terça-feira, 28 de janeiro de 2014

8º Desafio - Pedro Rockenbach

Juro de pés juntos que tentei lançar esse texto ANTES da meia noite, foi realmente difícil e... Não deu. Mas aqui está. Respondendo ao desafio do Pedro Rockenbach aqui está um texto sobre... Bom, é melhor que vocês mesmos leiam. Só posso dizer que foi divertido voltar a uma ideia antiga, de um dos meus textos favoritos. Dessa vez, o Velho e a Caixa tem uma nova ambientação, um novo significado. Espero que gostem.

O Velho e a Caixa

Encontrei o Velho por acaso. Ele estava sentado na praça, com a caixa na mão, observando os passantes. Abria de vez em quando um sorriso meio bobo e tentava oferecer sua caixa, mas ninguém parava pra conversar. Senti uma certa pena e sentei ao seu lado, crente de que ele me faria amesma oferta, mas me ignorou completamente. Preferiu tentar a sorte com um rapaz de moicano que fez que não o viu. Deu até aquela suspirada de quem poderia fazer alguma coisa, mas se os outros não fazem, então porquê se incomodar?
- Sabe, você poderia falar comigo. – eu disse, esperando que ele me respondesse.
- Ah, não, você não. É muito cedo. – respondeu, mas foi como se estivesse falando com qualquer outra pessoa.
Levantou-se e estendeu a caixa. Dessa vez uma moça parou, olhou para ele, para o objeto de papelão em suas mãos e até mesmo ensaiou abrir, mas afastou-se e foi embora. Outros vieram, de vários tamanhos e cores. Posso até dizer que várias culturas e religiões. Um monge, inclusive, chegou a olhar dentro dela, e saiu correndo, aparentemente assustado. O velho voltou a sentar do meu lado e deu uma risadinha triste. Parecia decepcionado.
- Ás vezes eu penso que eles têm medo de se decepcionar. Em outras imagino que já estejam tão cansados disso que nem querem mais tentar ver no que dá. Eu fico até surpreso que eles ainda me aguentem.
Não entendi nada do que ele disse, e de que adiantaria? Só pude concordar e prestar atenção. Apesar de estar abatido e de parecer um mendigo, seus olhos eram dos mais profundos que já vi, duas esferas azul-escuras como um céu estrelado noturno. Admiráveis, e também bem melancólicos, refletindo uma vida terrível.
- Será que eu não poderia...
- Ver? Talvez, será que você aguentaria? Você é bem jovem, forte, já teve seus momentos de triunfo. É, quem sabe...
- Você não faz muito sentido, sabia?
- E por que deveria? Se eu fosse a resposta para tudo, vocês nada teriam que fazer. Só aproveitar as ondas que vêm e vão, seria bem legal no começo, tranquilo, mas depois de um tempo encheria o saco.
- Você fala como se... – não terminei a frase.
- O quê? Fala!
- Nada não, só pensei uma besteira.
- Besteira é não falar o que pensa. Vocês perdem tempo demais pensando no que dizer em vez de dizer. Por isso que tem tanta gente solteira, tanto casal se separando e tanto viúvo se lamentando. Outro dia mesmo tive que dar um empurrãozinho para um garoto pedir o namorado em casamento. Foi difícil...
- Namorado? Eu pensei que...
- Pensou errado. O espírito não tem sexo, meu filho, só o corpo. E eu não vejo vocês da mesma forma que me vêem. Tá vendo aquela garota linda e gostosa ali? É uma pena que, além de sustentar mais vícios do que seu corpo é capaz de aguentar, ela também seja bem mesquinha.
- Jura? Olhando daqui...
- Aparências enganam, meu filho. Já levei pra longe e pra baixo muito pastor que vivia dizendo que eu era acima de tudo e roubava dos seus, e já deixei ir pro Nirvana muito jovem que se tatuava dos pés à cabeça e é vendedor de seguros.
- Inferno e Nirvana? Isso parece meio contraditório...
- Cada um tem seu paraíso particular. Ou acha que alguém realmente vai ter razão? Até minha forma é algo misterioso, varia de acordo com os SEUS calendários, suas vontades e principalmente com a capacidade de raciocinar da espécie que estou visitando.
- Acho que você está brabo conosco.
- Desculpe, me acostumei a tentar discutir isso com os líderes religiosos que não são capazes de dar o braço a torcer. Por sorte de vez em quando me aparece um Papa mais cabeça aberta ou um médium com algum temperamento menos... Complicado.
- Pelo jeito todos estão certos.
- E errados ao mesmo tempo. É complexo, não funciona tão simples. Quem sabe em mais uns dois mil anos vocês entendem.
- Justo, acho que não posso esperar, mas, se você fala a verdade, pode ser que esteja de volta.
- Se você acreditar nisso...
- Gosto da sua forma de falar. Queria muito que fosse Ele mesmo.
- Agora você está pronto. Fique com a caixa. Meu tempo por aqui acabou e quero que você a guarde até o próximo chegar. Quando eu sair, olhe dentro da caixa.
Ele a largou no meu colo e foi andando. Vi quando virou a esquina e fiquei esperando que voltasse rindo, mas nada aconteceu. Louco ou só brincando, foi uma conversa divertida. Eu agora segurava a caixa como ele minutos antes, então achei que era melhor olhar pra matar a curiosidade. Tudo se iluminou. Foi uma sensação indescritível, mas vou tentar resumir.
Dentro havia o infinito. Cada fragmento de cada mundo possível se refletia nos meus olhos. Pude ver o pensamento de todas as criaturas viventes, e me surpreendi em saber que o universo se espandia segundo a segundo. Ouvi suas vozes, mesmo aquelas que não podia entender, seja pela língua, seja pela falta de percepção da faixa sonora. Respirei odores de milhares de lugares, comidas e pessoas ou coisas. E então localizei um pequeno brilho, praticamente ínfimo, em um planeta longe, bem longe. Aproximei a vista e então lá estava eu, de pé, parado em uma imensidão de sensações, sentimentos.

Levantei, fechei a caixa e fui embora.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

7º Desafio - Eu mesmo

Hoje foi um dia bem cheio, e eu falo isso com convicção. Fiz uma festa hoje com muitos amigos que durou horas e horas. Bem, agora que deu uma relaxada corri para o computador para fazer o sexto desafio, assim trago para vocês o primeiro sem um desafiante. Pois é, acabaram as pessoas, ninguém mais se propôs. Mas ainda estou aceitando! Trouxe hoje apenas um poeminha, feito rapidamente, como em um suspiro.

Um Suspiro

Alívio de uma mente solitária
Quebrada em memórias fragmentadas
Esculpidas em lembranças falsas
De mentiras muito bem contadas
Por homens que não sabem de nada
E mulheres com vozes de taquara rachada
Que contaram fofocas de vidas desperdiçadas
Você sabe de quem são estas histórias
Com covardes personagens principais
Fugidos de batalhas épicas

E da responsabilidade de futuros reais

domingo, 26 de janeiro de 2014

6º Desafio - Mônica Pedrini

É, eu sei, pela hora deveria ser domingo, mas... Eu ainda não dormi, então é sábado e este conto não está atrasado! Yes! Hoje eu trouxe o desafio da Mônica, que me pediu um conto sobre o romance de uma humana com um alien... Bem, vocês verão o que saiu disso aí! Espero que apreciem!

Contatos Imediatos de Quarto Grau e Meio

Todo mundo tem aquele amigo de um amigo que um dia passou por uma situação que é fora de série, inacreditável, o causo que conta em uma festa aleatória. Só que ás vezes, bem ás vezes mesmo, algumas dessas histórias são reais.
É o que venho contar, algo que aconteceu com uma amiga de minha prima. Uma tal Jéssica. Dizer que a garota era esquisita era pouco, apenas seus poucos amigos conseguiam compreender, ou fingir isso, sua paixão pelo que há universo afora. Não falo de um gosto por astronomia, viagens espaciais ou talvez um sonho com ficção científica.
A coisa é um pouco mais complicada, do tipo “Possua-me, alien!”. Pelo menos é o que diziam. Nunca vi, como saber?
Só que Jéssica tinha uma falha agravante em sua busca por ser um dia abduzida: Um medo mórbido de ficar na rua de noite.
Essa situação mudou em uma festa que Jéssica foi, praticamente empurrada por essa minha prima. A festa em si estava uma droga, com música ruim e gente esquisita. Tão esquisita quando a pobre garota, o que quer dizer que ela devia se sentir em casa. Mas não.
Depois de uma hora zanzando, tentando se enturmar, Jéssica sentou no sofá ao lado de um casal se pegando. Um par de olhos violetas atraiu seu olhar do outro lado da sala. Cabelos loiros espetados e uma roupa de nerd. Muito deslocado para uma festa tão estranha.
Jéssia se sentiu sem ar, totalmente envergonhada. A boca secou, as mãos suaram, os olhos vidraram. Tentou levantar, tentou caminhar, tentou não tropeçar no pessoal “dançando”, tentou chegar perto, tentou puxar conversa.
- Ahn, oi?
É, foi um bom começo Jéssica. Muito bem, mas pela história, isso DEU CERTO! Ela conseguiu que o garoto a respondesse, desse trela, a seguisse para a cozinha onde pegou ponche para os dois (está batizado, não é?). O garoto parecia divertido demais e NADA alienígena, o que é bem diferente de tudo que ela já apreciou antes.
- Então... Qual seu hobby, Jess?
- Ah, é, então, sabe?
Foi difícil confidenciar sua paixão, sua vocação.
- Ah, o espaço? Uau! Eu também gosto disso! Demais, cara!
E lá ficaram conversando sobre et’s, espaçonaves, teorias da conspiração, beijos, amassos, pegada em certas partes. Foi uma união muito boa de fluídos corporais, química e talvez uma boa dose de bebida. O ponche estava REALMENTE batizado.
- Eu... Nunca fiz isso antes.
- É, eu sei. Eu sei tudo sobre você Jéssica. Na verdade, eu venho observando você há muito tempo.
Foi nessa hora, sozinha com ele na varanda, que Jéssica notou que estava tudo muito quieto. Pior, estava tudo muito ESCURO. Ela estava no meio da noite a céu aberto. Sua pequena fobia repuxou suas orelhas, fez seu corpo reagir na defensiva e se afastar desse garoto que de repente pareceu mais bizarro do que o “normal”.
- Não entendi bem...
- Ah, não se preocupe, Jess, você está segura. Seus desejos serão todos realizados em breve. É só esperar um sinal.
O papo sem pé nem cabeça fez Jéssica tremer por inteiro e pensar em abrir a porta, que por algum motivo estava bem trancada. Oh-oh, Jéssica, isso não deu muito certo.
- Por favor, tá me assustando!
- Espere só mais um pouco... Ah, está ali!
Um círculo azulado cruzou os céus e parou bem em cima do garoto, começando a sugá-lo e levando Jéssica com ele. A garota até tentou se segurar em uma cadeira, mas acabou levando-a junto.
- Por favor, pára!
- Eu sempre pensei que você quisesse vir com a gente, Jess, o que foi, mudou de ideia?
- Eu só quero ir pra casaaaaaaa!
Bling! Jess, a cadeira e o pobre nerd caíram todos na varanda, bem antes do brilho azul sumir.
- Ué, quê? Ei! Voltem aqui!
Jéssica olhou para ele, para a situação ridícula que estavam e saiu correndo, deixando-o para trás todo aturdido. Depois disso o garoto ficou observando onde ela caiu, respirou fundo e puxou uma espécie de celular interplanetário. Discou um número e aguardou.
- Oi? Mals aê, mas minha carona me deixou, pode vir me buscar? É mãe, eu tava tentando achar uma acompanhante pro baile, mas não deu certo... Ah, não enche, mãe! Vem logo!

E como eu sei disso tudo? Bom, lembra do casal se pegando no sofá? Minha prima. Ela resolveu ir com o cara pro segundo andar e eles acabaram descendo para o telhado. Quando a nave sugou tudo, ela e o cara acabaram caindo na árvore do lado da casa. E minha prima jura de pé junto que depois disso a Jéssica só fala de morar no interior, bem longe de qualquer estação espacial!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

5º Desafio - Aleatório

De todos os desafios propostos até agora, o do Aleatório foi o mais simples e também o mais safado. Escrever uma fábula, aos pés de Esopo, é bem mais difícil do que parece! Mesmo assim, topei a brincadeira e aqui estou, com a história do pobre elefantinho. Espero que vocês aprendam uma boa lição com isso! Quem sabe não ajuda vocês no futuro, como as fábulas me ajudaram na infância! Não sou tão bom contador de histórias infantis, mas... Vejam lá!

Imagem meramente ilustrativa tirada daqui.
O Elefantinho e sua Tromba
Todo mundo tira sarro do pobre elefantinho. Suas orelhas grandes, sua barriga saliente, principalmente da sua tromba que ele vive tendo que tomar cuidado para não pisar em cima! O elefantinho corria, de vez em quando tropeçava e lá ia rolando, enquanto os macacos tiravam sarro, a girafa escondia a cabeça na árvore para rir e a ema afundava a cabeça na terra em gargalhadas.
Mas o elefantinho não se preocupava. Apesar da ótima memória, preferia esquecer as brincadeiras sem graça e as piadas de mal gosto dos outros. Ou ao menos é isso que dizia quando chegava o macaco troçando:
- Ei, elefante, já pensou em fazer redução de orelhas? Com um satélite desse tamanho deve ser difícil não pegar recepção de rádio religiosa!
- Ora, amigo macaco, agradeço a preocupação! Mas não ligo para isso. Qualquer coisa, só preciso mexer a cabeça e ouvirei o futebol!
E satisfeito saía, mesmo com o macaco atrás fazendo cara de quem não gostou e continuando a falar mal dele pelas costas. Outro dia mesmo a girafa chegou até ele e disse:
- Já pensou em fazer um regime? Comer umas folhas dessas árvores por exemplo em vez de todos esses amendoins. Porque daqui a pouco vamos começar a orbitar em volta de você!
Sorrindo, o elefanto responde:
- Obrigado, minha cara girafa, mas estou bem. Tenho comido só o suficiente e me pesei ainda ontem. Perdi trezentas gramas, veja só!
E mais uma vez caminhou pela foresta, feliz da vida. A girafa virou-se para o macaco e comentou:
- Com esse peso todo, duvido que ele tenha uma balança que aguente.
Caíram na gargalhada. A ema foi mais cruel, vendo que o elefante tentava espantar com o rabo uma mosca chata que ficava circulando por suas costas, disse:
- Que pena que sua tromba não seja lá tão flexível quanto nossos pescoços. Senão era simples, uma bordoada e essa mosca seria história! Ai ai, pobre de você, elefante, com esse peso morto que só serve pra acumular rinite...
Dessa vez o elefantinho não teve como responder. A mosca irritava realmente e dificultava uma boa conversa.
Só que o tempo esquentou, e esquentou muito. Os animais tentavam se refrescar na água do lago, mas não era o suficiente, porque a água também estava quente e parada. Se houvesse ao menos uma cachoeira para mexê-la.
De repente o elefantinho surgiu por entre as árvores e enfiou a tromba na água, sugando uma grande quantidade de líquido. Apontou aquele cano para cima e expeliu o líquido que tinha recolhido, fazendo-o cair como chuva e cobrindo os outros animais. A sensação da água caindo foi ótima, refrescando a todos que, envergonhados, disseram em uníssono:
- Obrigado, amigo elefante! E desculpe pelas brincadeiras, sua tromba é ótima!
Sem dizer nada, o elefantinho apenas sorriu. Ali perto, um jacaré que via a cena comentou para o outro:
- Amigo da onça, isso sim! Nenhum deles parou pra pensar que ele tá aproveitando para espirrar neles!

Moral da história: Não faça troça de ninguém, porque algum dia você pode precisar da ajuda dele e vai acabar é levando ranho!


Mentira, a moral é: Não leve desaforo para casa, mas também não se meta a brigão. Tenha paciência e saiba responder sem ser mal-educado, um dia você terá sua chance de se mostrar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

4º Desafio - Ariana

Quase meia-noite, eu tive que correr para conseguir escrever, hoje foi um dia bem corrido para mim. Mas aqui está, o desafio da adorável Ari, que não foi tão difícil assim, e rendeu uma boa história. Espero que ela aprecie essa visitação à casa noturna que sua personagem Rosemary irá fazer, algum dia, no meu cenário de Vampiro, a Máscara. Fiz questão de escolher uma situação bem divertida para ela aproveitar. E claro, fazer uma certa propaganda dessa maravilhosa instalação. Aproveitem!

Belíssima imagem de uma dançarina daqui.
Fora da Rotina

A rotina no Rosa di Fiore pode se resumir a: Prepare-se para subir ao palco, ande entre os clientes, faça os serviços VIP e vá para casa depois. Raramente envolve algo mais perigoso como atender um assassino profissional com uma enorme cicatriz no rosto. Quando o gerente disse à Érica que havia um homem especial para ela, a garota pensou que fosse o jovem cavalheiro de olhos azuis que era grande amigo de sua patroa. Ao entrar na sala, um grandalhão careca e com cara de poucos amigos a encarou.
- Você é a garota que eles mandaram?
A pergunta parecia bem obtusa, com uma resposta muito óbvia, mas Érica demorou pra responder pela postura daquele homem. Mesmo usando terno e com uma maleta aparentemente bem cara, a expressão dele dá a entender que poucas pessoas poderiam chegar perto sem sofrerem lesões seríssimas.
- Ahn, sim... Eu vim lhe dar uma sessão super-especial. Disseram-me que o senhor é muito importante para nós e por isso vai receber uma atenção extra.
- Ótimo. Sente-se.
Esse era realmente um pedido estranho. Geralmente os homens, e até algumas mulheres, exigiam uma dança, um afago ou até algo mais íntimo, que seria muito bem pago depois. Sentar do lado era tão “normal” que Érica demorou a entender. Quando ficaram lado a lado, o homem pegou a maleta e colocou em cima da mesa. Um arrepio subiu pela espinha da garota, uma espécie de mau-pressentimento. O que quer que tivesse ali dentro não poderia ser boa coisa. Pensou em usar o botão de perigo, mas o homem lhe segurou a mão de forma autoritária.
- Eu quero que você tome algo. – disse ele levando a mão dela até a mesa. – Espere. Aqui.
De dentro da maleta ele tirou um frasquinho semi-transparente com algumas capsulas coloridas. Despejou algumas na mão dela e indicou três de cores diferentes.
- Escolha uma e tome. É isso que quero que faça para mim.
O sangue que Érica tomou mais cedo poderia lhe garantir uma boa resistência à qualquer droga, mas por algum motivo ela sabia que não seria o caso ali. Estava entre a cruz e a espada e não tinha uma alternativa segura. Engoliu a capsula vermelha o mais rápido que pode. Ficou olhando para o homem, esperando algo.
Ele tirou da maleta uma pistola, e o sensor de perigo de Érica estourou. Iria apertar o botão AGORA, antes que algo de mal lhe acontecesse. Mas seu corpo não correspondeu ao pânico. Pelo contrário, pareceu relaxar e uma excitação anormal tomou conta da sua libido. O homenzarrão ficou mais atraente, muito mais do que era possível para um 4x4 cheio de cicatrizes e com um aeroporto de mosquitos na cabeça. Érica não conseguiu mais se segurar e tomou o rosto dele para beijá-lo.
Pela resposta dele, não esperava por aquilo. Ele recuava, tentava impedi-la de tirar a roupa e de tentar tirar a dele. Movimentos amplos fizeram com que ele caísse no chão e demorasse para levantar, dando tempo para que ela subisse nele.
- O que está fazendo, garota maluca? – ele perguntou quase gritando e preparando a arma para atirar nela.
Nesse momento a porta se abriu violentamente. Um rapaz, não muito mais velho que Érica e vestindo um colete sobre uma camisa vermelha, entrou carregando um bastão de beisebol. O careca olhou para ele, apontando a arma e desferindo três tiros. Todos erraram o alvo, que se mexeu entre eles rápido demais para ser seguido por olhos humanos. O rapaz, que era o gerente da Rosa di Fiore, acertou um golpe que quebrou os dentes da frente do homem.
- Por favor, não se mexa muito, deixe-me lhe dar o tratamento dedicado a pessoas do seu naipe, senhor. Com todo o refinamento merecido. Espero que esteja aproveitando nossos serviços.
Enquanto falava, o gerente acertava mais um, dois, três golpes, imobilizando o homem enorme, quase três vezes o seu tamanho. Érica parecia aflita, incapaz de escolher a qual dos dois dar o seu corpo. O gerente se posicionou atrás do homem e colocou o bastão em seu pescoço, puxando para si, asfixiando-o.
- Por favor, relaxe, meu senhor. Quero colocar-lhe em uma condição mais... Apropriada. Ah sim, exatamente isso.
Quando o homem apagou, o gerente olhou para Érica e lhe deu uma ordem para ficar quieta e esperar. Viu que a droga quase venceu sua dominação, mas ficou contente por ter sucesso. Duas mulheres entraram pela porta, assim como dois homens grandes, muito maiores do que o rapaz.
- Frank, Lloyd. Arrastem nosso amigo para os fundos onde terei uma conversinha com ele. Desarmem-no e amarrem-no em nossa cadeira preferencial. – os homens saíram levando o desmaiado –Tiffany, Joseane, acho que Érica precisa de um tratamento para desintoxicação. Ela tomou uma droga que está causando euforia e muita vontade de sexo. Façam com que ela volte a si, como for preciso.

Com um sorriso de orelha a orelha, Érica viu as amigas se aproximarem, e preparou-se para o que viria em seguida. O gerente as deixou a sós e pediu que desligassem a câmera da sala. Daria privacidade a Érica e revogaria os direitos do tal assassino profissional que pelo jeito roubara um traficante. Experimentar uma droga daquelas em uma de suas garotas era imperdoável. O Rosa di Fiore cuida das suas garotas.