domingo, 4 de agosto de 2013

Lua Macabra... O Retorno

É, eu sei. Eu estou sumido daqui há algum tempo, mas foi por uma boa causa... Ou algo assim. O que importa é que estou de volta, com um conto novo, revisado e preparado para servi-los com uma deliciosa história que... Melhor não dar spoilers, pega mal. Já aviso, porém, que provavelmente fará parte da safra Lua Macabra, então esperem por algo que terá sim a combinação de terror, romance e... Algo mais. Vocês verão. Aproveitem o conto!

Grandes Erros


O celular gemeu mais duas vezes e então apagou, a bala atravessada na tela de cristal líquido deixando preso para sempre o pedido de ajuda não enviado. A ponta da pistola ainda fumegava, agora apontada para seu peito, e não haviam sorrisos ali, nem olhares amigáveis. Só o terror absoluto da morte certa. Alguns grunhidos desajeitados escapavam da sua boca, os olhos circulando pela sala, em busca de salvação, mas só encontravam os corpos dos amigos caídos pelo chão e o sangue lavando a parede cinza de sujeira.
Como havia parado ali mesmo? O que tinha feito de errado pra que ficasse na pior, para estar tão perto de suas últimas palavras?
Havia levantado bem, escolhido uma lingerie sexy, preta em contraste com sua pele muito branca, e um vestido nem longo nem curto que cobriria só o necessário e mostraria o suficiente. Um pouco de maquiagem e “voilá”, estava pronta para encontrar aqueles que eram sua família escolhida e que a aguardavam na frente de uma boate da zona leste, com um nome genérico e bebidas idem, mas com gente suficiente para ela poder escolher qualquer acompanhante. Estava pronta para fisgar sereias ou tritões, independente da vontade, seria capaz de levar qualquer um na sedução.
Os amigos se dispersaram, lançando-se em todos os focos possíveis, fossem os fãs da banda no local, os ratos de bar ou os visitantes perdidos a fim de um affair. Para ela, no entanto, alvos tão fáceis eram um grande problema, um tédio sem fim que não valia a saída em uma quinta à noite. Com uma olhada rápida, visualizou algumas boas presas, deliciosos homens e mulheres que se renderiam a um belo decote e um sorriso fatal. Escolheu entre eles o que parecia mais difícil e lançou-se ao desafio.
O homem que estava sentado perto de um dos pilares da danceteria poderia passar tranquilamente por um segurança, tamanha carranca e distinção do seu terno. Ele a notou de longe, enquanto ela cruzava a pista dançando, e fez que não havia percebido suas intenções. Quando ela se recostou ao seu lado, ele se afastou um pouco para não ficarem ombro a testa, e ela pode ver os contornos dos músculos por baixo da camisa social azul. Seria uma ótima conquista, das que se vangloriaria para as amigas depois.
- Que foi, está com medo que eu morda?
Ele não respondeu e ela mordeu os lábios, tanto por raiva quanto provocação, exibindo os belos dentes brancos. Olhou para a mão dele e não encontrou nenhum anel, então provavelmente era birra, ou talvez fosse mesmo um segurança perdido.
- Se não está aqui para procurar por mim, talvez esteja aqui por homens, certo? – tirar sarro era uma de suas alternativas mais baixas, mas já rendera bons momentos no estacionamento.
- Você não é o tipo de mulher que eu procuro. – respondeu ele com uma voz cavernosa e ela chegou a sentir as pernas tremerem, mesmo que com uma frase tão rude.
- Como sabe se nem me viu direito? Está desviando o olhar desde que eu cheguei na casa.
- Não preciso ver para ter certeza de que não queremos a mesma coisa.
Era realmente um páreo duro, dos que figurariam como lendas em futuras conversas de bêbada. E exatamente por isso não desistiria, não tão fácil, por mais que seu orgulho, e talvez algum outro instinto mais primordial, estivesse dizendo que não era uma boa ideia.
- Façamos assim, eu lhe pago uma bebida ali, sem compromisso, e você me deixa tentar ao menos uma vez te fazer mudar de opinião.
Isso foi capaz de tirar os olhos dele do globo de luz, DJ, ou o quer que fosse que ele estivesse dedicando mais atenção do que a ela. Por isso, ela se arrepiou quando os olhos negros dele se cravaram nos seus e quase se arrependeu da proposta. Quase.
- Feito. Tem uma mesa vagando ali.
E foi, sem esperar por ela. Em outras circunstâncias ela teria procurado outro cara ou garota e simplesmente abandonado aquele troll, mas havia algo dentro dela que despertava, uma sede intensa por aquele homem que, não importava o quê, a estava não só esnobando, como ignorando completamente seus ataques. Pensou no perfume que escolhera, na pele exposta, na maquiagem delicada que a fazia parecer uma garotinha, e no sorriso treinado à exaustão diante do espelho e nada parecia estar errado, então o problema só podia ser ele.
Acompanhou-o rebolando, para que os outros ficassem alertados que, assim que ela tivesse acabado com aquele homenzarrão, estaria pronta para mais. Ela nunca se contentava com um só e não seria ele a mudar isso nela. Sentou-se no lado oposto da mesa e pediu por dois copos de uísque. A escolha o fez levantar o olho e ela sorriu, deliciada com a surpresa.
- É óbvio que um homem do seu porte bebe algo de igual valor.
Ele sorriu pela primeira vez e ela notou os dentes sujos de fumo, o que reduzia em muito o tesão, pelo menos naquele momento. Fumantes eram um problema que ela preferia evitar, principalmente porque eles lidavam com algo extremamente perigoso, o fogo. Para os outros era fácil, mas ela tinha um pouco mais de medo da chama matriz, a grande inimiga de coisas que eram altamente inflamáveis, como a bebida que acabava de chegar.
Durante os vinte a trinta minutos seguintes ela tentou de todas as formas puxar um papo interessante, que rendesse no mínimo uma agarração na porta do banheiro, o que resultou em saber que o nome dele era Adam Corso, mais conhecido por Corsário, tinha em torno de trinta anos, solteiro convicto e gostava de cachorros grandes, tipo dobberman. Além disso, ele tinha uma fixação meio mórbida por objetos de prata, e ela temeu que ele fosse tirar de dentro do colarinho um crucifixo daqueles que seria capaz de se colocar em cima de um túmulo, mas foi apenas um colar de caveira mexicana.
- É para dar sorte, uma vez estive por lá no Dia dos Mortos e ganhei isso de um dos locais, que garantiu que me protegeria para sempre. Realmente, acabou me salvando a vida outro dia.
- Verdade? – perguntou já quase sem interesse. Que ele fosse um desafio, OK, mas ela estava começando a pensar que ele era apenas um chato.
- Ah sim, mas isso... Eu posso te contar depois. Está a fim de dar uma volta?
A pergunta a pegou de surpresa, desarmada, e ela acabou deixando mostrar que não tinha uma resposta pronta. Nunca antes tinham sugerido sair dali que não fosse para qualquer lugar próximo onde ela daria um sumiço na calcinha ou algo assim e por um instante pensou nos prós e contras. Por um lado ele poderia querer levá-la a um motel, onde poderia desfrutar de privacidade suficiente para se saciar nele, apesar de depois ser meio chato fingir que não esteve lá. Nada que um papo cabeça com os atendentes e uma rápida passada pela sala de segurança não resolvesse. Por outro lado, ele poderia estar planejando levá-la a seu apartamento, tentar estuprá-la e dar um fim ao seu corpo jogando-o no lixão. O que também era uma boa oportunidade, já que perigo sempre gera ótimos momentos de tensão e isso a deixava acesa como uma vela na igreja... Epa. Péssima metáfora.
- Tudo bem, garotão. Só deixa eu avisar meus amigos. – e então vasculhou o lugar, procurando por qualquer um deles, mas estranhamente não os encontrou.
Talvez tivessem escolhido sair todos juntos para comerem, ou talvez fosse apenas a falta de atenção, como não os viu decidiu dar o fora assim mesmo. Qualquer coisa voltaria depois, de repente usando o carro daquele homem misterioso, e poderia buscá-los em alto estilo. Ou isso ela esperava, pensando sinceramente que se visse um Fusca na vaga dele, mudaria de ideia na hora. Por sorte encontrou uma belíssima Mercedes Classe A escura como os olhos dele e partiu dali, para onde quer que ele a estivesse levando.
- Gosta de música? Eu tenho alguns cd’s interessantes no porta-luvas.
Agora ele queria ficar animado, ela pensou, e decidiu que era melhor manter o clima, por isso abriu o porta-luvas e encontrou ao menos cinco cd’s, todos de bandas completamente diferentes.
- Você é bem eclético, né?
- Tento. Sempre que posso, compro algo baseado em quem dou carona. Gosto de conhecer coisas novas. Qual sua banda favorita?
- The Damned, mas duvido que você os conheça, são uma banda undercover da área onde moro.
- Vou tentar escutar depois, então. É um hobby, se quer saber, e é muito divertido.
- O quê? Conhecer as bandas que as garotas que você pega escutam?
- Exatamente.
Por algum motivo aquilo a deixou muito desconfortável, o que não era habitual. Percebeu que quanto mais avançavam, mais perdia o controle, e esse era um terreno desconhecido para ela. Nunca antes tivera tantos problemas em uma caçada ou demorara tanto para pegar um homem. A curiosidade começava a sumir e uma pontinha de medo surgiu em seu coração negro, que por um instante pensou ainda possuir.
- Estamos chegando. – disse ele, de repente, e ela se assustou ao ver que não sabia onde estavam.
Era uma área residencial bem pacata, do tipo que os pais escolhiam para viver com seus filhos quando eles nasciam e não havia mais nada importante no mundo. Ela podia ver as crianças correndo pelas ruas tranquilas, homens e mulheres passeando com seus cachorros e o carteiro pedalando a bicicleta em paz, sem pressa. Tão simples e calma que poderia fazê-la se jogar para a morte de tanto tédio. Um pensamento cruzou sua cabeça: Talvez fosse isso mesmo que estivesse fazendo. Afastou as ideias ruins e saiu do carro com ele na frente de uma garagem fechada. Ele a levou mesmo para casa e ela pensou em como faria para voltar para a danceteria depois, sem saber o caminho. Maldita hora que ficou escolhendo os cd’s.
- Pode entrar, sinta-se em casa. – ele disse quando abriu a porta e ela agradeceu mentalmente que ele fosse gentil ou teria um momento constrangedor.
Era uma sala bonita, de móveis novos e com uma lareira e a casa parecia muito amigável, o que reforçou a sensação de que algo estava terrivelmente errado. Sentia o cheiro de bolo de canela, de uma cerveja tomada no fim da tarde e das flores nos vasos, além de outro que era muito, muito familiar, mas que por algum motivo lhe escapava da memória e era ruim, ruim pra cacete. Ele tirou o paletó e jogou sobre o sofá, em um gesto displicente, mas que nada tinha a ver com uma demonstração de excitação que denunciaria um ataque à sua donzelice.
- O que foi? Algum problema?
- Não, é só que não estou acostumada a fazer isso. – confessou, aproveitando que não era uma mentira para esconder a verdade.
- Acredito, você tem jeito mesmo de quem faz muitas coisas, menos ir à casa de um homem direto de um bar.
Ela riu, nervosa, do que talvez fosse o comentário mais maldoso e perverso dele até agora. Pensou nas rotas de fuga, em como tudo poderia estar certo e ela estar simplesmente necessitada, e por isso não estava pensando direito. Ouviu o som estralado de uma garrafa abrindo e retesou, vendo-o de costas mexendo em um armário.
- O uísque não foi suficiente?
- Nah, eu só estava pegando o brinquedo certo para uma vadia como você. – disse ele e se virou apontando uma arma para o meio de seus olhos.
Ok, então ela tinha ouvido uma arma e confundido com uma garrafa. Normal, muita gente fazia exatamente o contrário. Arreganhou as presas e lançou-se sobre ele, completamente transformada, antes que ele pudesse pensar em sentir coceira no dedo da arma. Ainda assim, ele desferiu o tiro que atravessou seu pulmão morto e causou intensa dor. Por pouco não acertou o coração.
- Ê, ê! Cuidado, as balas são de madeira e prata.
A frase soou tão errada que ela demorou a perceber o porquê, e era algo mais do que apavorante. Era uma frase muito certa, típica de alguém que estivesse não só ciente, mas confiante de como se mata vampiros. Se pudesse, sua espinha teria gelado naquela hora.
- Como...?
- Sem perguntas, ande em direção ao quarto.
E apontou para uma porta semi-aberta, de onde ela percebia que vinha o cheiro de antes, que ela não reconhecera. Assim que chegou perto pensou em como era estúpida, em como havia falhado muitas vezes e estava tremendamente ferrada agora. Atravessou a porta e encontrou um quarto muito grande, praticamente sem móveis, no qual outros três homens apontavam armas para ela. Eram como ele, normais demais para parecerem estranhos, e portavam armas igualmente simples, mas com munição letal à sua espécie. Morreria antes de pensar em sugar o sangue de qualquer um deles.
Demorou pra perceber o que causava o cheiro e quando viu só pode chorar. Havia pelo menos uns dez corpos de vampiros estirados no chão, em decomposição acelerada. Tornariam-se pó antes do amanhecer. Eles eram caçadores e estavam satisfeitos em dizer que haviam feito uma grande caçada e talvez continuassem depois dela. Em soluços fingidos, acompanhando as lágrimas de sangue que corriam de seus olhos, tentou tirar o celular de sua bola em extrema velocidade e ligar para pedir por ajuda. Um dos caçadores percebeu seu movimento e atirou, jogando-o no chão e ferindo sua mão. A tela ainda brilhou com o primeiro botão apertado, o número de emergência.
E lá estava ela, no único quarto podre daquela casa bela, em um bairro pacato e que provavelmente era apenas uma enorme sede de caçadores disfarçada de subúrbio. Ela tinha encontrado seu fim, e não havia nada que trouxesse satisfação naquele momento. Para piorar, não tinha bebido nenhum dos homens que agora a torturariam antes de explodir sua cabeça e a sede ficava muito forte. Tanto que seus sentidos estouravam, aguçados ao máximo. Um zumbido irritante começou a soar em seus ouvidos e ela amaldiçoou o dia em que ganhou esse poder, até que percebeu o que ele indicava. Sorriu.
- O que é, sua vaca? Surtou sabendo que vai virar poeira? Você e sua espécie de merda vão todos virar pó e a gente vai fazer de tudo pra isso acontecer. Ah, porra, por que você está, rin...?
Ele não terminou a pergunta porque um carro, o seu carro, havia atravessado a parede, abrindo ao meio os quatro caçadores. Pelo jeito eles não tinham pego TODOS eles, um escapara e agora saía pela porta de trás do sedan quase completamente demolido.
- Ei, Ann, está bem? – perguntou a mirrada vampira que a idolatrava e que pelo jeito a seguira também.
- Por pouco, querida, por pouco. Se você não tivesse entrado com o carro...
A bola atravessou suas costelas, raspou no coração e foi parar no pedaço de parede que pendia do teto no buraco aberto pelo carro. Ann virou furiosa para o atirador e encontrou seu homem, o Corsário, ás portas da morte, sem o braço e sem um olho. Ele parecia ter sido esmagado pelos destroços e talvez não sobrevivesse para o próximo minuto mas ela não o deixaria escapar tão fácil. Mordeu o pulso e enfiou na boca aberta dele antes que ele pudesse pensar em algo e o fez absorver o suficiente.
- Toma, seu filho da puta. Transforme-se, e espero que sobreviva para devorar seus amigos de fome antes do sol nascer. E amanhã, quando estiver perdido e desamparado, eu vou te caçar e dilacerar e sugar de volta todo o sangue que te dei. Vou ficar esperando, seu desgraçado.
E abraçou a amiga, saindo para o céu noturno.
- E agora, Ann, o que vamos fazer?
- Vamos pra minha casa, eu preciso arranjar um outro vestido e... Droga, eu adorava essa lingerie.
- E depois?
- Depois vamos atrás de um lanchinho, porque eu estou morrendo de fome.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Gosto de Infância

Foi a Ann que me surgiu com essa frase e eu adoro como ela realmente soa bem, lembra daquele achocolatado vendo Jetsons ou da pipoca no cinema enquanto via Toy Story. Ok, talvez não fosse exatamente falando da comida, mas de ter em mãos ou rever alguma coisa que fez parte da nossa infância, uma lembrança gostosa e divertida. Então é por isso que trago aqui hoje uma pequena resenha de Laços, minha mais recente aquisição pra minha biblioteca de histórias em quadrinhos especiais. O que vocês vão ler é a empolgação de uma criança que de repente pode reassistir seu filme favorito. Embarquem comigo nesse feeling.
 
Laços
Desde o dia em que conheci o Puny Parker, em uma página que já não lembro mais, eu fiquei com inveja do dom de Vítor Cafaggi em desenhar histórias suaves, com personagens profundos e dilemas instigantes. Acompanhei todo o percurso até nosso herói da vizinhança mirim terminar sua saga, e segui pelas atrapalhadas do cachorrinho Valente, que parece não dar uma dentro. Eu realmente passei a admirar este autor e quando vi suas páginas com o Chico Bento no primeiro especial de 50 anos da MSP eu só pude pensar em quando esse gênio poderia publicar algo do tipo em um título próprio. Essa espera acabou com Laços.

Devo dizer, eu já conhecia Vítor, mas também me surpreendi com sua irmã, Lu, que entrega uma historieta, uma lembrança do primeiro encontro entre Cebolinha e Floquinho, de encher aos olhos. Laços é aquilo que eu estava esperando e mais um pouco. Na primeira vez em que bati os olhos no anúncio, logo após Magnetar, com o personagem Astronauta, se tornar um sucesso, o primeiro do selo novo da MSP, eu já esperava uma aventura oitentista, ao estilo Goonies, que me divertiu muito quando criança e ainda me empolga hoje. O que recebi foi mais ou menos isso, e muito bom.
Como não se encantar com essa fofura?

Não se enganem, Laços é realmente uma história da Turma da Mônica, com o quarteto que se tornou tão famoso a ponto de ser publicado em inglês e em espanhol e que gerou milhares e milhares de produtos, de brinquedos a filmes para o cinema. Mas ainda assim, a marca dos Cafaggi brilha em cada quadrinho, em cada balão. A trama é simples, como devem ser as histórias para crianças que também divertem aos adultos. Após mais um plano infalível fracassar miseravelmente, Cebolinha descobre que seu cãozinho fugiu, e se reúne à Mônica, Cascão e Magali para resgatá-lo, acabando por se meter em encrenca das grandes.

Tanto o traço quanto as falas e também os easter eggs espalhados pelos quadros, como os brinquedos do Careca, conseguem encantar, nos brindando com diálogos excepcionais e tiradas de fazer gargalhar do Cascão. Aliás, cada um dos quatro personagens parece elevado à infinitésima potência, se tornando tão diferente das versões gibis quanto parecido com a essência do que eles são. Cebolinha não é só o moleque levado dos filminhos que assistia quando criança ou dos gibis que devorei e devoro até hoje, mas também o gênio no qual os outros confiam, com a capacidade de liderança que precisa para tirá-los da enrascada. Já Mônica é tão delicada quanto forte, e mesmo em seus momentos de explosão, dá pra ver a meiguice da menina que não consegue controlar seu temperamento, mas adora seus amigos e faria tudo por eles. Cascão é o sujinho matreiro com espírito de porco que faz piada quando não deve e por isso mesmo é tão engraçado e camarada, sempre ao lado do amigo de cinco fios. E Magali, bem, ela é talvez a personagem que mais me apaixonei nessa história, já que não é preciso que ela diga muito, sempre sabendo o que fazer para ajudar a melhor amiga e quando ou onde deve se meter, e comendo de forma extraordinária.
Os outros personagens são também cativantes, cada um com características especiais, principalmente o “pai” da Mônica em participação especial e mais do que merecida. O trato dado ao encadernado foi formidável, com capa dura e páginas lindas, feitas com material muito resistente, o que me surpreendeu pelo valor cobrado, de 29 dilmas. Foi o suficiente para que eu saísse da banca com a revista em quadrinhos nas mãos, feliz da vida pela aquisição. Eu sugiro que façam o mesmo, não irão se arrepender.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cinema e RPG

Novamente, no meu quase ritual, fui ao cinema quinta com as lindas e maravilhosas Ann e Ari, o que me rendeu um programa muito melhor do que esperava. Acabei fazendo uma resenha obrigatória porque eu precisava falar desse filme. Leiam e aproveitem que ao final tem mais uma curiosidade, ok? Até mais!

O Cavaleiro Solitário

Devo admitir: As impressões com a recepção de O Cavaleiro Solitário ao redor do mundo e aqui no Brasil não me fizeram empolgar quando escolhemos ver este filme, mas o resultado foi bem diferente do que eu esperava. Devo avisar que podem haver alguns spoilers, mas em um filme que é feito pela mesma equipe de Piratas do Caribe e é um Disney, isso não é exatamente um grande problema, certo?
A começar, posso dividir o filme de duas formas: Como cinéfilo, há grandes chances de você não gostar do filme, pelos excessos, pelas respostas não tão boas do roteiro e principalmente por algumas atuações meio engessadas. Já como filme pipoca, é um excelente programa para o dia de promoção do cinema, com espaço pra empolgação e muitas risadas, e eu digo muitas mesmo, por praticamente todo o elenco.
 
Nas palavras de Ann, o tom do filme se classifica por comédia a partir da cena da banda que toca perto do final, ali se condecora todo o empenho em fazer rir, o que não é um demérito. A trilogia de Piratas (porque o quarto filme é bem mais sério) se marca pelo alívio cômico dos piratas da tripulação de Jack Sparrow e o próprio, que consegue tirar humor de tudo e todos, principalmente quando está em perigo, ao estilo do que Johnny Depp faz com Tonto.

Ok, mas qual a história? John Reid (Armie Hammer) é um advogado recém-formado que volta para sua cidade natal no mesmo trem que está o bandido mais perigoso do Texas, Butch Cavendish (William Fichtner, praticamente irreconhecível). Em uma fuga alucinada, o caminho de John cruza com o de Tonto e o advogado cria antipatia pelo índio, o que é recíproco. Mais a frente, quando uma emboscada deixa o novo ranger (que ganha sua estrela praticamente de graça) às portas da morte, é o amalucado índio quem o traz de volta... Bem, na verdade é um cavalo branco, mas com a ajuda de Tonto. Com isso, John Reid se torna o Cavaleiro Solitário, uma lenda do velho-oeste e parte em busca de justiça, o que descobre não ser tão fácil assim.

Há muito o que se falar sobre esse filme, mas foquemos nas atuações dos três personagens principais dessa crônica, ou melhor, quatro se contarmos o garoto pra quem Tonto está contando a história: Armie Hammer é um ator afetado, e isso reflete no seu John Reid, que demora para se tornar realmente um herói. Não é bem um problema, mas fica meio difícil dividir a tela com Depp se você não consegue se tornar querido pelo público, e ele se esforça em fazer isso o tempo todo. Suas discussões sobre justiça e o modo certo de fazer tudo não precisam fazer sentido neste universo, mas são o que define sua personalidade. Já Johnny Depp entrega outro personagem Johnny Depp e sua atuação é quase automática. Ainda assim, não há como desgostar de Tonto, que rouba várias das cenas em que aparece, mas que talvez tenha sido suavizado para não fazer como na trilogia que tornou a parceria Verbisnki/Depp/Bruckheimer famosa (para constar, diretor, ator e produtor de Piratas). Sua versão futura, já velhinho, e sua conversa meio truncada são fantásticas e arrancam ótimas risadas de quem assiste.


Já Fichtner se entrega TOTALMENTE ao vilão Butch, desde suas manias até mesmo sua voz maldosa. Acho que nunca vi, em nenhum momento, um personagem tão terrível quando o dele neste filme, e isso porque ele não é indefectível, mas realmente bom no que faz. O tempo todo ele demonstra sua maldade, ao atirar em quem quiser, ter a fala mansa de quem já beijou a morte e também de fazer o que quiser. Porém, se precisasse elencar um problema é a instabilidade do personagem, que parece ser uma marionete o tempo todo, culpa de um roteiro muito extenso. Por fim, o pequeno Will (Mason Cook), cujo nome eu só descobri ao olhar no IMDB, faz uma boa dupla para Tonto, interferindo aqui e ali na narração para fazer perguntas óbvias que o público também faria, tamanho buraco na história, mas que geram boas cenas e conseguem solucionar alguns velhos breaks que Verbinski pegou mania de fazer, adivinha?, em Piratas do Caribe.

Bem, talvez seja injusto citar Helena Boham-Carter logo aqui, em que sua personagem, Red, apesar de importante, não faz mais do que mera figuração, quase aparecendo tanto quanto outros personagens menores, como o cacique dos Comaches. Mas é fato que estar novamente ao lado de Johnny Depp evidencia a química entre eles, principalmente nas rápidas trocas de olhares que não fazem muito sentido entre o índio e a meretriz. Por outro lado, apesar de tentar, não dá pra dizer se existe realmente alguma ligação entre John Reid e Rebecca Reid (Ruth Wilson), o que dá pra se relevar considerando os dramas dos dois, mas é realmente um ponto chato de se reparar.

Juntando tudo temos uma ótima aventura que se tem um pecado é ser longa demais, com detalhes demais. Quando apareceram os chineses eu fiquei pensando em que diabos estavam metendo o Cavaleiro Solitário. Mesmo assim, por conta de cenas como Silver no celeiro e o mesmo maldito cavalo na mina, vale muito a pena assistir esse filme. Verbinski cria sua própria versão do Cavaleiro Solitário, usando pouco da ideia original e nos dando uma comédia com muito heroísmo e batalhas marcantes. Recomendadíssimo.
...

Como denunciei no título da postagem, há ainda um ponto a ver com RPG. É que essa semana eu vi muita gente postando no face um link para uma LONGA PRA CARAMBA lista de perguntas que te diria qual seu personagem em D&D, com detalhes de classe, raça, tendência e até nível com distribuição de pontos. Eu gostei tanto do meu resultado conseguido com MUITO suor que resolvi trazer aqui pra compartilhar. Quem quiser fazer também, o link é esse aqui.

PS: É em inglês pra quem estiver interessado.

I Am A: Chaotic Good Human Bard/Sorcerer (2nd/1st Level)

Ability Scores:
Strength-13
Dexterity-11
Constitution-11
Intelligence-15
Wisdom-15
Charisma-13

Alignment:
Chaotic Good A chaotic good character acts as his conscience directs him with little regard for what others expect of him. He makes his own way, but he's kind and benevolent. He believes in goodness and right but has little use for laws and regulations. He hates it when people try to intimidate others and tell them what to do. He follows his own moral compass, which, although good, may not agree with that of society. Chaotic good is the best alignment you can be because it combines a good heart with a free spirit. However, chaotic good can be a dangerous alignment when it disrupts the order of society and punishes those who do well for themselves.

Race:
Humans are the most adaptable of the common races. Short generations and a penchant for migration and conquest have made them physically diverse as well. Humans are often unorthodox in their dress, sporting unusual hairstyles, fanciful clothes, tattoos, and the like.

Primary Class:
Bards often serve as negotiators, messengers, scouts, and spies. They love to accompany heroes (and villains) to witness heroic (or villainous) deeds firsthand, since a bard who can tell a story from personal experience earns renown among his fellows. A bard casts arcane spells without any advance preparation, much like a sorcerer. Bards also share some specialized skills with rogues, and their knowledge of item lore is nearly unmatched. A high Charisma score allows a bard to cast high-level spells.

Secondary Class:
Sorcerers are arcane spellcasters who manipulate magic energy with imagination and talent rather than studious discipline. They have no books, no mentors, no theories just raw power that they direct at will. Sorcerers know fewer spells than wizards do and acquire them more slowly, but they can cast individual spells more often and have no need to prepare their incantations ahead of time. Also unlike wizards, sorcerers cannot specialize in a school of magic. Since sorcerers gain their powers without undergoing the years of rigorous study that wizards go through, they have more time to learn fighting skills and are proficient with simple weapons. Charisma is very important for sorcerers; the higher their value in this ability, the higher the spell level they can cast.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Tirando a poeria dos sapatos

Acho que é a terceira vez que posto esse texto, a segunda em um blog. Da outra vez, eu tive uma experiência muito tranquilizante de conseguir publicar um conto que mexeu tanto comigo. Espero ter o mesmo dessa vez, apesar de pelo motivo diferente. Eu realmente gosto da ideia de que ás vezes possa pegar textos antigos e eles ainda tenham validade, principalmente ESTE, que hoje continua tão romântico e belo... Pelo menos pra mim. Então, dedico-o a todos os apaixonados, loucos ou não, tolos ou não, ou que simplesmente estejam a fim de ter um romance, por mais bobo que ele seja. E sejam felizes. Para acompanhar, a música que me inspirou.


All Star

O quarto bagunçado. Os lençóis jogados no chão. O ventilador se mexendo lentamente. O som tocando baixo uma música dos anos 90. O All-Star azul, único objeto verdadeiramente colorido, depositado sobre a cômoda, um alienígena organizado em meio ao caos. Dois corpos estirados ao chão, quase imóveis, descansam. Ele é quem abre os olhos primeiro, focalizando o tênis e sorri.

O sol a pino e os cadernos sobre a mesa não eram a melhor combinação para aquele final de ano. O pior era manter a concentração com a mente ocupada em outro lugar. Naqueles All-Star azuis, surrados mas ainda belos, que haviam dominado seus pensamentos nos últimos tempos. Aliás, o All-Star era apenas o prenúncio daquele pequeno e delgado corpo claro, revestido com a calça jeans e a camiseta de uniforme, completado pelos negros cabelos caindo pelas costas. Todo o conjunto pulava de cena em cena dentro da cabeça dele, sem dizer uma palavra, apenas acenando ou dançando conforme a música. Bufou tentando lembrar mais uma vez da fórmula para encontrar o cosseno tendo o seno.
O barulho do sinal avisando do final da terceira aula lhe despertou de qualquer devaneio. Sabia que aquilo significava menos chances ainda de conseguir manter a atenção no caderno de matemática. ELA estaria descendo a escada em instantes, feliz com a possibilidade de ficar ao menos vinte minutos longe das carteiras de madeira, superaquecidas pelos 32º que registrava o termômetro do outro lado da rua. Desistiu definitivamente de continuar tentando e guardou, sem pressa, o material na mochila velha. O ano de diferença que separava os dois é que definia que ele teria dois turnos no colégio, ao invés do único dela, pela manhã.
Saindo pela porta da biblioteca levou um susto ao reconhecer duas vozes que dobravam a esquina. Pegou o fiapo de um final de conversa.
- ... passo na sua casa hoje. É na rua das Laranjeiras, não é? Que número e andar?
- 507. Eu moro no 1204. É só tocar que eu desço. Não esquece de levar o xerox dos textos de português.
- Tá, mas...
Não conseguiu continuar ouvindo. Elas tinham virado a esquina e ele se deparou com aqueles dois grandes olhos... Azuis como o All-Star. Perdeu-se no mar ali contido. Sentiu o rosto ficar vermelho quando eles lhe fitaram e desviu a vista, só para olhar de canto de olho em seguida e encontrá-los novamente, apenas para eles desviarem agora. Elas seguiram e ele as acompanhou, desviando o olhar para aqueles All-Stars que tanto lhe atraiam. Claro que não percebeu que ela olhou para trás mais uma vez, muito menos que ela sorriu de leve.
Sabia onde morava, sabia qual era seu apartamento. Puxa! Até sabia o que ela faria à tarde! Mas... O que fazer com isso?

Ironia ou não, em breve as informações forem úteis. Os três anos do médio iam participar de um evento fora do estado e ele fora, sumariamente, escolhido para a comissão. O que ele não sabia antes de ficar brabo com a decisão é que ELA também era da comissão. Por causa da coincidência eles teriam que se encontrar. Só que ela ficou doente. O bastante para não ir ao colégio. Teria que ir até a casa dela. Entendeu?
Tremendo ele checou novamente o endereço anotado em uma folha de caderno. A rua das laranjeiras era pacata, mais residencial do que comercial, com apenas dois prédios em lados opostos. Um cinza, antigo e mal-cuidado, e o dela, imponente em seus doze andares. Óbvio que ela morava na cobertura! Onde mais seria? Ele pensou duas vezes. Quem sabe não deveria esperar que ela melhorasse? Quase deu meia-volta, correndo para o ponto de ônibus. QUASE.
Entrou no elevador, apertando com nervosismo o botão do elevador. Enquanto subia pelos doze andares ele sentiu que não era o calor que o fazia suar. Muito menos o tremelique do elevador que não o deixava quieto. Assim que a porta abriu achou que deveria voltar para buscar seu estômago lá no térreo. O curto corredor parecia quilométrico enquanto andava até o 1204. Tocou a campainha. A porta abriu.
- Ei! Que surpresa! - disse ela com a voz anasalada - A Tânia me contou que você foi o escolhido do terceiro ano. Que sorte, hein?
Ele paralisou. Ela vestia uma camiseta jogada, azul como seus olhos e o tênis, que agora não calçava. Mesmo usando calças moletom e com aquelas olheiras de cansaço ela parecia linda. Diabos, como alguém pode parecer linda doente?!?
- Ah... É. Por isso... Eu vim aqui... - e sentiu vergonha de continuar - E para ver como você estava.
- Puxa, obrigado! Ah, entre! Desculpa, eu fico muito desligada quando gripo. - ela riu sem graça - Meus pais não estão em casa, mas a Júlia, nossa empregada, está na cozinha.
- Eu achava que você tinha um irmão. - deixou escapar e se amaldiçoou pela enorme boca.
- E tenho! Só que ele passa o dia quase todo na faculdade. Sabe como é, trabalhos, namorada e essas coisas.
- É, imagino. O terceiro ano já é bem puxado.
- Vamos pro meu quarto, é mais sossegado. - e ele pensou o que seria mais sossegado do que aquela enorme e silenciosa sala? Preferiu ficar quieto.
O quarto dela era tudo que ele não pensava. Haviam pôsteres de bandas de rock nas paredes, a cama era bagunçada e o armário era marfim com azul ao invés de rosa. Será que ela não errou de quarto com o do irmão?
- Não estranha não. Eu não sou muito arrumada mesmo. - ela disse e se jogou na cama. - Sobre o que você veio falar?
Engasgou, pensou, engasgou de novo, revirou os olhos, pensou se seria possível engasgar uma terceira vez e acabou soltando um suspiro.
- Tá, admito derrota. Não sei exatamente nada sobre o assunto. - enrolou.
- Ok, você tá perdoado. Eu também não sei. - ela riu.
- Eu pensei que você fosse me dar uma luz. - ele arriscou, aproveitando a deixa.
- Só se for uma lanterna vagabunda que eu tenho em algum lugar daquele armário. - ela retrucou e ele não conteve o riso.
- Então somos dois perdidos. E agora?
- Você tem que perguntar tudo pra mim? - ela fingiu indignação. - Certo, tudo bem, temos que fazer alguma coisa ou serão três turmas para esganar a gente. Seis se contarmos as dos outros períodos. Aliás... Não deveria ter vindo mais gente com você?
Pronto! Encurralado! Que desculpa ele iria dar? Péssima idéia de vir ali despreparado. Óbvio que ela ia perguntar dos outros!
- Ahn... O pessoal... Da tarde vai se organizar entre eles e depois vêm falar com a gente. - escapou de uma - E... Eu não conheço o guri do primeiro ano, então... Não consegui falar com ele e esperava que você o conhecesse. - mentiu.
Ela pareceu ponderar a questão, erguendo a sobrancelha como ele só pensava que se fizesse em filmes. Por fim, ela sorriu.
- Fugindo do dever hein? Bem... Realmente seria chato ter muita gente aqui comigo nesse estado.
- Você não está nada mal... - ARGH! Cianureto por favor!
- Brigada. - Respondeu ela corando um pouco.
Instalou-se o silêncio enquanto ele procurava observar o quarto inteiro para não olhar diretamente para ela. Sem perceber, ela fazia o mesmo, encarando os pés dele. Só depois de um tempo é que ele notou os All-Star azuis, distintos do quarto, postados aos pés da cama. Preparou-se para um comentário quando ouviu ela rir baixinho. Fez cara de quem não entendia.
- Ah... É só que... Eu reparei nos seus tênis... All-Stars. Como os meus. - ela disse, enrolando um dedo no cabelo liso.
- É... É moda agora né? Juro que comprei antes de todo mundo usar! - ele brincou, erguendo as mãos. Ela sorriu.
- Acredito. É um modelo clássico. Mas... Cano alto?
- Eu gosto. É diferente. E aquece mais quando tá frio.
- Mas é um saco no verão... Tipo agora!
- É sim...
- Seus All-Stars combinam com os meus. - ela disse de repente, de cabeça baixa.
- É? Não tinha percebido. - ele murmurou.
- Sabe... - ela começou ainda sem olhar para ele. - Você é legal.
- Va-valeu. Você também é bem legal.
Ele havia ido para a frente, insconscientemente, e eles estavam pertos... Até demais. Ele podia sentir o calor do corpo dela, acreditando que era por causa da gripe. Talvez febre. Ela sentia que ele suava frio, e achou que fosse pela temperatura do ambiente seco. Ergueu os olhos e acabou hipnotizando-o, sem querer. Lambeu os lábios e engoliu em seco.
Ele foi para a frente, completando o trajeto e eles se encontraram por instantes. Longos instantes. Sabor de sal, ela pensou. Parece... O mar. Se afastaram, arfantes. Ela mais do que ele. Eles se encararam, incrédulos, tremendo de leve. Ela caiu de costas, o peito subindo e descendo agitado. De repente ela sentiu falta de ar. Se ajeitou na cama e olhou para ele com os olhos semi-cerrados.
- Desculpe... É a gripe. - ela sorriu.
- Tudo bem. Você tem que descansar. Eu... Já estou de saída. A gente conversa amanhã?
- Claro. A gente se fala amanhã. Eu não te dou um beijo... - ela começou e engasgou - No rosto quero dizer!... Porque... Bom, cê tá vendo como eu estou!
- Fica tranquila. Inté.
E ele saiu. Sozinha no quarto ela suspirou.

No intervalo ele saiu mais depressa da biblioteca do que nunca. Tinha visto que ela viera para o colégio e parecia bem melhor. Queria (TINHA) que encontrá-la. Curioso: Foi vê-la debaixo da laranjeira da escola, sentada na sombra com aqueles mesmos All-Star azuis se destacando das roupas quase monocromáticas. Sentou-se ao seu lado com estrondo, quase fazendo com que ela pulasse.
- Você quer me matar como a gripe não fez é? - ela brincou.
- De jeito nenhum! Eu só queria saber como você estava.
- Bem melhor. Eu consegui dormir bastante depois que você saiu. E o remédio fez efeito.
Eles se calaram, olhando as pontas dos pés.
- Ahn... Quer voltar lá em casa hoje? - ela perguntou, acanhada, abraçando o próprio tronco.
- Pode ser... Pra quê?
- Me fazer companhia oras! Eu ainda estou convalescente!
- Ah sei...
- E também... Pra gente terminar aquele assuntou de ontem.
Ela ficou vermelha e ele entrou na competição. Mesmo quem estava de fora perceberia que os dois estavam mais do que envergonhados.
- Então... Eu tenho que ir. Marquei de conversar com algumas amigas para tirar umas dúvidas já que estive doente. Té mais tarde!

Quando entrou na Rua das Laranjeiras ele não estava só nervoso. Sorria por dentro e por fora, ansioso. Entrou no prédio voando. O elevador pareceu lerdo e tocar a campainha foi um sufoco. Foi ela quem abriu hoje também. E estava melhor do que ontem. Sem as olheiras, vestia uma camiseta mais leve, de banda, uma calça jeans, não aparentando nada ser a gripada do dia anterior.
- Oi. - disse ela de forma muito delicada, talvez um pouco tonta.
- Oi. Calor hein? - ele disse.
- Pois é. Quer entrar? Não... Desculpa, pergunta idiota. Entra aí.
Dessa vez ela não disse para irem para o quarto. Já estavam lá quando ele pensou no assunto. Ela se sentou na cama de novo e ele foi para a cadeira. Ficaram quietos, sem saber o que dizer. Ele reparou que os All-Stars não estavam aos pés da cama e estranhou. Onde ela teria colocado? Como que lendo sua mente ela riu e apontou para a cômoda. O par estava ali, como um troféu.
- Achei que ele merecia um lugar de destaque... Depois do efeito que teve ontem...
Foi a senha que ele esperava. Encurtou o espaço entre eles e caiu de joelhos. Ela riu, mas sem interrompê-lo. A altura dos dois atrapalhou um pouco então ela também foi para o chão, de joelhos. Deitaram, sem querer puxando os lençóis e ficaram assim por um tempo. Pararam para respirar.
- Por... Quê? - perguntou ele.
- Não sei. Mas eu senti vontade ontem e hoje ela só aumentou. Parece que... Fiquei com sede de você.
Ele riu. Fecharam os olhos curtindo-se por um tempo. Ele foi o primeiro a abrir, focalizando os danados dos All-Star azuis. Sorriu.

sábado, 13 de julho de 2013

TAG: Conhecendo o blog

AVISO: Esse era um texto de ontem que eu trouxe para hoje com o meu DeLorean. Por conta disso, alguns links do final SUMIRAM, ou seja, só sobraram cinco recomendações! Ai, que droga...

Conheço essas correntes de tempo, mas como nunca fui marcado (ou se fui, não percebi, ixi!), também nunca precisei compartilhá-las, mas fico honrado em estar aqui dessa vez passando adiante! Claro, culpa da minha noiva, aquela destrambelhada da Ann que resolveu me incluir na brincadeira. Então, aqui vamos nós, mas primeiro...

As Regras

* Os blogs participantes devem responder 11 perguntas;
* Estes terão que indicar 10 blogs;
* E os escolhidos devem ter poucos membros, pois essa tag sugere que blogs menores possam ser mais conhecidos.

As Perguntas

1) Como escolheu o nome do blog?
Foi tão difícil quanto fácil. Difícil porque a escolha de palavras demorou mais tempo do que a ideia que queria passar, e pra variar ficou ENORME (desculpem por isso!). Mas também fácil porque a temática tinha que refletir uma imagem que venho construindo há algum tempo. Agora, se a ideia funcionou, aí são outros trezentos...

2) Quanto tempo se dedica ao blog?
Muito menos do que gostaria, MESMO, mas mais do que já me dediquei a outros projetos, principalmente porque é mais tranquilo postar aqui. Atualmente estou em uma a duas postagens por semana e espero que ainda esteja assim em, sei lá, Agosto?

3) Já teve algum problema com comentários de anônimos no blog? O que?
Tenho tão pouco comentário que isso seria um milagre! Tá, sem xororô, acho que os anônimos sem graça ainda não encontraram o meu blog pra zoar então por enquanto sou livre desse problema.

4) Pretende mudar algo no blog em 2013?
Já mudei layout, um pouco da proposta, mas principalmente vou viver mudando ele pro que necessitar, quero que ele seja eternamente essa metamorfose ambulante.

5) Já ficou sem inspiração para postar? Como superou isso?
Não superei, acabei ficando semanas longe dele. No fim, foi um improviso que gerou a volta e gostei, porque deu outro tom à brincadeira. De vez em quando me acontece, espero que cada vez menos.

6) O que gosta de fazer quando está no computador?
Muita coisa, desde ler e escrever, a jogos de computador, o que me consume muito tempo. Na realidade, por gostar de trabalhar COM ele, passo tempo demais, e nesse tempo acabo minerando vários links legais que distribuo. Com isso tenho muita cultural aleatória e divertida.

7) Quantos livros você lê por mês?
Já li até três ao mês, hoje leio um com sorte.

8) Quantos blogs visita todos os dias?
Perco a conta, principalmente porque vários deles não são marcados como blogs nos meus favoritos e acabo nem percebendo até linkar e aparecer Blogspot, Wordpress e coisas assim.

9) Qual blog visita todos os dias?
No mínimo os que têm atualização mais frequente, como as tirinhas do Um Sábado Qualquer e nem tão frequentes assim do Puny Parker.

10) Quanto tempo você está na blogosfera?
Oficialmente desde 2006, na faculdade, mas com este projeto e tentando torná-lo melhor, desde 2012.

11) Você se inspira em outro blog? Qual?
Muitos, mas sem pensar no assunto. É que qualquer coisa que eu ache divertida eu acabo marcando pra usar depois, e ás vezes esqueço de onde vieram.

Os Blogs
PS: Estou linkando para que conheçam, eles não são obrigados a participar. Saavy?
Futurantiqua
Manual Prático de Bons Modos em Livrarias
O Leiturista
Quiet Things That No One Never Knows
Blog do Amer
Diário de Bordo do Youkai
Eletrônica Cia dos Games