sábado, 8 de fevereiro de 2014

20º Desafio - By myself

Como eu não tive mais sugestões (e uma ainda está no forno), acabei fazendo hoje um desafio para mim mesmo com uma ideia que tive repentinamente arrumando as caixas de livro pra mudança. Algo meio perturbador que realmente mexeu comigo um pouco. Por que será? De qualquer forma, eu acho que vocês podem se identificar com a historinha. É curta, verdade, mas tinha que ser assim. Enjoy it!

Um ambiente macabro criado por MSHFAR.
A Sala Escura

Primeira hora.
Nada demais, apenas alguns sons estranhos vindos dos cantos e a constante impressão de estar sendo observado, o de sempre. Sei por experiência própria que nada deveria mudar nesse curto espaço de tempo. As badaladas me avisaram de que uma hora havia passado, se não eu nem perceberia. É a partir de agora que as coisas vão ficar ruins de verdade.
Segunda hora.
Ele está ali, eu sei, esperando que eu me distraia, que eu durma. Não vou lhe dar esse gostinho, estou bem armado, alimentado e descansado. Só com muita sorte ele poderia me pegar desprevenido. É claro, usa truques para isso. Eu tenho certeza de que ninguém bateu na porta umas vinte vezes. Um de seus joguinhos mentais mais perversos.
Terceira hora.
Agora há mais uma pessoa comigo na sala, Bob. É um cara legal, mas com certeza não estava preparado para isso. A experiência está sendo chocante para ele, que agora treme de medo de tudo e também parece não conseguir controlar suas vontades. Devorou sua barrinha de cereal em minutos, bebeu a garrafa d’água e espero que tenha sido isso que vazou pro chão.
Quarta hora.
Bob está irritante, tentando o tempo todo devorar as MINHAS provisões e me acusando de coisas que não fiz. Ou melhor, que ELE fez. Foi ele quem abriu a porta e deixou que a criatura entrasse. E foi ele quem deu dois tiros e errou, fazendo com que a criatura se misturasse às sombras. Agora nunca saberemos para onde ela foi.
Quinta hora.
Matei Bob, aquele maldito. Quem mandou chegar perto da MINHA espingarda? E tentar ainda usar lógica contra mim para provar que eu que estou errado. Ora bolas, eu sou expert nesse game, Bob! Eu te odeio, seu gordo filho da...
- Jimmy, desliga esse videogame que já tá na hora de dormir!
- Mas mãe! Eu ainda não consegui acabar!
- Obedece, menino, ou vou aí e te dou uns tabefes!
- Droga, velha...

Jimmy levanta, vai até o videogame e toca no botão de desligar. Antes da tela ficar preta ele olha para o cadáver de Bob que acabar de saquear, levando seus itens. Em outro lugar do mundo algum garoto ou garota deveria estar roendo as unhas de raiva. Bom, problema dele, que não sabe jogar direito!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

19º Desafio - Jorge Fernando Botticelli

O meu irmão finalmente cedeu e me deu uma sugestão de texto, fechando os três de hoje. E é por isso que trago até vocês a resposta ao desafio de falar de Cosplays, tratando de um tema bem polêmico: competição contra diversão. Espero que vocês possam entender minha posição e se gostem do texto!

Cosplay: Diversão X Competição

Desde meus tempos remotos de evento eu convivo com cosplay. Se não fazendo, assistindo competições, tendo amizade com cosplayers e até mesmo julgando (em uma situação que me deixou muito preocupado, mas me divertiu). Nesse tempo, e lá se vão nove, quase dez anos, já tive oportunidade de ver diversos tipos de cosplayers: do introvertido que se esconde nos cantos ao exibicionista, o campeão de competições e o empolgado.
De fato, grande parte do público de evento já pensou ou já tentou um cosplay antes. E muitos deles pensam nisso para demonstrar aos outros como é legal o personagem que gosta, pular de um lado pro outro fazendo poses e falando como ele e até, quem sabe, participar de um concurso. Mas isso não acontece, não é bem assim MESMO. O que vemos são duas situações: Em uma o cosplayer acaba ficando quieto esperando no seu canto pra que alguém peça uma foto e em outra ele participa de tudo, entrando em uma guerra pra pegar um troféu, uma medalha ou um vale-Mupy.
A questão é: Parece que não dá pra se misturar a brincadeira de se vestir e agir como o personagem e a empolgação de vencer um Estilo Livre ou Tradicional. É proibido, é feio, as pessoas não gostam. E é bem o contrário. Por isso que em muitos dos eventos que vou parecem esvaziar algumas categorias dos concursos. É o medo de ser criticado ou simplesmente preguiça de pensar em alguma cena que possa representar.
E assim temos eventos que simplesmente NÃO podem privilegiar o cosplay, nem pela falta de iniciativa do evento, mas pela não-vontade do cosplayer. E digamos que isso sejam aqueles eventos em que não há grandes premiações envolvidas, quando os “profissionais” aparecem. Entendam, tenho vários amigos cosplayers, e muitos deles são ótimos no que fazem, adoro vê-los “fantasiados”, ou seja, a caráter e representando seus personagens. Mas nem por isso eu os apoiaria se seu foco você vencer, vencer, vencer.
Não que ter uma direção seja ruim ao cosplay, nem por isso, só digamos que, quando tudo se torna uma competição, não parece haver espaço pra diversão. E aí, como ficam as brincadeiras, as apresentações livres que todos riem, que iluminam uma sessão de tortura após vários angst de personagens emo? Ok, posso estar generalizando, e estou, mas a questão aqui é refletir: Vale a pena sacrificar algo que deveria trazer alegria em prol de um maldito troféu, prêmio em dinheiro, viagem pro... Esqueçam, pensemos nos eventos pequenos!
E daí vem aquele ponto: E quem faz qualquer coisa, ás vezes até de sacanagem, um toscosplay ou um cospobre? Bom, tudo é válido, desde que não seja ofensivo aos outros, não concordam? E isso dá espaço pra muita coisa, certo? Fazer aquele cosplay do personagem que curte, mas que não é muito conhecido, zoar de armadura de papelão, até criar categorias inusitadas na competição! E nisso surgem as melhores ideias, as versões mais legais de alguns personagens... Ou pelo menos uma quantidade absurda de risadas.

No fim, a discussão poderia ser quase infinita, cada cosplayer tem sua posição. Fica apenas a minha sugestão: Quer fazer cosplay? Faça, se divirta. Se ficar bom ou ficar ruim, você saberá, isso não vai te impedir de fazer de novo. Só tenha na cabeça que é pra se divertir. Esse deveria ser o foco. E seja feliz.

18º Desafio - Rodrigo "O Bardo"

E ESTE foi o texto que escrevi ontem, mas não saiu a tempo. Bom, desafio respondido, senhor Bardo! Espero que curta a narrativa que desenvolvi para completar sua ideia. Sinceramente? Adoro trabalhar com personagens assim, seguros de si mesmos. E é isso aí, desafio aceito!

Falha de Julgamento

A mulher arrastou-se pela neve, tremendo de frio, próxima da morte. A ferida nos quadris quase impossibilitava o movimento. Havia um bocado de sangue encharcando as roupas. Dificilmente poderia se esconder de predadores. Avistou ao longe o mosteiro, as portas abertas para necessitados e pensou que poderia ficar ali por um tempo. Monges dificilmente a julgariam e fariam mal. Perfeito.
Apesar das dores ela conseguiu chegar até as portas e entrou em uma sala iluminada e aquecida por uma lareira. Três homens correram para ajudá-la, levando-a para a enfermaria. Trataram seus ferimentos, deram uma espécie de soro de ervas que nem quis saber e a colocaram em uma cama coberta da cabeça aos pés.
Percebeu que eles a olhavam, principalmente quando encontraram a faca, e seu instinto lhe disse que suas previsões haviam sido incorretas. Poderia ser que eles a deixassem morrer por conta de sua profissão. Analisou o ambiente procurando rotas de fuga. Talvez, com sorte, podria encontrar mantimentos suficientes para escapar nessas condições e sobreviver algum tempo naquele clima ártico. Escolheria melhor a próxima missão.
Quando enfim ficou sozinha buscou pela arma e os equipamentos,mas não os achou em lugar algum. Estava pensando em ir mesmo sem eles quando a porta abriu lentamente. Jogou-se para dentro dos cobertores mais uma vez e ficou esperando. Um único monge, o mais velho, percebeu, entrou carregando uma bandeja com um prato e um copo de suco, que colocou ao lado dela.
- Olá, espero que esteja melhor. Os nossos chás são muito bons para curar machucados.
- Obrigada, meu senhor. Mas não quero atrapalhar, partirei logo. Estava em jornada para uma vila não muito longe daqui. – mentiu, preparando um motivo para ir embora.
- Honestia, imagino. – e sorriu quando ela concordou – É um lugar bonito, o povo é bem educado e as pessoas tendem a se entender bem.
- Parece realmente bom. Foi recomendada por um amigo... – ela pensou em parar ali, qualquer mentira a seguir poderia estragar tudo.
- Agora coma, a sopa vai lhe recuperar as forças.
Realmente, o caldo fumegante exalava um cheiro maravilhoso, despertando um apetite desconhecido. Em outras ocasiões teria ficado preocupada, mas naquele lugar estaria tranquila. Pegou o prato e tomou um boa colherada de uma sopa muito gostosa.
- Diga-me, criança, o que mais você veio fazer nestes lados? Essa faca me parece muito perigosa, por exemplo.
Ele dizia isso segurando a lâmina de um jeito estranho, que despertou os sentidos dela. Precisava ficar atenta, não poderia se deixar ser enganada por qualquer um.
- Eu estava usando para me proteger dos animais que surgissem. Detesto pistolas, apesar de terem me recomendado, e ainda poderia usar para cortar algumas coisas. – eram apenas meia-verdades, então não estava fazendo tão errado.
- Entendo. Realmente é uma bela faca. Bem, espero que ela lhe seja útil.
- Sempre foi e sempre será.
- A sopa está gostosa?
- Muito! É fantástica... De que é?
- Uma mistura ótima de ervas finas, um pouco de creme, cenouras, batata e arsênico.
Achou que não tinha ouvido bem a última palavra, ela tinha soado muito errada.
- Perdão, eu ouvi arsênico, mas você quis dizer...
- Isso mesmo que ouviu. Claro, você não notaria nunca com a combinação que fiz, que tira o gosto ruim e deixa apenas o efeito. Neste momento seu corpo já deve estar perdendo o controle enquanto o veneno age.
Era verdade, ela tentou chegar até a faca, mas sua mão caiu no meio do caminho, fraca e mole. Sua boca secara, e tinha certeza de que estava morrendo. Uma dor escruciante cortou seu corpo ao meio.
- Mas... O quê...?
- Eu achei que nunca te encontraria, mas você cometeu uma falha grave e foi avistada quando correu da mansão do pobre Rochefeller. Sorte que sobreviveu à armadilha deles, senão eu não teria a oportunidade de capturar seu cadáver. Não se preocupe, não deixarei que ninguém tire um troféu seu.
Quase não ouvia mais nada, o que o falso monge percebeu, pois parou de falar. Ele sorria de um jeito diabólico e só então ela notou que ele era bem diferente dos outros. Tinha a pele em um tom mais ocre, seus braços eram um pouco musculosos e seu olhar nada sereno. Como se deixou errar tanto? Treinamento idiota.

- Ah sim, antes de morrer, um alento... Não existe Honestia. Mas você adoraria morar lá. Morra bem, criança.

17º Desafio - Bruna Cristina

Uau, esse foi intenso. A Bruna, depois de muito, muito me enrolar mesmo, finalmente me desafiou a fazer um conto usando como fundo a música Behind Blue Eyes do The Who. Digamos que eu acho que consegui entrar no feeling da coisa e saiu um conto bem tenso que eu adorei escrever. Era pra ter saído ontem, mas exatamente o sentimento que me fez atrasar pra hoje é que tornou o conto tão legal. Eu ainda devo dois textos a vocês. Não se preocupem, voltem em meia hora, no máximo. Coloquei a música junto para que vocês possam sentir o que quero dizer.


Anger - Raiva

As janelas fechadas. As portas trancadas. A luz apagada. Apenas uma vela iluminando fracamente a parede forrada de fotos. Todas manchadas com cola, umas poucas riscadas nos rostos alheios. Apenas o dela intacto.

No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes

Chora, o corpo tremendo de dor e medo. Medo da morte. Medo da vida. Uma faca ao lado, suja de um líquido vermelho espesso. Provavelmente ainda quente. Os gritos do lado de fora, chamando, perguntando o quê, o por quê. Na cabeça milhares de pensamentos.

And no one knows what it's like
To be hated
To be fated
To telling only lies

Memórias de quando se conheceram, flashbacks de cada encontro, da troca de sorrisos, da promessa de amizade e amor. Tudo se desvanecendo, sobrando apenas lembranças sutis de momentos juntos. Os gritos ficam mais altos, as mentiras vão caindo uma a uma.

But my dreams, they aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free

Cada uma das histórias contadas, as verdadeiras e as falsas, se tornam lágrimas em seus olhos. Os sonhos de dias felizes desmoronam diante da intrincada rede de bobagens ditas. Se há algum remorso, se mistura com a ira e o rancor. Ela não poderia ter feito o que fez.
Pega a faca, pronto para fazer o que se prometeu fazer. Passou dias pensando nisso, arquitetando uma forma de se livrar de uma vez do sentimento que apertou seu coração até espremer toda a felicidade. A vingança que o libertará de um amor cruel.

No one knows what it's like
To feel these feelings
Like I do
And I blame you

Ela fora a pior de todas, causadora de um mal tão profundo que ele não tinha palavras. O líquido pinga da faca, marcando o chão e secando em seguida. As pessoas do lado de fora tentam arrombar a porta, alguns gritam: “Não faça isso! Não!”

No one knows how to say
That they're sorry
And don't worry
I am not telling lies

Ignore-os, diz a si mesmo, eles não sabem de nada. Mas sabiam de tudo, ninguém o avisou, ninguém disse o que aconteceria. Só se importavam consigo mesmos. Agora pedem desculpas, tentam consolar, fingir que está tudo bem. Nada está bem.

No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes


Desfere o primeiro golpe, sujando de vermelho as fotos. E outro, e outro. Fica mais fácil a cada facada. A parede vai se colorindo a medida que as fotos são destruídas. Nenhuma do rosto dela fica intacta. Ele levanta, abre a porta, não há ninguém, apenas fantasmas. Vai embora.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

16º Desafio - Charlie, Lilo e Elvis

O desafio de hoje (que deveria ter saído ontem) é algo bem inusitado. Charlie, usando a Ann como porta-voz, pediu que eu transmitisse seus pensamentos mais íntimos pro meu blog e é isso que fiz! Mas, para não ser injusto, trouxe também os da Lilo (difíceis de captar debaixo de tantos olhares DUMAU!) e das ideias caóticas do Elvis, que deve ser um servo de Nimb. Francamente, ficou uma doidera só. Espero que gostem!

Charlie Gouda

Fome? Fomeeeeee.
Mas por que fome?
Fome de carinho. Talvez.
Fome de atenção.
Ah! Monstro, monstro!
Lambe, lambe, lambe.
Ei, humano! Como vai?
Me dá! É meu!
Aaaaaaah, fome!
Fome? Fomeeeeee.

Miau.

Lilo Garra do Mal

Tédio, mórbido tédio.
Eu sentada a esperar.
Tenho certeza que uma hora passa.
Isso, massageie minhas costas.
E meu ego.
Obedeça humano.
E tire esta criatura infernal daqui!
Hora de divar...
Caminho, vocês me ouvem
Me louvem
Me queiram
Vou passear.
MIAU!

Elvis Pretzel

MORDEEEEER.
Morde, pega, corre.
Quéisso, quiéaquilo?
Oba, pés! E meias!
E pés com meias!!!
E canelas, amo canelas!
Hora de lanchar
Latir latir sem parar
Ei, por que fechou a porta?
Mais latido pra você!
Adoro isso!

E quem quiser ver a fuça dessas fofuras, tem imagens no instagram da Ann!