sábado, 13 de julho de 2013

TAG: Conhecendo o blog

AVISO: Esse era um texto de ontem que eu trouxe para hoje com o meu DeLorean. Por conta disso, alguns links do final SUMIRAM, ou seja, só sobraram cinco recomendações! Ai, que droga...

Conheço essas correntes de tempo, mas como nunca fui marcado (ou se fui, não percebi, ixi!), também nunca precisei compartilhá-las, mas fico honrado em estar aqui dessa vez passando adiante! Claro, culpa da minha noiva, aquela destrambelhada da Ann que resolveu me incluir na brincadeira. Então, aqui vamos nós, mas primeiro...

As Regras

* Os blogs participantes devem responder 11 perguntas;
* Estes terão que indicar 10 blogs;
* E os escolhidos devem ter poucos membros, pois essa tag sugere que blogs menores possam ser mais conhecidos.

As Perguntas

1) Como escolheu o nome do blog?
Foi tão difícil quanto fácil. Difícil porque a escolha de palavras demorou mais tempo do que a ideia que queria passar, e pra variar ficou ENORME (desculpem por isso!). Mas também fácil porque a temática tinha que refletir uma imagem que venho construindo há algum tempo. Agora, se a ideia funcionou, aí são outros trezentos...

2) Quanto tempo se dedica ao blog?
Muito menos do que gostaria, MESMO, mas mais do que já me dediquei a outros projetos, principalmente porque é mais tranquilo postar aqui. Atualmente estou em uma a duas postagens por semana e espero que ainda esteja assim em, sei lá, Agosto?

3) Já teve algum problema com comentários de anônimos no blog? O que?
Tenho tão pouco comentário que isso seria um milagre! Tá, sem xororô, acho que os anônimos sem graça ainda não encontraram o meu blog pra zoar então por enquanto sou livre desse problema.

4) Pretende mudar algo no blog em 2013?
Já mudei layout, um pouco da proposta, mas principalmente vou viver mudando ele pro que necessitar, quero que ele seja eternamente essa metamorfose ambulante.

5) Já ficou sem inspiração para postar? Como superou isso?
Não superei, acabei ficando semanas longe dele. No fim, foi um improviso que gerou a volta e gostei, porque deu outro tom à brincadeira. De vez em quando me acontece, espero que cada vez menos.

6) O que gosta de fazer quando está no computador?
Muita coisa, desde ler e escrever, a jogos de computador, o que me consume muito tempo. Na realidade, por gostar de trabalhar COM ele, passo tempo demais, e nesse tempo acabo minerando vários links legais que distribuo. Com isso tenho muita cultural aleatória e divertida.

7) Quantos livros você lê por mês?
Já li até três ao mês, hoje leio um com sorte.

8) Quantos blogs visita todos os dias?
Perco a conta, principalmente porque vários deles não são marcados como blogs nos meus favoritos e acabo nem percebendo até linkar e aparecer Blogspot, Wordpress e coisas assim.

9) Qual blog visita todos os dias?
No mínimo os que têm atualização mais frequente, como as tirinhas do Um Sábado Qualquer e nem tão frequentes assim do Puny Parker.

10) Quanto tempo você está na blogosfera?
Oficialmente desde 2006, na faculdade, mas com este projeto e tentando torná-lo melhor, desde 2012.

11) Você se inspira em outro blog? Qual?
Muitos, mas sem pensar no assunto. É que qualquer coisa que eu ache divertida eu acabo marcando pra usar depois, e ás vezes esqueço de onde vieram.

Os Blogs
PS: Estou linkando para que conheçam, eles não são obrigados a participar. Saavy?
Futurantiqua
Manual Prático de Bons Modos em Livrarias
O Leiturista
Quiet Things That No One Never Knows
Blog do Amer
Diário de Bordo do Youkai
Eletrônica Cia dos Games 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Uma bela imagem

Eu não tinha NADA preparado pra hoje, nem ao menos uma linha que pudesse me dar um texto descente. Mas daí, subitamente, uma Wild Ariana me aparece com uma imagem que simplesmente desperta uma ideia que não poderia perder e dá-lhe página em branco do Word! Conclusão? Um conto novo, quentinho, para vocês aqui. E é um que eu realmente gostei de fazer. Espero que gostem! A imagem que gerou tudo está ao fim do texto e vocês vão entender o porquê.

A Mulher na Cripta

Noites de tempestade são extremamente desagradáveis, e não falo isso por ser um adepto de sair e me divertir, mas porquê trabalho com filmes e não há nada pior do que gravar de noite e ficar com medo de a energia acabar e nos vermos com horas de trabalho perdido. Seria mais simples se tivéssemos um bom orçamento mas, já que filmamos terror quase classe C, então não posso mesmo pensar em ter um estúdio e equipamento de ponta. Fico muito feliz por ter uma câmera e bastões de luz suficientes para conseguir fazer uma cena no meio do cemitério.
A tal cena, aliás, é o grande problema. A chuva cai e já inunda tudo do lado de fora do mausoléu que invadimos para filmar e eu acho que os cabos, que o nosso único técnico de filmagem, som e qualquer coisa que não seja principal, colocou em cima de alguns túmulos, já devem estar debaixo d’água, então em breve é capaz de eu acabar me juntando aos defuntos por eletrochoque. E pra finalizar, nossa atriz principal está fazendo doce no “camarim” improvisado, uma tenda que conseguimos montar no morrinho do lado de fora.
O rolo é com o maldito figurino e eu sempre soube que ele causaria atrito entre ela e o roteirista depravado que o diretor arranjou. Desde o primeiro dia ele veio com ideias que envolviam mulheres nuas, cenas de soft porn, sangue tipo catchup, cabeças decapitadas e um vampiro carniceiro, do tipo que faria Freddie Krueger se orgulhar de ter como professor. Era mais do que o necessário para a namorada do técnico, que foi a única garota a aceitar se meter nessa treta, começar a ter chiliques e ameaçar desistir várias vezes.
Agora ela estava lá, sendo convencida pelo namorado super seguro de que aquele biquíni obsceno tampava o suficiente para ela poder vestir branco quando casassem e que estava tão escuro que era capaz de ninguém notar que era ela. Eu confirmo essa informação, com a precariedade do material e a maquiagem enjambrada, eu poderia dizer que era a Madonna ou a Adele sem medo de errar. E claro, não me importaria em descobrir o que há por trás dos dez quilos de roupa fechada que ela usa. Dependendo do caso, poderia valer todo o esforço.
- Ei, John. – me chama o diretor. – Vem cá um minutinho?
- Fala, Arthur. – respondo, me aproximando, e percebo que ele treme muito.
- Cara, me quebra um galho? Acabei de ouvir, houve uma espécie de acidente perto de casa. Duas gangues brigando, algo assim. Pessoas ficaram muito feridas. Meu pai é policial, ele tava de ronda... Eu preciso ir...
- Claro! Vai lá! A gente pode parar a filmagem, não fica...
- Não! Paguei muito caro no aluguel, a guria tá quase caindo fora e se a gente sair agora, capaz de não conseguir invadir isso outro dia. Precisa ser agora!
- Tá, tá, eu faço tudo aqui. Só leva aquele maluco do roteiro junto pra te dar uma mão. Senão é capaz de eu encher ele de porrada.
- Tudo bem, valeu, você é um grande amigo.
E sai levando o Abraham juntos. Acabamos ficando só eu, o técnico e a namorada dele. Começo a arrumar tudo, imaginando o que poderia dar errado ou quanto tempo mais eles iriam demorar quando escuto o som de abrindo a porta e o barulho do vento lá fora. Não há nenhum passo na escada, mas eu consigo escutar o som de véus arrastando nos degraus. Quando me viro, me deparo com uma Lúcia completamente paramentada, em um biquíni que faria as garotas daqueles programas de tevê corarem e um roupão transparente que não deixa dúvidas a como ela é gostosa. Engulo em seco e ela sorri, e é um sorriso lindo. Paro pra pensar em como o técnico é sortudo, em como ela faz pra esconder tudo isso e em que estamos sozinhos, o que é extremamente perigoso. Até os caninos falsos ficaram perfeitos.
- Ok, vejo que está pronta. Podemos começar? – e ela concorda muda. – Como a gente disse antes, essa é uma cena simples. Você precisa andar pela cripta, parar na frente do caixão que está ali e começar a chorar. Eu vou cortar, mudar o ângulo e mostrar lágrimas de sangue que eu tenho aqui no bolso. Não vai doer nem nada, é só um corante pra derramar perto dos olhos. Aí paro de novo, você dá um berro e fechou por aqui. As externas a gente pode filmar depois, e você não precisa aparecer. Fechou?
Ela simplesmente abre outro sorriso que me deixa desconjuntado. Que mulher maravilhosa, e aquele namorado nada ciumento não estava agora ali para aproveitar a visão. Tá, tudo bem, provavelmente ele a veria depois em casa e acho que o biquíni vai acabar ficando pra eles, mas... Nada vai me estragar o momento. Levanto a câmera e ela faz seus movimentos, muito suaves, parando exatamente no ponto certo. Não precisaríamos repetir a cena. Em seguida eu mudo de posição para colocar as lágrimas falsas e esbarro em sua pele, gelada, provavelmente pelo tempo ruim.
- Desculpa mesmo pela escrotice do Abraham. Vou falar pro Will que ele nunca mais deve escrever nada pra gente. É só que agora... Não dá pra mudar, entende?
Pelo olhar ela deixou de ligar há muito tempo e até mesmo parece estar se divertindo. Minha mão acaba deslizando pela face dela e fico parado, alguns segundos, o que provavelmente vai render comentários depois dela com o Morrisson. Afasto-me e gravo aquelas lágrimas falsas escorrendo e elas demoram tanto pra descer e parecem em tanta quantidade que até me assusto, como se ela estivesse chorando de verdade. E mais uma vez troco de posição e a filmo gritando, e o que vem em seguida nunca mais vou esquecer. O grito é como o de uma banshee e posso dizer que até mesmo quem estava longe do cemitério pode ouvir. É profundo, amargurado e realmente triste.
E finalmente, as coisas ficam estranhas de vez, mas não paro de filmar. O caixão simplesmente se abre e sai alguém de lá, e é um homem. Nesse momento eu estou pensando em como esses filhos da puta armaram para cima de mim e colocaram o Morrison lá dentro sem que eu visse e agora estavam me deixando morrendo de medo. Ele puxa Lúcia para si e dá o beijo mais arrepiante da minha vida, que me deixa aterrorizado e excitado ao mesmo tempo. Eles se afastam e ela vem até mim e também me beija, mas mais delicada, como uma despedida. Em seguida eles saem, e eu posso jurar que a tempestade parou por um segundo e escutei risadas macabras. Eu demoro muito tempo pra me mexer e desligar a câmera e então subir as escadas correndo.
Lá fora a chuva é torrencial, posso ver os clarões ao longe onde caem os raios e até mesmo um incêndio, talvez provocado por um deles. Na tenda, Morrison e Lúcia parecem discutir e ela está com o casaco dele. Ando até eles para tirar satisfações quando percebo algo caído no chão, o biquíni dela solto, uma peça abandonada. Pego-o e entro na tenda.
- Ei, vocês dois! Que ideia foi aquela de improvisar na cena? Sabe como vocês me deixaram assustado? E ainda jogaram o biquíni na lama! E se tiver que filmar de novo?
- Que história é essa, cara? A gente tava discutindo agora mesmo porque ela tinha jogado o biquíni fora de raiva e achamos que não ia dar mais pra filmar!

A resposta me deixa encucado, será que eles continuam com a brincadeira? Só então percebo que a Lúcia sentada ali e encolhida está tremendo de frio e tem grandes olhos azuis focados em mim e os olhos da mulher na cripta eram negros. Negros como a noite de tempestade.

Venha a mim, meu pobre mortal.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Essa batalha não é minha

Aproveitando que hoje eu resolvi mudar tudo por aqui (logo os textos anteriores vão seguir o padrão deste aqui e tudo ficará bonito), eu trouxe um texto novo, para comemorar as mudanças em grande estilo. Pra dizer a verdade, tanto o título quanto as primeiras palavras do conto vieram ao mesmo tempo e eu não fazia ideia do que faria com o soldado sem nome que as proferiu ou quem realmente seria ele, e no fim, acho que a frase que usei pra esse post representa tudo, é exatamente o pensamento do personagem e de quem está lendo.

PS: Milhares de agradecimentos à Ann, que me ajudou a editar todo o blog hoje!

Sangue e Terra



Sangue e terra. Quando se está no meio de um combate, principalmente um que faz parte de uma longa guerra, é o gosto mais comum, sangue do seu oponente e a terra que você come quando se joga no chão para fugir de um ataque. Torça para nunca ser o seu sangue e o da terra que você afunda o rosto depois de ser acertado ou não haverá vinho depois para tirar o gosto horrível da boca.
Somos soldados, soldados impossíveis de serem derrotados, de acordo com nosso tenente, e devemos ir ao combate todo dia santo para que eles continuem santos. Bom, se somos invencíveis não sei, mas já tivemos mais de mil baixas desde que chegamos no mês passado, a maioria por doenças e a praga, e estamos com apenas dois terços do exército pronto para a batalha. Se continuarmos assim, nosso tenente terá que mudar o lema. Se ele sobreviver, é claro.
Se me dissessem que esta seria minha perspectiva de vida há dois, três anos atrás, não teria me tornado escudeiro de Sir Jordan Miguel. Não que tivesse uma opção melhor em minha terra, com todo aquele trabalho braçal nos campos e a esperança de conhecer a mais longe fronteira que nós poderíamos chegar, que era a cidade vizinha, Layden. Mas quem sabe, com sorte, eu conseguiria fugir com os ciganos quando nos visitassem de novo e hoje estaria dentro da fortaleza de Mayan, e não do lado de fora comendo pão preto e tomando água suja. Pela Deusa, é possível que isto nem água seja, a latrina está bem próxima do poço!
Subitamente, um estrondo interrompe meus devaneios e eu vejo um dos muros de sacas ruir. Nosso capitão, Sir Kingstone, avisou três vezes já que enquanto não fizéssemos uma paliçada e enviássemos um pequeno grupo buscar reforços e suprimentos, mais vezes receberíamos más notícias. Talvez ele fosse ouvido se não soubéssemos que ele queria liderar esse contingente e fugir o mais rápido possível da péssima ideia que era tentar invadir a instransponível Mayan, com seus muros de pedra de cinco mil anos. O cheiro de pólvora explicou a presença de uma pesada pedra, talvez de uma das grossas camadas dos muros da cidade, bem no meio da cabana do capitão Kingstone. Acho que alguém concordaria com a ideia dele agora.
Stevens, meu colega de tenda e a pessoa mais bem humorada que você poderia encontrar no meio daquela chacina, pôs a cabeça pra fora para ver o estrago imenso no meio do acampamento. Mordendo uma fatia de pão de rosca, branquinho e até com alguns temperos, ele abriu um sorriso medonho, do tipo que ele fazia antes de uma de suas fantásticas anedotas.
- Sabe, com mais uma dúzia dessas a gente já pode começar a construir um muro que nem o deles. – e mordeu mais um naco do pão, que me fazia aguar a boca.
Seria muito mais feliz se, como Stevens, eu tivesse a cara de pau de usar alguns contatos para me arranjar confortos. Quase ninguém comia bem no acampamento, e posso jurar que Stevens é o único soldado raso que já provou um bom gole de cerveja por aqui. Além disso, tínhamos sérias restrições quanto à presença de mulheres em nossas tendas, o que não me impediu de calmamente ser expulso para fora quando uma das garotas surgia para “tratar das feridas do soldado Stevens”. Se ele não fosse tão feio, diria que tinha sido seu charme, mas sabia que era a gorda sacola de moedas de prata que ele guardava em algum canto da minúscula tenda e que já havia ameaçado cortar fora meus dedos se eu procurasse.
Sinceramente, Stevens que se exploda. Ele, Sir Jordan Miguel e o finado Sir Kingstone. Um mês de luta todo dia, de cavar trincheiras e covas, de atirar contra os barris de pólvora para que eles explodam na parte de baixo dos muros, onde é mais frágil, e de ter que costurar e carregar corpos para longe do campo de lama, assim outros soldados podem ir morrer lá. Nada disso valia a pena por míseras cinco moedas de ouro por mês. Aliás, moedas que, infalivelmente, começaram a sumir depois de um tempo, já que eles foram obrigados a baixar nosso soldo quando a guerra realmente estourou. Se agora eu visse ao menos uma delas quando recebesse o soldo, seria uma imensa alegria e motivo para festa.
Sol ardente, falta de água e ainda o pão ruim, tudo isso nos faz pedir, quase implorar por uma boa noite de sono, para que possamos, nem que seja em sonhos, ter uma vida menos miserável. E isso me lembra as missas do vigário. O bastardo deve ter realmente algum contrato com Deus, ou quem sabe um pacto com o Diabo, a única explicação para ainda estar vivo. Diferente de nós, ele veste apenas sua túnica, que ainda assim deve ser mais quente que o fogo do Inferno, e vive embaixo de sol, chuva e o que vier, pregando para nós, abençoando nossas tendas e armas e também a comida dada pelo Senhor, aleluia!
Se isto é o máximo que vou ganhar Dele, talvez seja uma boa me converter pra religião de nossos inimigos, porque parece que eles comem fartas refeições, tamanho lixo que é despejado pelos canos ao fim de uma semana. Lixo que acho que vira nossa comida nas ocasionais reuniões de sábado, quando comemos todos juntos esperando as novas ordens dos capitães. Eu posso atirar em qualquer um, até mesmo em mim, se me render uma folga para não ter que aguentar o sermão do padre Highson e sua voz embargada de fé e do maldito vinho que aparentemente é seu combustível para a lenga-lenga que escutamos sempre.
Subitamente, ouço mais um daqueles tiros e espero pelo barulho de mais uma tenda esmagada. Mordo um grande pedaço do pão velho, sentindo um gosto novo, peculiar, de sal, mas um sal diferente. De repente sinto o vinho, ou algo que deve ser como isso, muito doce, e que vem em fartos goles. Sinto meu corpo adormecer, e está tudo mais macio agora, como se tivesse finalmente recebido a cama que mereço. Esse vinho é realmente muito bom, já que meu corpo parece nas nuvens. E o sal, diacho, esse sal me lembra algo. Um sal que escuto algumas vezes naquele papo do padre Highson, o que é mesmo? Ah sim, o Sal da Terra. Vejo então o que é minha deliciosa refeição. Sangue e Terra.

domingo, 7 de julho de 2013

Um Dia de Fúria

Não posso explicar (parte por não saber como, parte por não querer entender como), mas tem horas que um lado meu se mostra, e é um psicótico levemente sádico que gosta muito de uma tendência ao drama, e este lado veio até mim hoje e disse: "Cara, se não escrever isso, eu te encho de porrada". Fico feliz que foi fácil negociar e pude jogar tudo para fora antes que eu próprio me mutilasse. Infelizmente, há ainda resquícios da ira dele em mim, e talvez eu esteja mais ácido, mais maldoso, mas principalmente mais nervoso. Há muito a vir por aí, e a fúria só cresce, inflama...

Enquanto isso, fiquem com meu momento angst. Talvez vocês se identifiquem nessa raiva maligna... Talvez vocês até mesmo a perdoem e compreendam. Mas, por favor, mantenham-se longe. É preciso cuidado!

Eu contra meu mundo

Eu juro que não queria ser uma fera revoltada
Que briga com a vida, com minha mente o tempo todo
Mas o meu inimigo não tem forma, é um sentimento
Um fogo solar que me consome por dentro
E nada mais resta de mim para me reconstruir

Sei que várias vezes eu tentei mudar
Apelei para bruxaria, para religião e até pensei em me matar
Mas claro, covarde que sou, nenhuma opção foi real
E no fim, eu ainda estava lá, esbravejando para o mundo
Sou somente eu ou realmente está quente aqui?

Talvez você não me entenda, talvez me entenda bem
Eu não sei, não quero mais discutir
Cansei de ouvir e falar, e gritar e me abaixar
Até mesmo cansei de dizer que esse não sou eu
Aqui, sozinho, percebo que foi tudo eu, eu, eu

Não estou completamente errado, mas não estou bem certo
Deveria talvez ter escolhido um caminho mais reto
Teria escolhido a princesa ou o dragão? Não sei, não sei
Mas com certeza, não teria escolhido a solidão
Aqui, diante do abismo, ele me olha de volta, e eu não sei se estou feliz com isso

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Prometheus

Existem coincidências e coincidências. Hoje mesmo assisti um vídeo (falo sobre ele ao final do texto, esperem até lá!) e quando fui escolher o conto que iria publicar, acabei lembrando exatamente do que vi, e isso gerou um riso involuntário aqui. Francamente, existem comédias que a gente produz sem querer, na boa. Esse conto, por exemplo, não começou exatamente como uma comédia, mas com uma frase que eu queria colocar em um diálogo. E então foi surgindo e surgindo e acabou saindo meu primeiro conto engraçado BOM, o que é uma raridade e por isso eu tinha o DEVER de divulgá-lo. Se ficou realmente BOM quem decidirá são vocês!

Sim, Senhor!



- Senhor?
- Aaah-AAAAAH!
- Senhor?
- Igor, pela Ciência, já lhe disse para não me assustar assim!
- Senhor, o experimento acordou, eu acho que...
- Como? Já? Mas, ainda não se passou nem um dia! Diacho, Igor, eu lhe disse que desse os sedativos na ordem certa!
- Então, senhor, eu realmente dei. Na verdade, faz menos de meia hora que dei a nova dose.
- E ela já está de pé? Eu não estou pronto! Igor, vá buscar meu terno!
- Mas senhor...
- VÁ!
- Como pode? Eu tenho certeza de que os tranquilizantes a deixariam dormindo até a hora que estivesse tudo preparado. Ainda tenho que fazer a janta, e tenho que tomar um banho! Não, não dá tempo pro banho, usarei aquele perfume francês que Mamã me deu de Natal. Ah sim, aqui está. ARGH! Isso fede! Mas, com certeza é melhor do que o cheiro das máquinas. E o local? Eu ainda estava pensando se usava a velha sala de jantar ou o calabouço, e agora? O que ela achará mais confortável? Pela Ciência, como está tudo dando...
- Senhor?
- IGOR! Se entrar mais uma vez me assustando, eu lhe darei um murro!
- Vai doer mais no senhor do que em mim, mestre.
- Verdade, eu sou muito fraco. Já sei! Mandarei você bater em si mesmo!
- Ideia brilhante senhor. Aqui está o terno que me mandou buscar.
- Ótimo. Perfeito! Fan... Igor?
- Sim, mestre?
- Por que há um buraco enorme nas costas do terno?
- Lembra, mestre, que o senhor usou este terno para ir à convenção dos cientistas malucos no ano passado e saiu de lá correndo dos tomates?
- Sim...
- E que em seguida o senhor achou que o terno estava estragado e tentou usá-lo para vestir o seu monstro... Digo, seu protótipo, o qual o rasgou prontamente? (O que foi uma sorte, porque o queimamos em seguida)
- Sim...
- Então. Quando, na segunda-feira, o senhor pediu que eu cortasse um pouco de tecido para fazer de pano para colocar o frasco do cérebro fresco e trazê-lo para cá, usamos o pedaço que estava ruim do terno e seria tirado de qualquer jeito.
- Está me dizendo que não tenho mais nenhum terno?
- Bom, sim...
- IGOR, SEU PASPALHO INÚTIL!
- Ma-mas, mestre, foi o se...
- Não me venha com desculpas, sua anta superdesenvolvida! Vá me buscar uma roupa, qualquer roupa decente e me faça a janta! Em quinze minutos!
- Ora, bolas, ele estraga o terno e eu que...
- O QUE ESTÁ RESMUNGANDO AÍ? VÁ DE UMA VEZ!
- Sim, mestre! (Eu ainda me demito...)
- Este Igor, francamente. Destrói meu terno e ainda me vem com historinhas... Como se eu, um grande cientista e ganhador do prêmio Nobel (retirado depois por uma calúnia... Eu não preciso desses fanfarrões hipócritas), seria capaz de algo tão idiota! Igor, Igor... Tem sorte por ser sobrinho da empregada da tia em segundo grau da minha Mamã, senão...
- Ahn, senhor?
CRASH! TOMP! BOOM!
- E QUANDO VOLTAR A SUBIR AS ESCADAS, BATA NA PORTA, GIGANTE IMPRESTÁVEL!
TOC! TOC! TOC!
-Entre, Igor.
- Senhor, só vim avisá-lo (ai, minha coluna) que o seu experimento (acho que torci o tornozelo) está acordado.
- Susan, Igor.
- Como, senhor?
- O nome dela é Susan.
- O senhor tem certeza que é ela?
- Como se atreve, Igor?
- Mas ela tem barba!
- Bem, era o único queixo disponível...
- E posso jurar que as mãos dela são maiores que as minhas!
- Só tinha um pouco da única mulher no local...
- E as pernas dela são peludas!
- Ora, mas o que você queria que eu fizesse com meio corpo de mulher, cabeça de padre, braços de jogador de basquete e as pernas de um motoqueiro bêbado?
- Não era melhor esperar para semana que vem, senhor?
- Mas Mamã vem me visitar hoje.
- E o que tem isso senhor?
- Hunfhunfhunf...
- Eu não entendi senhor.
- HUNFHUNFHUNF...
- Senhor?
- EU FALEI PRA ELA QUE TINHA UMA NAMORADA!
- ...
- ...
- ...
- ...
- Senhor?
- Sim, Igor?
- Era melhor ter roubado um urso do zoológico e ter colocado em um vestido.
- Igor?
- Sim?
- VÁ FAZER O JANTAR!
- Eu juro que não entendo esse homem, tão inteligente, mas também tão burro...
- Ah, Igor, como se fosse fácil. Bem, ainda bem que Mamã é quase cega, coitadinha, e também um pouco surda, e se eu der sorte, os remédios para que ela durma vão funcionar rapidinho e antes da sobremesa ela já ter apagado. Oh, aqui está você, Sus... IGOR!
- Sim, mestre?
- AAH! Você estava me esperando chamar?!?
- Não, eu só estava...
- Deixe para lá! Igor, por que você não me disse que ISSO tinha acontecido?
- Bem, eu achava que era parte do projeto...
- Parte do projeto? PARTE DO PROJETO?!? IGOR! Você viu meus desenhos, acha que eu queria ISSO?
- Não, mas... Considerando a visita da sua mãe...
- Não fale isso! ARGH! Só falta ela chegar agora!
DING! DONG!
- Igor... Diga que é uma testemunha de Jeová.
- Não, senhor. É sua Mamã.
- Abra a porta, Igor.
- Vitinho, quanto tempo! Mas como está gordinho! E forte! E seu cabelo está lindo!
- Senhora, eu sou Igor, o criado de seu filho.
- Sim, sim, Vitinho, eu sei, você puxou meu lado da família, não o do seu pai, que ficou careca, de bochechas de buldogue e usou dentadura antes dos trinta.
- MAMÃ, ELE FALOU QUE É O IGOR! EU SOU O VÍTOR!
- Ah, sim, sim! Hum, é, meu filho, você está bonzinho.
- Bonzinho, Mamã? Veja, eu ando malhando.
- É, estou vendo que você anda... É... É... Bom, e onde está aquela sua namorada?
- Ahn, eu vou buscá-la. Igor, leve-a até a sala de jantar!
- A sala de jantar, senhor? Mas eu achei que usaríamos o cala...
- Então a leve para lá!
- Ele sempre grita assim com você?
- Sim, senhora.
- O que disse?
- SIM, SENHORA!
- Não precisa gritar, eu não sou surda!
- Hunf... Senhora, fique aqui, que eu vou terminar de verificar a comida no forno, sim?
- Esse criado do meu filho é muito folgado... Gritando assim comigo, como se eu fosse ralé! Mas Vitinho realmente investiu nesse castelo, até colocou correntes nas paredes de decoração! E veja só, tem um esqueleto de mentira! E ali um espelho... Puxa, eu preciso mesmo depilar as pernas.
...
- IGOR! Você viu Susan?
- Não, senhor. Eu acabei de deixar sua mãe no calabouço e vim pegar a comida.
- PELA CIÊNCIA! Onde estará essa mulher?!?
- Se é que pode ser chamada de mulher...
- O QUE DISSE?
- Ah, perguntei se o senhor não gostaria de uma bebida.
- Eu nunca bebo, Igor! Só quando estou socializando!
- Ou seja, de segunda a sexta.
- COMO?!?
- Ah, comentei que talvez Susan esteja com sua Mamã.
- NÃO! Temos que ver isso já!
- Como quiser, senhor.
- Igor, eu por acaso estou vendo duplicado?
- Se o senhor estiver, eu também estou.
- Elas são...
- Iguaizinhas...
- Vitinho! Que surpresa maravilhosa! Eu adorei sua namorada! Pena que é tão tímida! Mas que lindo sorriso! E que pele sedosa!
- Igor?
- Sim, mestre?
- Eu vou aceitar aquela bebida... De preferência toda ela.


It's Aliiiiiiiive!

Como prometido, o link do vídeo do Quatro Coisas sobre Frankenstein, que ficou simplesmente ÓTIMO! Espero que vocês também aproveitem! A imagem aí de cima foi exatamente por causa do começo desse vídeo.