terça-feira, 9 de julho de 2013

Essa batalha não é minha

Aproveitando que hoje eu resolvi mudar tudo por aqui (logo os textos anteriores vão seguir o padrão deste aqui e tudo ficará bonito), eu trouxe um texto novo, para comemorar as mudanças em grande estilo. Pra dizer a verdade, tanto o título quanto as primeiras palavras do conto vieram ao mesmo tempo e eu não fazia ideia do que faria com o soldado sem nome que as proferiu ou quem realmente seria ele, e no fim, acho que a frase que usei pra esse post representa tudo, é exatamente o pensamento do personagem e de quem está lendo.

PS: Milhares de agradecimentos à Ann, que me ajudou a editar todo o blog hoje!

Sangue e Terra



Sangue e terra. Quando se está no meio de um combate, principalmente um que faz parte de uma longa guerra, é o gosto mais comum, sangue do seu oponente e a terra que você come quando se joga no chão para fugir de um ataque. Torça para nunca ser o seu sangue e o da terra que você afunda o rosto depois de ser acertado ou não haverá vinho depois para tirar o gosto horrível da boca.
Somos soldados, soldados impossíveis de serem derrotados, de acordo com nosso tenente, e devemos ir ao combate todo dia santo para que eles continuem santos. Bom, se somos invencíveis não sei, mas já tivemos mais de mil baixas desde que chegamos no mês passado, a maioria por doenças e a praga, e estamos com apenas dois terços do exército pronto para a batalha. Se continuarmos assim, nosso tenente terá que mudar o lema. Se ele sobreviver, é claro.
Se me dissessem que esta seria minha perspectiva de vida há dois, três anos atrás, não teria me tornado escudeiro de Sir Jordan Miguel. Não que tivesse uma opção melhor em minha terra, com todo aquele trabalho braçal nos campos e a esperança de conhecer a mais longe fronteira que nós poderíamos chegar, que era a cidade vizinha, Layden. Mas quem sabe, com sorte, eu conseguiria fugir com os ciganos quando nos visitassem de novo e hoje estaria dentro da fortaleza de Mayan, e não do lado de fora comendo pão preto e tomando água suja. Pela Deusa, é possível que isto nem água seja, a latrina está bem próxima do poço!
Subitamente, um estrondo interrompe meus devaneios e eu vejo um dos muros de sacas ruir. Nosso capitão, Sir Kingstone, avisou três vezes já que enquanto não fizéssemos uma paliçada e enviássemos um pequeno grupo buscar reforços e suprimentos, mais vezes receberíamos más notícias. Talvez ele fosse ouvido se não soubéssemos que ele queria liderar esse contingente e fugir o mais rápido possível da péssima ideia que era tentar invadir a instransponível Mayan, com seus muros de pedra de cinco mil anos. O cheiro de pólvora explicou a presença de uma pesada pedra, talvez de uma das grossas camadas dos muros da cidade, bem no meio da cabana do capitão Kingstone. Acho que alguém concordaria com a ideia dele agora.
Stevens, meu colega de tenda e a pessoa mais bem humorada que você poderia encontrar no meio daquela chacina, pôs a cabeça pra fora para ver o estrago imenso no meio do acampamento. Mordendo uma fatia de pão de rosca, branquinho e até com alguns temperos, ele abriu um sorriso medonho, do tipo que ele fazia antes de uma de suas fantásticas anedotas.
- Sabe, com mais uma dúzia dessas a gente já pode começar a construir um muro que nem o deles. – e mordeu mais um naco do pão, que me fazia aguar a boca.
Seria muito mais feliz se, como Stevens, eu tivesse a cara de pau de usar alguns contatos para me arranjar confortos. Quase ninguém comia bem no acampamento, e posso jurar que Stevens é o único soldado raso que já provou um bom gole de cerveja por aqui. Além disso, tínhamos sérias restrições quanto à presença de mulheres em nossas tendas, o que não me impediu de calmamente ser expulso para fora quando uma das garotas surgia para “tratar das feridas do soldado Stevens”. Se ele não fosse tão feio, diria que tinha sido seu charme, mas sabia que era a gorda sacola de moedas de prata que ele guardava em algum canto da minúscula tenda e que já havia ameaçado cortar fora meus dedos se eu procurasse.
Sinceramente, Stevens que se exploda. Ele, Sir Jordan Miguel e o finado Sir Kingstone. Um mês de luta todo dia, de cavar trincheiras e covas, de atirar contra os barris de pólvora para que eles explodam na parte de baixo dos muros, onde é mais frágil, e de ter que costurar e carregar corpos para longe do campo de lama, assim outros soldados podem ir morrer lá. Nada disso valia a pena por míseras cinco moedas de ouro por mês. Aliás, moedas que, infalivelmente, começaram a sumir depois de um tempo, já que eles foram obrigados a baixar nosso soldo quando a guerra realmente estourou. Se agora eu visse ao menos uma delas quando recebesse o soldo, seria uma imensa alegria e motivo para festa.
Sol ardente, falta de água e ainda o pão ruim, tudo isso nos faz pedir, quase implorar por uma boa noite de sono, para que possamos, nem que seja em sonhos, ter uma vida menos miserável. E isso me lembra as missas do vigário. O bastardo deve ter realmente algum contrato com Deus, ou quem sabe um pacto com o Diabo, a única explicação para ainda estar vivo. Diferente de nós, ele veste apenas sua túnica, que ainda assim deve ser mais quente que o fogo do Inferno, e vive embaixo de sol, chuva e o que vier, pregando para nós, abençoando nossas tendas e armas e também a comida dada pelo Senhor, aleluia!
Se isto é o máximo que vou ganhar Dele, talvez seja uma boa me converter pra religião de nossos inimigos, porque parece que eles comem fartas refeições, tamanho lixo que é despejado pelos canos ao fim de uma semana. Lixo que acho que vira nossa comida nas ocasionais reuniões de sábado, quando comemos todos juntos esperando as novas ordens dos capitães. Eu posso atirar em qualquer um, até mesmo em mim, se me render uma folga para não ter que aguentar o sermão do padre Highson e sua voz embargada de fé e do maldito vinho que aparentemente é seu combustível para a lenga-lenga que escutamos sempre.
Subitamente, ouço mais um daqueles tiros e espero pelo barulho de mais uma tenda esmagada. Mordo um grande pedaço do pão velho, sentindo um gosto novo, peculiar, de sal, mas um sal diferente. De repente sinto o vinho, ou algo que deve ser como isso, muito doce, e que vem em fartos goles. Sinto meu corpo adormecer, e está tudo mais macio agora, como se tivesse finalmente recebido a cama que mereço. Esse vinho é realmente muito bom, já que meu corpo parece nas nuvens. E o sal, diacho, esse sal me lembra algo. Um sal que escuto algumas vezes naquele papo do padre Highson, o que é mesmo? Ah sim, o Sal da Terra. Vejo então o que é minha deliciosa refeição. Sangue e Terra.

domingo, 7 de julho de 2013

Um Dia de Fúria

Não posso explicar (parte por não saber como, parte por não querer entender como), mas tem horas que um lado meu se mostra, e é um psicótico levemente sádico que gosta muito de uma tendência ao drama, e este lado veio até mim hoje e disse: "Cara, se não escrever isso, eu te encho de porrada". Fico feliz que foi fácil negociar e pude jogar tudo para fora antes que eu próprio me mutilasse. Infelizmente, há ainda resquícios da ira dele em mim, e talvez eu esteja mais ácido, mais maldoso, mas principalmente mais nervoso. Há muito a vir por aí, e a fúria só cresce, inflama...

Enquanto isso, fiquem com meu momento angst. Talvez vocês se identifiquem nessa raiva maligna... Talvez vocês até mesmo a perdoem e compreendam. Mas, por favor, mantenham-se longe. É preciso cuidado!

Eu contra meu mundo

Eu juro que não queria ser uma fera revoltada
Que briga com a vida, com minha mente o tempo todo
Mas o meu inimigo não tem forma, é um sentimento
Um fogo solar que me consome por dentro
E nada mais resta de mim para me reconstruir

Sei que várias vezes eu tentei mudar
Apelei para bruxaria, para religião e até pensei em me matar
Mas claro, covarde que sou, nenhuma opção foi real
E no fim, eu ainda estava lá, esbravejando para o mundo
Sou somente eu ou realmente está quente aqui?

Talvez você não me entenda, talvez me entenda bem
Eu não sei, não quero mais discutir
Cansei de ouvir e falar, e gritar e me abaixar
Até mesmo cansei de dizer que esse não sou eu
Aqui, sozinho, percebo que foi tudo eu, eu, eu

Não estou completamente errado, mas não estou bem certo
Deveria talvez ter escolhido um caminho mais reto
Teria escolhido a princesa ou o dragão? Não sei, não sei
Mas com certeza, não teria escolhido a solidão
Aqui, diante do abismo, ele me olha de volta, e eu não sei se estou feliz com isso

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Prometheus

Existem coincidências e coincidências. Hoje mesmo assisti um vídeo (falo sobre ele ao final do texto, esperem até lá!) e quando fui escolher o conto que iria publicar, acabei lembrando exatamente do que vi, e isso gerou um riso involuntário aqui. Francamente, existem comédias que a gente produz sem querer, na boa. Esse conto, por exemplo, não começou exatamente como uma comédia, mas com uma frase que eu queria colocar em um diálogo. E então foi surgindo e surgindo e acabou saindo meu primeiro conto engraçado BOM, o que é uma raridade e por isso eu tinha o DEVER de divulgá-lo. Se ficou realmente BOM quem decidirá são vocês!

Sim, Senhor!



- Senhor?
- Aaah-AAAAAH!
- Senhor?
- Igor, pela Ciência, já lhe disse para não me assustar assim!
- Senhor, o experimento acordou, eu acho que...
- Como? Já? Mas, ainda não se passou nem um dia! Diacho, Igor, eu lhe disse que desse os sedativos na ordem certa!
- Então, senhor, eu realmente dei. Na verdade, faz menos de meia hora que dei a nova dose.
- E ela já está de pé? Eu não estou pronto! Igor, vá buscar meu terno!
- Mas senhor...
- VÁ!
- Como pode? Eu tenho certeza de que os tranquilizantes a deixariam dormindo até a hora que estivesse tudo preparado. Ainda tenho que fazer a janta, e tenho que tomar um banho! Não, não dá tempo pro banho, usarei aquele perfume francês que Mamã me deu de Natal. Ah sim, aqui está. ARGH! Isso fede! Mas, com certeza é melhor do que o cheiro das máquinas. E o local? Eu ainda estava pensando se usava a velha sala de jantar ou o calabouço, e agora? O que ela achará mais confortável? Pela Ciência, como está tudo dando...
- Senhor?
- IGOR! Se entrar mais uma vez me assustando, eu lhe darei um murro!
- Vai doer mais no senhor do que em mim, mestre.
- Verdade, eu sou muito fraco. Já sei! Mandarei você bater em si mesmo!
- Ideia brilhante senhor. Aqui está o terno que me mandou buscar.
- Ótimo. Perfeito! Fan... Igor?
- Sim, mestre?
- Por que há um buraco enorme nas costas do terno?
- Lembra, mestre, que o senhor usou este terno para ir à convenção dos cientistas malucos no ano passado e saiu de lá correndo dos tomates?
- Sim...
- E que em seguida o senhor achou que o terno estava estragado e tentou usá-lo para vestir o seu monstro... Digo, seu protótipo, o qual o rasgou prontamente? (O que foi uma sorte, porque o queimamos em seguida)
- Sim...
- Então. Quando, na segunda-feira, o senhor pediu que eu cortasse um pouco de tecido para fazer de pano para colocar o frasco do cérebro fresco e trazê-lo para cá, usamos o pedaço que estava ruim do terno e seria tirado de qualquer jeito.
- Está me dizendo que não tenho mais nenhum terno?
- Bom, sim...
- IGOR, SEU PASPALHO INÚTIL!
- Ma-mas, mestre, foi o se...
- Não me venha com desculpas, sua anta superdesenvolvida! Vá me buscar uma roupa, qualquer roupa decente e me faça a janta! Em quinze minutos!
- Ora, bolas, ele estraga o terno e eu que...
- O QUE ESTÁ RESMUNGANDO AÍ? VÁ DE UMA VEZ!
- Sim, mestre! (Eu ainda me demito...)
- Este Igor, francamente. Destrói meu terno e ainda me vem com historinhas... Como se eu, um grande cientista e ganhador do prêmio Nobel (retirado depois por uma calúnia... Eu não preciso desses fanfarrões hipócritas), seria capaz de algo tão idiota! Igor, Igor... Tem sorte por ser sobrinho da empregada da tia em segundo grau da minha Mamã, senão...
- Ahn, senhor?
CRASH! TOMP! BOOM!
- E QUANDO VOLTAR A SUBIR AS ESCADAS, BATA NA PORTA, GIGANTE IMPRESTÁVEL!
TOC! TOC! TOC!
-Entre, Igor.
- Senhor, só vim avisá-lo (ai, minha coluna) que o seu experimento (acho que torci o tornozelo) está acordado.
- Susan, Igor.
- Como, senhor?
- O nome dela é Susan.
- O senhor tem certeza que é ela?
- Como se atreve, Igor?
- Mas ela tem barba!
- Bem, era o único queixo disponível...
- E posso jurar que as mãos dela são maiores que as minhas!
- Só tinha um pouco da única mulher no local...
- E as pernas dela são peludas!
- Ora, mas o que você queria que eu fizesse com meio corpo de mulher, cabeça de padre, braços de jogador de basquete e as pernas de um motoqueiro bêbado?
- Não era melhor esperar para semana que vem, senhor?
- Mas Mamã vem me visitar hoje.
- E o que tem isso senhor?
- Hunfhunfhunf...
- Eu não entendi senhor.
- HUNFHUNFHUNF...
- Senhor?
- EU FALEI PRA ELA QUE TINHA UMA NAMORADA!
- ...
- ...
- ...
- ...
- Senhor?
- Sim, Igor?
- Era melhor ter roubado um urso do zoológico e ter colocado em um vestido.
- Igor?
- Sim?
- VÁ FAZER O JANTAR!
- Eu juro que não entendo esse homem, tão inteligente, mas também tão burro...
- Ah, Igor, como se fosse fácil. Bem, ainda bem que Mamã é quase cega, coitadinha, e também um pouco surda, e se eu der sorte, os remédios para que ela durma vão funcionar rapidinho e antes da sobremesa ela já ter apagado. Oh, aqui está você, Sus... IGOR!
- Sim, mestre?
- AAH! Você estava me esperando chamar?!?
- Não, eu só estava...
- Deixe para lá! Igor, por que você não me disse que ISSO tinha acontecido?
- Bem, eu achava que era parte do projeto...
- Parte do projeto? PARTE DO PROJETO?!? IGOR! Você viu meus desenhos, acha que eu queria ISSO?
- Não, mas... Considerando a visita da sua mãe...
- Não fale isso! ARGH! Só falta ela chegar agora!
DING! DONG!
- Igor... Diga que é uma testemunha de Jeová.
- Não, senhor. É sua Mamã.
- Abra a porta, Igor.
- Vitinho, quanto tempo! Mas como está gordinho! E forte! E seu cabelo está lindo!
- Senhora, eu sou Igor, o criado de seu filho.
- Sim, sim, Vitinho, eu sei, você puxou meu lado da família, não o do seu pai, que ficou careca, de bochechas de buldogue e usou dentadura antes dos trinta.
- MAMÃ, ELE FALOU QUE É O IGOR! EU SOU O VÍTOR!
- Ah, sim, sim! Hum, é, meu filho, você está bonzinho.
- Bonzinho, Mamã? Veja, eu ando malhando.
- É, estou vendo que você anda... É... É... Bom, e onde está aquela sua namorada?
- Ahn, eu vou buscá-la. Igor, leve-a até a sala de jantar!
- A sala de jantar, senhor? Mas eu achei que usaríamos o cala...
- Então a leve para lá!
- Ele sempre grita assim com você?
- Sim, senhora.
- O que disse?
- SIM, SENHORA!
- Não precisa gritar, eu não sou surda!
- Hunf... Senhora, fique aqui, que eu vou terminar de verificar a comida no forno, sim?
- Esse criado do meu filho é muito folgado... Gritando assim comigo, como se eu fosse ralé! Mas Vitinho realmente investiu nesse castelo, até colocou correntes nas paredes de decoração! E veja só, tem um esqueleto de mentira! E ali um espelho... Puxa, eu preciso mesmo depilar as pernas.
...
- IGOR! Você viu Susan?
- Não, senhor. Eu acabei de deixar sua mãe no calabouço e vim pegar a comida.
- PELA CIÊNCIA! Onde estará essa mulher?!?
- Se é que pode ser chamada de mulher...
- O QUE DISSE?
- Ah, perguntei se o senhor não gostaria de uma bebida.
- Eu nunca bebo, Igor! Só quando estou socializando!
- Ou seja, de segunda a sexta.
- COMO?!?
- Ah, comentei que talvez Susan esteja com sua Mamã.
- NÃO! Temos que ver isso já!
- Como quiser, senhor.
- Igor, eu por acaso estou vendo duplicado?
- Se o senhor estiver, eu também estou.
- Elas são...
- Iguaizinhas...
- Vitinho! Que surpresa maravilhosa! Eu adorei sua namorada! Pena que é tão tímida! Mas que lindo sorriso! E que pele sedosa!
- Igor?
- Sim, mestre?
- Eu vou aceitar aquela bebida... De preferência toda ela.


It's Aliiiiiiiive!

Como prometido, o link do vídeo do Quatro Coisas sobre Frankenstein, que ficou simplesmente ÓTIMO! Espero que vocês também aproveitem! A imagem aí de cima foi exatamente por causa do começo desse vídeo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Minha maga favorita

Hoje é um dia especial para mim, e achei que esse cantinho aqui seria perfeito para expressar isso, mesmo que esteja um pouco abandonado, mas é exatamente por ele ter sido criado por conta DELA que eu quero que ele marque esta data. Eu selecionei entre vários textos que escrevi para você, Ann Carnivalli, Ana Santos, Ana Carolina, Ann-chan e quantos outras formas eu puder te chamar, porque ele é tão fofo quanto você, e não posso deixar que você é como a Lozenge, uma maga linda que está lá, para me curar as feridas na hora certa, para me trazer um sorriso quando se esforça para ajudar e para me trazer risos quando, graciosamente, erra o timing, mas de forma que seja engraçada e divertida, e não triste... Eu poderia ter procurado tantas outras cartas no baralho, mas escolhi VOCÊ para me ajudar em todos esses momentos. Eu te amo e nunca se esqueça disso...

PS: E você também tem muito da Chocolat, um tanto tímida ás vezes, um tanto desconcertada em outras, atrapalhada muito tempo e com certeza fofíssima... E claro, tem aqueles momentos que você tenta me proteger, mas usa uma metralhadora e explode todo mundo... É, vocês são bem iguais!

Um Dia de Defesa Perfeita

Estava pra começar de novo. O túnel arroxeado abriu diante delas e Chocolat olhou para a grande maga. Ela estava altiva, preparada. Se fosse preciso, seria a próxima a entrar por lá, mas somente se fosse realmente preciso. Já falharam outras vezes antes, não poderiam fazer agora. Era necessário muito cuidado para que a ordem certa fosse cumprida. Viu que um grupo de freiras, cinco delas, saiu pela boca brilhante do túnel e mordeu os próprios dedos, preocupada. Estaria pronta quando fosse sua vez?
Sentiu o toque suave da mão da maga, ela sorriu para ela, fechando os olhos delicadamente. Era uma donzela, obstinada e forte, mas com aquele jeito meigo típico da realeza. Viu que a grande CEO Amaterasu estava próxima e ela parecia irradiar uma energia apaziguante também. A maga chamou-a para perto.
- Vossa majestade, acho que seria bom que dissesse novamente à pequena Chocolat o que ela deve fazer. Acredito que ela está um pouco preocupada, mas, é claro, essa enorme arma pode ter algo a ver com isso.
Amaterasu esboçou um alegre riso, ao mesmo tempo infantil e gostoso de ouvir. Chocolat percebeu que ela também era bem jovem e reparou em como parecia tão entrosada entre elas, mesmo que fosse de grau tão elevado.
- Minha querida, não se preocupe. Na hora certa você estará lá. Eu acredito em você. E então, escolherão você para defender-nos, eu sei que você impedirá qualquer ataque a mim.
Aquilo aqueceu o coração de Chocolat, que apertou os punhos, obstinada. Ela daria o melhor de si. De repente, Amaterasu encarou a saída, com uma expressão de espanto e divertimento.
- Ora, mas parece que já é minha vez. Espero vocês do lado de fora.
Enquanto saía, outras a olhavam, admiradas. A estátua de Apollon fez uma reverência cortez e os gêmeos voaram em volta dela, como que cumprimentando. Chocolat suspirou.
- Ela é tão bonita e poderosa. Quero ser assim algum dia.
- Você já é bem forte, Chocolat. Só não sabe disso ainda. Espere para ver quando estiver lá fora. Eu sei que as palavras da grande senhora Amaterasu não foram em vão.
A freirinha sorriu para a maga. De repente um alarme soou e os outros pareceram ficar em polvorosa. Chocolat conhecia aquele som, mas era extremamente perturbador. Olhou para Lozenge Magus, esperando que ela se mexesse, mas percebeu que de repente a maga estava congelada no meio do túnel.
- Lo... Lozenge?
Sem qualquer menção de se mexer. Chocolat notou que as mãos dela tremiam.
- Eu... Eu não estava prestando atenção antes. Não sei se é hora de ir ou não!
A boca de Chocolat escancarou. Começou a correr em círculos, gritando “E agora? E agora?”, até que uma mão segurou seu ombro. Sua companheira Cocoa a encarava com os olhos de raposa e o sorriso enviesado.
- Ei, ei, menininha, qual o problema?
- É... É a Lozenge! A gente não sabe se ela tem que sair agora ou não!
- Ora, mas é claro que sim! E quanto antes melhor! – respondeu a empolgada freira das facas.
- Ouviu, senhorita Lozenge? É sua vez! – gritou a baixinha.
Ao sinal, a maga correu para a saída, lançando-se no buraco sem pensar duas vezes. Uma outra freira, carregando um enorme machado, se aproximou das duas.
- Ahn... Por que a Lozenge deu no pé? Esse foi o primeiro ataque que passou. – disse, coçando a lateral do rosto.
Chocolat ficou atônita e encarou Cocoa, que parecia desconcertada.
- Er... Eu também não estava prestando a atenção.

A garota com a metralhadora deu um tapa na testa. É, pelo jeito ela teria muito trabalho pela frente.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os Quatro Eternos

Olha, admito que fiquei longe um tempo, mas me faltava inspiração para algo que realmente valesse a pena jogar para essa alcateia. Em uma caçada ontem acabei encontrando o que queria, e trago para vocês hoje meus quatro eternos, os espectros das maldades e bondades em meu coração e quem sabe nos de vocês também. Interpretem-nos como quiser, mas somos um e muitos...





O Pecador
Eu sou culpado
De todas as minhas mentiras
Não posso fugir do meu passado
Esconder no fundo do lago
Os meus desejos profanos
Pois de todo me sinto
Afundando em sonhos insanos
Sou realmente o mal
Forjado de um herói caído
Não me entenda errado
Não é como se tivesse traído
Ainda não fiz todos os meus pecados
Mas estou fadado a falhar
Já que pra estar jornada
O final feliz não vai chegar



O Salvador
São tantos caminhos
Que não posso escolher
Para poder salvar você
Trancou-me a laços de ferro
Linhas de vida que não entendo
Deixei que você caísse
Para que eu te levantasse
Mas isso não faz de mim santo
Ou de você uma vítima
Só sei que nada temerei
Enquanto eu puder lhe ajudar
Já que minha alma está plena
E eu ainda posso te perdoar



O Sonhador
O futuro me aguarda
Ele está ali, não tão longe
E eu posso toca-lo
Mesmo que isso me leve pra além
De todos os meus planos
É só querer
E eu posso, você vai ver
Duvide de mim o quanto quiser
Eu estou rindo de como estamos
E sei que nossos sonhos vão chegar
Pois o medo não vai poder me parar
Eu tenho forças se quiser lutar
E cola pra juntar tudo quando quebrar
Ela se chama esperança



O Fim
Doze badaladas
A última sentencia o final
Não há uma luz no fim do túnel para nós
Apenas um jogo de palavras brutal
O que dizer do nosso destino?
Eu teria previsto se fosse você
É óbvio que não temos o para sempre
Pois tudo sempre acaba
E mesmo sem querer
Deixamos para trás o que somos
Mas não finja
Que não sabia de tudo isso
Eu estou te esperando
Mesmo que não sobre nada
Eu continuarei te amando

Todas as imagens foram tiradas da página de rann-rann no DeviantArt e como esse projeto é maravilhoso, gostaria MESMO que tivesse como comprar esse baralho de arcanas do Tarot, porque gostei muito das imagens.