sexta-feira, 23 de maio de 2014

23º Desafio - Ari para Ann

Alguém aí ainda lembra do desafio 30? Nunca acabei né? Pois é, que feio... Mas, como nunca é tarde para continuar um bom projeto, resolvi voltar atrás e completar pelo menos o último pedido. Estive tão preso neste e em outros dois projetos que durante muito tempo não escrevi nada. Bem, é hora de acabar. O que a Ari queria é, de certa forma, um grande presente pra Ann também, então estou dedicando este conto às duas. Acabou que ficou muito maior do que imaginava então espero que aguentem o longo texto.
Há duas coisas que desejo fazer com a Ann, senão no aniversário dela, ao menos em um meeting das lolitas (as quais estão também retratadas aqui, como poderão perceber): Um encontro de Eevees, cada um representando um. A mim caberá o Leafeon, quem me representa no conto a seguir. Boa leitura e aproveitem a festa!

Esta belíssima imagem é do deviantart de CreepyFish, que está vendendo várias outras lindas como esta em sua loja.

A Recepção para uma Fada

As festas nesta família geralmente acontecem a cada três, quatro anos, quando algum novo membro surge. Na primeira só haviam quatro, na segunda já eram seis, na terceira oito. Estavam agora esperando pelo caçula, e ninguém sabia o que pensar dele. A primeira a chegar foi a apressada Jolteon, sempre elétrica e atacada. Seu pelo espetado quase furou os balões na entrada, assustando o pobre Leafeon, quem ofereceu sua casa para a festa.
- Jolie, cuidado! Deu muito trabalho pra enchê-los! E senta a bunda nessa cadeira. Seus spikes vão acabar destruindo tudo antes que os outros possam ver!
- Você é muito fresquinho, Leon, tinha que ser mais selvagem que nem os outros do seu tipo.
- E o que você quer dizer com isso?
A porta abriu-se subitamente com a chegada de Glaceon e o clima esfriou vertiginosamente. Seu vestido semi-transparente fez com que os dois enrubescecem.
- Por favor, Glenda, vista uma roupa decente! – reclamou Leafeon, tentando tampar os olhos.
- Oh, meu amiga, não comesce! Não estou dispostar a discutir isso oche.
- Esse falso sotaque é que me mata. – grunhiu Jolteon virando um copo de suco.
- O que disse, querridinha?
- Nada não, só tava pensando que o Leon tinha que colocar uma música mais animada. Tá parecendo festa de criança.
- Eu... – ia responder o pobre anfitrião quando foi interrompido mais uma vez pela porta.
Deslizando para dentro, fluído como água, Vaporeon rapidamente se encostou em Glaceon passando o braço pelo seu ombro e abrindo um sorriso muito malicioso.
- Tá a fim de dar uma esquentadinha no quarto de Leon, gata?
- Ui ui ui, Varen! Tirra suas mãos de mim! Que grurdento! ARGH!
E lá se foi Glaceon pisando fundo, extremamente revoltada com a aproximação do primo.
- Cara, isso foi nojento. – comentou Jolteon que ainda segurava o salgadinho a caminho da boca.
- Vocês são primos! Em primeiro grau! – gritou Leafon completamente escandalizado.
- E daí? Eu sou tranquilo, mano, faço o que dá na telha. Não é, Jolie? – uma piscadinha marota rendeu um salgadinho no meio da testa – Ah, valeu, tava com fome.
- Eu não mereço isso... Da próxima vez me recuso a sediar essa reunião! – Leafeon começou a arrumar novamente os salgadinhos, já que Jolteon os traçava rapidamente.
- Na verdade, pelas regras, é a novata hoje quem vai fazer isso. Só não sei bem como vai ser, alguém sabe como ela é? – perguntou Jolteon.
- Espero que seja gata, muito gata, mais gata que a Glenda. Mas não tanto quanto você Jolie. – mais uma piscadela que gerou uma marca de coxinha no seu rosto – Prefiro pastel, falando nisso.
De repente um bocejo pode ser escutado vindo de trás do sofá. Espeon, com o pelo todo bagunçado,  e ainda com olhos de sono, levanta-se dando uma vasculhada no ambiente.
- Ué, já chegou todo mundo?
- Ester? Você ‘tava aí o tempo todo? Como é que o Leon não te viu antes? – perguntou Jolie lançando um olhar meio atravessado para Leafeon.
- Ah, é que, eu... É...
- Eu dormi aqui ontem, e ia embora de manhã, mas... Eu tinha perdido minha blusa, então eu fui procurar e... Uaaaaaaaah – mais um longo bocejo – Acabei caindo no sono atrás do sofá.
- Perdeu sua... – começou Vaporeon mostrando-se empolgado.
- BLUSA? – completou Jolteon claramente irritada.
- Não é o que você está pensando!!! – adiantou-se Leafeon recuando para fugir dos ataques de Jolteon – Ela pegou chuva! Lembra? Choveu ontem? Daí eu emprestei uma roupa e...
BAF! O tapa só não acertou Leafeon porque uma sombra estava entre eles. Umbreon, quase todo de negro, interrompera a briga surgindo sabe-se lá de onde. Com o vestido preto mais deslumbrante que pode achar no armário de roupas pretas, era uma gótica perfeita.
- Então minha irmã está causando problemas de novo...
- Uaaaaaah... Eu?
- Sim, você, Ester. Acalmem-se, lindezas, minha irmã está com sono demais para conseguir colocar a grande cabeça dela pra funcionar.
- Desde quando você tá aqui, Brienne? Dormiu também com Leafeon? – a voz de Jolteon estava dois tons acima do normal indicando o perigo.
- Cheguei agora mesmo. Ninguém me ouviu entrar? Normal.
- Bom, agora só faltam nossa rainha e a novata... Nham, duas pelo preço de uma!
- CALABOCA, VAREN! – gritaram todas em uníssono.
- Pera... Não tá faltando também a...
A porta praticamente explodiu com a forma que Flareon abriu, entrando como em uma passarela. Linda e poderosa, vestida em um casaco de pelos vermelhos brilhantes e com uma sedosa bata cobrindo-lhe o corpo, desfilou até o meio da sala.
- Olá, pessoal, sentiram minha falta?
- NÃO! – responderam Umbreon e Jolteon.
- Na minha cama, AGORA! – foi o que disse Vaporeon.
- MINHA PORTA! AAARGH! – Leafeon só pode reclamar.
- UAAAAAH! – foi a resposta inteligente de Espeon.
- HUNF! Plebeus! Eu chego aqui, linda e divosa e sou assim recebida? Não me admira que esta festa esteja um uó! Vocês não merecem minha presença!
Os seis primos e irmãos começaram a discutir (bom, na verdade cinco, Espeon puxou uma soneca no sofá) avidamente, o que só piorou com a entrada de Glaceon, rival eterna de Flareon e a única ali a se destacar tanto quanto ela. De repente alguém fez:
- Caham! – veio o pigarro entre os Eevolutions.
Nenhum deles respondeu, todos olhavam uns para os outros mas conheciam bem aquela voz. Flareon decidiu dar uma olhadinha para baixo só para ver os grandes olhos divertidos de Eevee.
- Olá, Flaire. Como vai? – perguntou inocentemente a criaturinha tampinha.
- O-olá, minha querida! Vou bem e você?
- Muito bem, só um pouco triste, já que minhas queridas crianças estão brigando.
- Brigando? Nós? Nunca! – corrigiu Glaceon rapidamente – Só estávamos em um caloroso debate!
Leafeon deu um tapa na própria testa.
- Caloroso? Você, Glenda?
- Aaaaah, bem...
- Não importa. Vocês todos estão aqui reunidos para conhecerem o mais novo membro da família e aqui está ela! Pode entrar, Sylvia!
Os Eevolutions todos prenderam a respiração quando a garotinha de chiquinhas, vestido rosado parecendo um doce e grandes olhos azui apareceu entre eles. Delicado, fez uma mesura para cumprimentar os outros.
- Olá, eu sou Sylvia, muito prazer!
- Tão... Doce... Eu preciso... – Vaporeon tentou se aproximar, mas um puxão o fez cair no chão.
- Te acalma aí, papa-anjo, que ela não é pro teu bico. – bronqueou Jolteon, não alto demais para Eevee ouvir.
- Bem vinda à família, Sylvia, eu sou Leon e...
A garota começou a rir, rir e rir. Leafeon ficou desconcertado e procurou os outros para tentar entender o motivo de tanta graça.
- Você tem um topete engraçado. Desculpe. – Sylveon disse entre as risadas.
- Ah... Tá... – Leafeon se recolheu, envergonhado e alisando os cabelos.
- Oi, somos as gêmeas, Brienne e Ester, tudo bem?
- Noooossa, que olhos grandes ela tem. – comentou Sylveon olhando para Ester muito de perto.
Foi a vez de Glaceon impedir que Umbreon desse um soco na garotinha. Por fim, Flareon se aproximou.
- E não é uma coisinha linda, tão fofinha, vai ficar quase tão bonita quanto eu quando crescer.
- Obrigada, TIA, só espero não ganhar tantas rugas quando chegar na sua idade.
Muitos ataques desordenados e um rugido de Eevee depois, os Eevolutions estavam caídos, exaustos e alegres. Apesar das maldades, Sylveon foi bem recebida entre os primos, percebendo que a garotinha tinha o dom para o caos, com a sutileza e o veneno de uma fada. Leafeon passou entre eles deixando cobertores para que não sentissem frio à noite e sentou-se ao lado de Eevee que tomava seu chocolate quente com calma.
- Ótima festa, Leon, que a próxima seja tão boa quanto!
- Vai ser dada pela Sylvia, né? – perguntou Leafeon preocupado.
- Claro, essa é a regra... Apesar de que... Não sei se ela vai estar preparada para o que vai vir?
- O que você quer dizer com isso, Vivi? – um brilho no olhar de Eevee deixou Leafeon assustado.

- Isso, meu querido... É surpresa!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sem fôlego

Tem dias que amanheço incapaz de conseguir fazer tudo que me programei, acabo indo em outra direção. Eu deveria estar com o almoço no fogo, deveria estar fazendo ligações, mas só consigo agora escrever, é um mal que não sei como combater e que me compeliu a escrever estas palavras, transformar em versos do que poderia ser uma canção. Não tenho a quem dedicar, então dedico a todos os meus mais próximos, vocês, que sabem de quem estou falando, e espero que apreciem o que escrevi. É uma poesia, de fato, mas não sei dizer qual seu destino. Ela ficará aqui até que eu queira voltar.

Lamento muito não estar com você

O mundo se distorce ao meu redor
Ancorado em um harpão no meu peito
Que me causa um desespero intenso
Uma sensação de terror imenso
Preciso correr, preciso gritar
Mas na solidão da minha casa
Ninguém pode me escutar
Talvez eu escolhi errado
Em não estar ao teu lado
Talvez eu tenha me precipitado
Eu devo estar muito enganado
Sufoco em minha indecisão
Afundando mais e mais
Na escuridão
Desculpe por te irritar
Com minhas inúmeras lágrimas
Não queria mesmo incomodar
Mas antes de ir embora
Pronto pra me despedir
Quero dizer que só você
Pode me fazer sorrir
Obrigado por existir

PS: Obrigado Luize, porque me indicar a ter títulos grandes. Eles realmente ajudam muito.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Como uma folha no vento

Engraçado o título dessa postagem, vem de outro personagem que eu curto muito e de repente fiz uma ligação bizarra entre ele e a imagem que me fez escrever esse conto. Bom, de qualquer forma, isso não importa, quero que vocês mesmos tenham uma impressão nova sobre o texto. Hei, é o primeiro depois de meses! Estou devendo ainda uns textos do desafio (mais precisamente três) que trarei logo pra fechar minha conta. E também retornarei a projetos antigos e verei no que dá.
De resto, agora casado e na minha própria casa (apartamento, na verdade), estarei pronto pra me dedicar um pouco mais, de cada vez, ao blog.
Aproveitem o conto!

Almas Prometidas

Encostou-se na parede, segurando a barriga para não deixar o sangue escorrer mais depressa. Não tinha muito tempo pelo jeito, então o negócio era conversar para se distrair. Ela chorava, chorava de soltar berros de dor.
- Ei... Cala a boca...
- Por que... Por que você fez isso?
- Nem eu sei bem... Acho que foi instinto, algo dentro de mim disse para fazer. Nem pensei muito.
Ali perto, próximo de cair do penhasco, o corpo do assassino finalmente ficou frio, a nesga de vida se esvaindo para o limbo de onde voltaria algum dia. Sua espada escorregou para o vazio, o nada em que ele iria jogá-la. Ainda bem que não conseguiu, mas não sabia por que pensava isso, a conhecera há tão pouco tempo.
- Como é mesmo seu... Ah, esqueça... Não preciso saber...
- Diga, se for te ajudar, diga.
- Seu nome, qual é mesmo?
-Zee. É assim que meus amigos me chamam.
- Zi. Diferente...
- É Zee, com dois e’s. Eu não gosto muito do meu nome, era de uma antiga rainha, só que as histórias sobre ela são cheias de tragédia.
Ele olhou de relance para seu inimigo morto, pensando quão irônica ela podia estar sendo. Seu coração começou a bater mais devagar, muito mais fraco, então logo chegaria sua vez. Ao menos ela estava inteira, poderia fazer sua parte, talvez transformar aquele mundo negro em algo bom, trazer de volta os sorrisos dos aldeões, dos povos da floresta, da montanha e do mar... Por que pensava nisso? Nunca fora tão altruísta.
- Eu realmente queria ter viajado mais, conhecido outras pessoas...
- Você vai, vamos sair daqui, eu vou lhe recompensar e então você poderá ter sua própria fazenda! Talvez comprar outra égua como aquela... Sinto muito, não tive a intenção.
- Tudo bem, era só uma égua velha. Nós tivemos nossos momentos, mas ela não andava bem da cabeça. Sua fixação por cenouras quase me faliu.
- Você é engraçado. Quero te conhecer melhor.
- Garota... Não vai dar... Ele me cortou ao meio com a espada, eu...
- Por favor não! Não quero que meu salvador vá embora assim.
Que menina egoísta, como se ele tivesse ao que se agarrar. Órfão, pobre, apenas algumas heranças como o chapéu idiota que o protegia do frio, a flauta esquisita e a égua que nunca o levava para onde queria. Agora estava tudo perdido, o chapéu caíra no abismo, a flauta fora quebrada e a égua... Pensou nos últimos momentos ao lado dela e seu coração falhou em uma batida ou duas. Não conseguia mais respirar.
- Zee... Vem cá.
Ela se aproximou, agarrando sua mão. Chorava de soluçar, os olhos completamente marejados. Incrível como mesmo assim era a garota mais bonita que já vira.
- Hei ei ei. Tudo bem, estou aqui ainda. Fique do meu lado.
- Vou ficar,pode acreditar!
- Também... Também quero te conhecer melhor... Talvez, algum dia.
- Vocêpromete?
- Eu... Eu prometo, juro!
Ela sorriu, a primeira vez que ele viu aquele sorriso, e foi com essa visão que ele se foi. Sua alma abandonou seu corpo logo antes do resgate chegar. Eles tiraram ela de lá arrastada, aos gritos.
...
O homem entrou no palácio acompanhado do filho que tropeçava nos próprios calcanhares. Era o grande dia, o nascimento da herdeira do trono. Há anos que esperavam por ela, por aquela que carregaria o legado da família real. Seus pais pareciam felizes, a primeira menina em trezentos anos. Todos foram trazidos para festejar.
Debaixo da sacada, metade do reino esperava ansioso pelo aparecimento do rei carregando a bebê nos braços e ovacionaram quando as cortinas se abriram. Ainda com o manto de dormir, o soberano trouxe a menina enrolada nos cobertores arroxeados. O fazendeiro ergueu o garoto nos ombros para que conseguisse olhar para ela.
- Vê, Link? Essa será sua rainha!
E com os olhos vidrados, completamente hipnotizado pela criança que mal conseguia ver, o menino sorriu com tudo, algo vindo de dentro do seu espírito.

- Sim, pai. E eu lutarei por ela. É uma promessa!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

22º Desafio - Luiz Augusto

O Luiz ainda não havia lido meus desafios anteriores quando sugeriu este que trago agora, mas teria combinado bem com um conto recente. Falar de mais uma "polêmica" sempre é interessante. Com isso eu tenho dois textos de discussão. Quero ver se alguém se empolga em debater comigo o assunto!

Quanto preconceito!

Sabe quando seus colegas de trabalho lhe convidam para ir no bar no happy hour de sexta e você diz que não porque vai encontrar a galera da sua guilda e terminar aquela maldita raid? Eles lhe olham torto, meio desconfiados e depois riem? Se sim, você não é uma exceção, apesar de hoje videogames serem pop, e pop com P maiúsculo.
Seus amigos jogam League of Legends, mesmo aqueles que NUNCA haviam nem terminado uma partida de Freecell (você sabe, o jogo do demônio que vem com o Windows). Seu patrão deve conhecer FIFA, mesmo que seja “naquela versão que dá pra jogar com o Vasco”, e aliás até diz que ganha fácil de você. Sua namorada passa horas na página do Facebook não curtindo fotos dazamigas, mas no maldito City Ville, Criminal Case ou aquele da Marvel. Os games estão muito mais frequentes do que há dez, quinze anos. E daí?
Daí que isso não afasta o preconceito, na verdade cria duas novas formas dele. Em uma, os chamados “gamers de verdade” torcem o nariz para qualquer forma de entretenimento que não custe dedos e unhas ou horas diante de uma tela de 32”. Em outra, os “casuais” ficam constrangidos em serem amigos de “hardcores”, o tipo que prefere passar o final de semana fechando pela segunda vez um RPG famoso a ir à praia. E ainda há o clássico preconceito dos pais e outros “adultos” sobre qualquer coisa que seus filhos achem divertido.
Games são violentos, RPG é coisa do demônio e jogos de carta levam ao vício, motivo pelo qual “meu filho nunca tocará em uma dessas coisas”. Não é porquê estamos no século XXI, a internet facilita o conhecimento sobre praticamente tudo e o pensamento é mais “livre” que esse tipo de ideia parece ultrapassada. Pelo contrário, parece que a facilidade de todo mundo dizer o que acha tornou mais simples para os ditos responsáveis acharem uma forma de “argumentarem” sobre os males de se jogar alguma coisa.
Até agora já dei vários exemplos, mas não custa dar mais um bem específico: Trabalho em uma loja de card-games e sou bem aberto para discutir as qualidades e defeitos do meu produto, até mesmo para educação e desenvolvimento social. Justo. Ainda assim, alguns pais preferem não conhecer melhor o que seus filhos querem jogar e os proíbem de vir aqui ou, sabendo que isso só faria pior para eles, tiram os seus “brinquedos”. Não preciso ser mais claro: Não é algo que funcione bem, certo?
Há um ambiente ruim nos games? Possível, realmente alguns lugares não são propícios para crianças, adolescentes e até alguns adultos permanecerem, mas maturidade é algo que se desenvolve primeiro em casa e depois fora dela. Se a pessoa já é desestabilizada não haverá lugar seguro para ela. E ponto, não é um jogo de cartas, de computador ou até mesmo uma amarelinha que vá prejudicá-lo mais. Qualquer coisa seria um gatilho.

Mas claro, sempre culparão o elo “mais fraco”, os games, por qualquer coisa do tipo. Pena, se tem algo que posso dizer é: Obrigado Final Fantasy VIII por meu inglês, obrigado Magic: The Gathering por meu raciocínio lógico (e também vários outros jogos de mesa) e principalmente obrigado Vampiro: A Máscara pela minha capacidade de improvisar e interpretar personagens.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

21º Desafio - Bruno Benetti

Tudo bem, eu sei, estou BEM atrasado, mas alguém ainda está contando pra ver se estou em dia? Ok, vocês estão, mas, poderiam, talvez, serem piedosos comigo? Prometo que vou compensá-los! O desafio do dia foi proposto pelo meu colega de jogos de carta Bruno Benetti que achou que seria divertido ver... Bem, uma certa ficção em um conto que misturasse um de nossos hobbies com o "mundo real". Vejam e divirtam-se!

Um belíssimo pássaro que trará a esperança, nesta arte do DA.
O Mestre

O garoto corre para o beco, olhando em volta para garantir que não estava sendo seguido. Uma porta escondida abre-se quando ele bate três vezes na parede, levando a uma sala mal iluminada por uma lâmpada vermelha. Outro rapaz o esperava ali, encostado perto da passagem que leva ao subterrâneo.
- E então? Tranquilo?
- Sim, ninguém me viu e minha mãe tá de butuca pra impedir que eles venham atrás da gente.
- Tua mãe topou mesmo a parada?
- Ela não é dessas, cara, ela sabe o valor dos bichinhos.
- Beleza, bora então, parece que tá todo mundo lá embaixo.
A medida que desciam o som ficava cada vez mais alto. No subsolo, quase meia centena de adolescentes como eles conversavam, trocavam ideias, e até mesmo exibiam seus monstros. Em um canto com sofás, o líder debatia com seus companheiros. Assim que viu a dupla o homem, um pouco mais velho que os outros, levantou-se e foi até eles.
- Noah, é ótimo vê-lo por aqui.
- Moses. Obrigado pelo convite, a Arena está pronta?
- Perfeitamente. Trouxe o time todo?
- Só três. Não estou treinando mais nenhum. Não depois...
- Tudo bem, não falemos nisso. Também usarei três então. Se ganhar, eu te passo a medalha, mas se perder...
- Já sei, eu me junto à vocês e vamos seguir sua ideia idiota de lutar contra o governo.
- Idiota ou ousada? Se nos unirmos, poderemos acabar com a opressão e libertar nosso povo. Olhe em volta, somos muitos!
Noah realmente olhou e poderia concordar, mas sabia que o governo era bem maior, não só por aqueles que mandam, também aqueles que obedecem, seja por medo, seja por dinheiro. Suspirou, seria uma batalha dura e esperava ganhar. Conhecia a fama de Moses e esperava que ela fosse exagerada. Seria uma derrota dura demais para aguentar.
- Bem, quando estiver pronto.
E fez um sinal para que as pessoas se afastassem, liberando o espaço para eles duelarem. Com estilo se posicionou no canto oposto, o Azul do defensor do título. Noah foi até o canto vermelho, do desafiante, e olhou para o controle de teleporte. Era seu terceiro console desde que fora descoberto no verão anterior, sempre com a sensação que seria novamente hackeado pelos técnicos do governo. A dor de perder alguns parceiros era sempre rápida, e passava quando chegava em casa e os encontrava ainda lá.
Apertou o botão convocando o primeiro deles. Uma tartaruga gigante, com canhões saindo de dentro dos cascos e o tamanho de uma caminhote surgiu na parte vermelha da Arena. Do outro lado Moses chamou uma enorme cascavel roxa com presas que poderiam furar a lataria de um tanque.
- Blastoise? Uma escolha interessante, Noah. Mas não se preocupe, Fear vai dar uma lição nele.
Por um minuto Noah pensou em rir. A cada instante, cada movimento, as memórias de treinador voltavam e teve certeza de que não perderia. Conhecia o monstro do seu oponente, já enfrentara outros antes. Moses era bom, mas ele com certeza era melhor.
- Treinadores, podem começar! – gritou o juiz.
- Tempest, Jato de Água!
- Fear, cave por baixo dele e o ataque pelas costas!
Os dois monstros obedeceram ao mesmo tempo, água pressurizada rachando a parede logo atrás de onde antes estava a cobra. Para Moses era uma batalha garantida, mas ao ver Noah dar um sorrisinho sua confiança se abalou.
- Tempest, Terremoto.
A arena e até o prédio tremeu com a batida da pata da grande tartaruga no chão. Pode-se apenas ouvir o chiado da cobra que conseguiu se espremer para fora do buraco completamente destruída. Se não fosse seu corpo maleável poderia estar morta agora.
- Por essa não esperava. Tudo bem. Teleporte para fora, Fear. Teleporte para dentro, Pain.
Com essas palavras o Arbok foi retirado da arena e surgiu em seu lugar um inseto de carapaça amarronzada com duas enormes pinças espinhosas em cima da cabeça. Sua mandíbula abria e fechava em um som medonho e seus olhos brancos davam a impressão de que conseguiam ver tudo.
- Um Pinsir? Uau, esse realmente...
- Pain, estrangule o Blastoise, agora.
Mal teve tempo de reagir, o monstro já pulava no pescoço da tartaruga quando Noah gritou:
- Defesa de Ferro, Tempest!
O Blastoise parou, permanecendo firme, enquanto as pinças se fechavam ao seu redor, mas elas não conseguiram produzir nenhum efeito ao se apertarem. Parecia que ele havia virado rocha.
- Tempest, Jato de Água na fuça desse Pinsir. Sem dó.
O inseto foi jogado contra a parede a tal velocidade que quase a perfurou. Moses trincou os dentes de raiva, incapaz de achar uma boa expressão pros seus pensamentos malignos. Estava sendo humilhado e detestava isso.
- Muito rápido esse seu monstrinho... Parece que você andou dando alguns buffs nele...
- Apenas treinei e cuidei dele o máximo possível.
- Tudo bem... Então eu vou lhe recompensar colocando em campo alguém que preparei especialmente para você... Plague, teleporte para a arena.
Noah não teve tempo de pensar. De repente uma sombra negra surgiu na arena e golpeou Tempest com uma energia densa, parecida com uma nuvem tóxica. A tartaruga estendeu as garras para o garoto, como que pedindo ajuda e eles só pode apertar o botão de teleporte. Seus olhos estavam arregalados, seus maiores temores tomando conta de sua mente.
- Nã-não... Não pode ser!
- Sim, eu trouxe um amigo que achei que você gostaria de encontrar. E então, ninguém mais para enfrentar meu Plague?
Ele encarava o Gengar, apenas um amontoado de matéria escura que tinha uma expressão como um sorriso maligno. Duas luzes vermelhas, seus olhos, estavam olhando de volta e pareciam entrar no seu corpo lhe causando uma intensa tremedeira. Teve medo, muito medo, de chamar seu próximo monstro e acontecer tudo de novo. Lembrou-se do seu amiguinho caído, da dor de vê-lo se contorcendo com o pesadelo e então tudo parou. Uma cova, muitas lágrimas e o enclausuramento auto inflingido. Isso o paralisou.
- Bem, vou considerar então sua desis...
- Hope, é agora.
O botão pressionado fez surgir uma intensa luz no meio da arena, teleportando o seu monstro favorito. Uma ave esquisita, de corpo branco, e com manchas azuis, pairava brilhante, sua própria presença afastando o fantasma.
- O... O que é isso?
- Um Lugia. O Lugia. Hope. Choque Psíquico.
Havia frieza na voz de Noah, mas o pássaro lendário o obedeceu, lançando uma onda de energia mental tão forte, visível apenas como o grito dele, que fez desaparecer o fantasma instantaneamente.
- Vitória do canto vermelho, Noah!
Moses caiu de joelhos mas seu oponente não comemorava. Na verdade ele estava de pé, observando os movimentos do seu monstro, que, agora que tinha completado sua missão, também o olhava. O pássaro voou para perto dele e o envolveu, sumindo em uma explosão de luz branca.

- Obrigado... Amigo.