoso se conseguiria colocar tudo que pensei do filme em um texto só. Bom, pelo tamanho desse post vocês podem ver que não, não consegui. Ele está GIGANTE. Leiam por sua conta e risco, tem spoilers.
Desde que o primeiro Homem de Ferro fez sucesso o cinema da DC Comics tenta emular parte da fórmula, seja o universo compartilhado seja a linguagem. Reduzir os filmes atuais da gigantesca casa de Batman e Superman a isso seria injustiça, no entanto, é difícil desfazer as comparações quando Esquadrão Suicida nos apresenta takes curtos com temas musicais quase estourando as caixas de som, ao estilo de Guardiões da Galáxia. Como fã de ambas as editoras, não posso fechar os olhos (e principalmente os ouvidos) ao que estão me jogando. É como um imenso videoclipe com pequenos trechos de narrativa clara ao longo das duas horas de exibição. E este é só um dos problemas.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Delirando
Faz algum tempo passei a trocar ideias com outros autores de contos (também, já vou para meu sétimo publicado!), mas um em especial tem sido um grande parceiro e tem me influenciado a investir mais no meu trabalho. Ele insistiu para que eu tentasse uma vaga na sua próxima antologia, A Bíblia dos Pecadores, e agora que já enviei minha contribuição (e estou esperando o resultado), ele me repassou o link do blog dele para dar uma olhadinha.
De Lírios, que foi a razão do título desta postagem (claro, dãh!), é um prato cheio para quem gosta de textos bem emocionados e poesia pura. Apesar do Isidro ser português raiz, o que ele escreve é facilmente perceptível por nós, tupiniquins. Sugiro avidamente uma passagem pelo seu blog para apreciar os escritos e quem sabe conhecer outros trabalhos que ele participou.
E mais uma vez inspirado, cá estou trazendo duas poesias sem nome que espero que gostem.
Vou te contar um segredo, preste atenção
Se olhar pra dentro da minha cabeça
Encontrará um mundo escondido da solidão
Onde nós dançamos e cantamos e não há fim
Para a festa que todos fazem para mim
Porque sou um herói de aventuras infinitas
Pode me passar uma xícara de chá?
Tenho muitas histórias para contar
Sobre mim, sobre você, sobre a gente
Coisas que venho guardando dentro da mente
E que tinha vergonha de dizer em voz alta
Mas nessa brincadeira insensata
Parecem tão fáceis de falar
Pois neste meu mundinho particular
Não tem quem me diga que estou errado
Mesmo que seus sorrisos sejam falsos
Seus olhos feitos de botões alinhavados
E suas almas quebra-cabeças do meu coração furado
Pois dentro da minha cabeça
Está meu mundo perfeito
De Lírios, que foi a razão do título desta postagem (claro, dãh!), é um prato cheio para quem gosta de textos bem emocionados e poesia pura. Apesar do Isidro ser português raiz, o que ele escreve é facilmente perceptível por nós, tupiniquins. Sugiro avidamente uma passagem pelo seu blog para apreciar os escritos e quem sabe conhecer outros trabalhos que ele participou.
E mais uma vez inspirado, cá estou trazendo duas poesias sem nome que espero que gostem.
Vou te contar um segredo, preste atenção
Se olhar pra dentro da minha cabeça
Encontrará um mundo escondido da solidão
Onde nós dançamos e cantamos e não há fim
Para a festa que todos fazem para mim
Porque sou um herói de aventuras infinitas
Pode me passar uma xícara de chá?
Tenho muitas histórias para contar
Sobre mim, sobre você, sobre a gente
Coisas que venho guardando dentro da mente
E que tinha vergonha de dizer em voz alta
Mas nessa brincadeira insensata
Parecem tão fáceis de falar
Pois neste meu mundinho particular
Não tem quem me diga que estou errado
Mesmo que seus sorrisos sejam falsos
Seus olhos feitos de botões alinhavados
E suas almas quebra-cabeças do meu coração furado
Pois dentro da minha cabeça
Está meu mundo perfeito
Há uma válvula na minha cabeça
Que abre cada vez que penso
As mentiras que insisto em contar
Escapam pelos meus olhos
Caindo no vento, sem rumo
Até algum ouvido encontrar
Se tornam pó de estrela no fundo do céu
Da minha mente poluída semi-destruída
Pra escorrer da minha boca
Enchendo de veneno minha vida
Que foge pela borda do meu autocontrole
Já não sei mais pra onde vou
Nem sei se realmente vou
Estou perdido no labirinto dos meus sentimentos
Como se não tivesse mais destino
Seguindo por uma linha torta que nem tracei
Mas que como autoestrada
Me leva em alta velocidade alucinada
Em direção ao meu norte desconjuntado
Onde vou encontrar meu coração quebrado
Esperando que eu feche essa válvula
Que eu nunca pensei que iria abrir
terça-feira, 23 de junho de 2015
Lembranças de um antigo escritor
Ah, eu sou relapso, ah sou! Eu devo ter uma penca de textos pela metade em várias pastas do meu computador, e também umas tantas outras ideias anotadas em cadernos que nunca vou tirar do papel. O que se salva acaba aparecendo aqui ou indo parar no notebook dos meus e minhas amantes por aí que pedem contos especiais. Adoro todos vocês por escravizarem minha cabeça e... ah, caraca, acabei de lembrar de mais uns três ou quatro pendentes. Um minuto pra eu me acertar com meu teclado enquanto tento tirar isso ainda essa semana da minha cabeça.
E falando nisso... meu conto Tique-Taque finalmente está em mãos! IEI! \o/ Lançado como parte de uma antologia de terror, Legado de Sangue, hoje de manhã surpreendi meu carteiro deixando na frente de casa uma caixa lotada de exemplares. Bem, não são tantos assim, mãs... é bom ter aqui algo que acompanhei tão ansiosamente. E tenho pra vender! Quem quiser prestigiar o que eu e outros autores muito melhores escrevemos, pode pegar um comigo, por apenas 25 dilmas! (vulgo R$25,00) Vai por mim, com tanto conto e mais de 300 páginas, tá barato, tá barato.
Enfim, o que trago hoje não é uma besteira qualquer, é besteira das grandes. Eu falei que sou relapso né? Então, mexendo nas coisas que estou separando pra me mudar (sim, de novo), encontrei umas folhas amassadas de textos antigos. Alguns de verdade. Outros não. Eu separei o que prestava e o que não joguei fora. E aí vi que tinha uma porrada de poesia e músicas que escrevi e... não vou julgar, deixarei isso pra vocês. É melhor que me digam o que realmente acham e não sejam influenciados pelo que estou pensando.Vou deixar umas aqui hoje e outro dia volto com mais.
Sem delongas...
Declaração de Guerra
Eu sou fraco
Pois com apenas um toque
De sua pele na minha
Já me derreti por você
Eu sou forte
Pois mesmo tentado pelo luar
Que banhou sua pele lisa e alva
Ainda me contive por você
Eu sou prisioneiro
De um encanto ancestral
Um lamuriar eterno
Que me tornou o seu carma
Eu sou teu
Servo, Escravo, Leal Sancho
Que te entrega carne e alma
Para que possas viver
Eu sou fraco, forte, prisioneiro teu
Bravo, alvo, curioso de você
Perdido nas tuas lágrimas
Fazendo você sorrir e viver
E falando nisso... meu conto Tique-Taque finalmente está em mãos! IEI! \o/ Lançado como parte de uma antologia de terror, Legado de Sangue, hoje de manhã surpreendi meu carteiro deixando na frente de casa uma caixa lotada de exemplares. Bem, não são tantos assim, mãs... é bom ter aqui algo que acompanhei tão ansiosamente. E tenho pra vender! Quem quiser prestigiar o que eu e outros autores muito melhores escrevemos, pode pegar um comigo, por apenas 25 dilmas! (vulgo R$25,00) Vai por mim, com tanto conto e mais de 300 páginas, tá barato, tá barato.
Enfim, o que trago hoje não é uma besteira qualquer, é besteira das grandes. Eu falei que sou relapso né? Então, mexendo nas coisas que estou separando pra me mudar (sim, de novo), encontrei umas folhas amassadas de textos antigos. Alguns de verdade. Outros não. Eu separei o que prestava e o que não joguei fora. E aí vi que tinha uma porrada de poesia e músicas que escrevi e... não vou julgar, deixarei isso pra vocês. É melhor que me digam o que realmente acham e não sejam influenciados pelo que estou pensando.Vou deixar umas aqui hoje e outro dia volto com mais.
Sem delongas...
Declaração de Guerra
Eu sou fraco
Pois com apenas um toque
De sua pele na minha
Já me derreti por você
Eu sou forte
Pois mesmo tentado pelo luar
Que banhou sua pele lisa e alva
Ainda me contive por você
Eu sou prisioneiro
De um encanto ancestral
Um lamuriar eterno
Que me tornou o seu carma
Eu sou teu
Servo, Escravo, Leal Sancho
Que te entrega carne e alma
Para que possas viver
Eu sou fraco, forte, prisioneiro teu
Bravo, alvo, curioso de você
Perdido nas tuas lágrimas
Fazendo você sorrir e viver
Terra de Sombras
É tão frio aqui
O mar é tão escuro
Já não tenho pra onde ir
Estou em cima do muro
Talvez o amanhã chegue
E não precisemos correr
Não sei o que vem por aí
Já não posso prever
Nessa terra de sombras
O sol não aparece
Neste lugar mórbido
Só você me aquece
O tempo desistiu da gente
Não temos nada pra fazer
É um lugar sem emoção
E talvez sem paixão
A esperança no futuro
É só você
Que você torne tudo seguro
Com seu jeito de ser
Um Fim
Cada fragmento do teu sorriso
Espalhado pelo chão de xadrez
O médico disse que é o que eu preciso
Quando nos encontramos daquela vez
Minha vida dedicada ao trabalho
Nunca mais voltarei a ter
As horas que gastei ao acaso
Eu queria passar com você
Agora morto não poderei mais
Viver a vida que imaginei
Perdi a chance de estar em paz
Não foi como eu pensei, não
terça-feira, 28 de abril de 2015
Caos de pensamentos
Andei bem, bem ocupado. Muitas coisas pra fazer, pouquíssimo tempo pra resolver. Deveria estar dormindo agora, mas quem disse que consigo assim, tão fácil? Precisava publicar aqui, é um dever pessoal contar histórias, eu sinto uma necessidade bem grande disso. Lamento pelos atrasos, mas prometo compensar com textos melhores. Quem sabe não posso ser do agrado de vocês com maior frequência?
Pra aqueles que não sabem, saiu um conto meu em uma antologia erótica! Já tenho o livro em mãos, chama-se Clímax - Faça-me chegar lá!, e meu conto é aquele que encerra a história, "No Meio da Tempestade". Eu pude finalmente relê-lo agora publicado e me impressionei. Fui eu mesmo quem escreveu isso? É de arrepiar, o primeiro que consigo transformar em trabalho impresso. Vai pra minha estante ao lado das NeoTokyos em que tive textos. Se alguém tiver interesse, ainda tenho alguns exemplares pra vender e... quem só quiser ler meu texto, estou sempre com uma cópia do livro na mochila! Só pedir!
O que trago hoje acabei de escrever. Decidi que queria trazer algo lá de dentro e acabou saindo esta pequena historinha, minha versão do Conto de Natal. Sinceramente, é um dos tipos de história que mais gosto e espero que vocês também apreciem lê-lo! Até!
Pra aqueles que não sabem, saiu um conto meu em uma antologia erótica! Já tenho o livro em mãos, chama-se Clímax - Faça-me chegar lá!, e meu conto é aquele que encerra a história, "No Meio da Tempestade". Eu pude finalmente relê-lo agora publicado e me impressionei. Fui eu mesmo quem escreveu isso? É de arrepiar, o primeiro que consigo transformar em trabalho impresso. Vai pra minha estante ao lado das NeoTokyos em que tive textos. Se alguém tiver interesse, ainda tenho alguns exemplares pra vender e... quem só quiser ler meu texto, estou sempre com uma cópia do livro na mochila! Só pedir!
O que trago hoje acabei de escrever. Decidi que queria trazer algo lá de dentro e acabou saindo esta pequena historinha, minha versão do Conto de Natal. Sinceramente, é um dos tipos de história que mais gosto e espero que vocês também apreciem lê-lo! Até!
-*-X-*-
Carmem era uma mulher bela, decidida, forte, obstinada... e
também o tipo de pessoa que não se aguentava, que tinha diversos defeitos as
quais insistia em demonstrar aos outros. Por isso mesmo que, Natal vinha, Natal
ia, passava a madrugada seguinte sozinha, bebendo em seu apartamento no Leblon,
de onde poderia admirar as festanças lá embaixo, bem lá embaixo, onde as
pessoas pareciam formigas fazendo o que quer que formiguinhas fizessem e
sinceramente ela achava isso uma bosta. Como sempre veria um filme, olharia
alguns filmes com seus atores pornôs favoritos e então dormiria feliz abraçada
a uma garrafa de uísque, para voltar à rotina no dia seguinte. Mas não este
ano.
O primeiro a visitá-la chegou à meia-noite em ponto,
trazendo consigo um bom vinho, uma caixa de bombons licorados e um pacote de
camisinhas, uma dúzia delas. Seu sorriso encantador, seu corpo másculo de
traços delicados e seus olhos sedutores derreteram o bloco de gelo que era o
coração de Carmem naquela noite. Precisou apenas de cinco minutos para levá-la
para a cama e durante os cinquenta seguintes a apresentou às mais diversas
perversões, muitas das quais foram ouvidas pelos poucos vizinhos ainda no
prédio. As marcas na pele de Carmem durariam semanas, mas a festa acabou logo
antes da uma.
E então veio a segunda, e trajava a mais horrenda das
combinações de camiseta e saia. Seu semblante era fechado e dolorosamente consternado,
perfeito nas suas falhas, e muito triste. Mais uma vez afogou suas mágoas na
bebida, o vinho que já estava ali e se encararam silenciosamente, uma batalha
de caretas que terminaria em um desânimo tão profundo quanto amedrontador. Por
vezes seus olhos escapavam para as facas da cozinha, a janela da sacada e os
remédios para dormir. Quando as duas horas finalmente soaram no relógio,
sentiu0se aliviada.
Veio então uma súbita alegria, e de repente não estava só.
Uma doce garotinha havia entrado e contava histórias sobre suas adolescências,
os namoradinhos, um cachorro falante e uma viagem louca pelo interior de São
Paulo, no qual encontraram a fonte da juventude, motivo pelo qual seriam jovens
pra sempre! Viu-se dançando, valsando, cantando e pulando e então a cama foi
bagunçada ainda mais e parecia que poderia se entregar às suas maiores vontades.
Rasgou alguns contratos, escreveu cartas para seus amigos, aqueles que nem
lembrava que tinha e gritou da janela o quanto achava gostoso ser enrabada pelo
chefe e então... então passou. E se viu olhando para o céu noturno.
E a via-láctea pareceu brilhar mais às três da manhã.
Cometas viajaram pelos céus enquanto o futuro se abria ao seu redor. Estava em
uma sala de reuniões, mas não era ela mesma quem falava, era o garoto que havia
entrado na empresa há menos de um ano e que agora era o líder do departamento.
Concordava com tudo, mesmo odiando saber que ele estava sendo um idiota e que
nada daquilo renderia bons frutos simplesmente porque não era original. Carmem
seria muito melhor... se tivesse feito mais do que deixar-se ser levada por
suas manias, por suas fraquezas, pelas palavras doces e falsas dos outros. Sem
filhos, marido, rumo, um fóssil, engessada no meio de um monte de gente ainda
mais depressiva.
E então lembrou-se das coisas que queria aos dezoito anos,
quando teve a brilhante ideia de abandonar o que queria fazer de verdade para
conseguir aquele cargo na empresa do tio de um amigo. Levantou-se e foi até o
armário resgatar alguns cadernos de desenho, folheou as páginas, rememorando as
conversas com suas amigas, os contos que fizeram, as histórias que inventaram e
imergiu nos mundos fantasiosos de antes. Sorriu, sinceramente, pela primeira
vez em muito tempo. As lágrimas correram e o coração parou, de repente.
Não sentiu bater, o corpo entrou em torpor, a mente vagueou.
Estava olhando de cima, jogada, largada, abandonada. Em paz. Ninguém mais lhe
dizendo o que ou como fazer, as cobranças indo, e também... também... todas as
oportunidades. E tudo que não viveu? E as viagens? E os passeios por Copacabana,
apenas para encontrar uns rostos conhecidos e saírem para beber no fim de
semana? O vazio trazia o frio. Não estava mais engraçado. Uma mão estendida a
aguardava, e um semblante branco, bonito e gentil lhe dizia que ficaria tudo
bem. Muito cedo, querida, pensou, e então retornou.
A fúria veio montada em um cavalo negro como um bárbaro de
tranças carregando um machado. Gritou e vandalizou os móveis tão bem
trabalhados, riu e destruiu os relatórios que havia escrito e preencheu páginas
e páginas de contratos assinados com as palavras “Mentiroso” e “Vadio” entre
outras coisas bem piores. Gargalhou até cair cansada no meio do quarto, e à sua
volta um mar... um mar de destruição. Como sempre, depois veio a criação. Pegou
as folhas rasgadas e as reuniu. Tirou do fundo da gaveta um conjunto de pincéis
e tinta e por cima de tudo pintou um rosto. Seu rosto. Carmem se projetou com o
mesmo sorriso de dez anos antes. Feliz e alegre. E então pode sorrir desse
jeito novamente.
Feliz Natal, Carmem.
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