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quarta-feira, 25 de março de 2015

Ótimos personagens vão bem com qualquer coisa

Ontem, por influência da Ana, que também fez uma postagem em seu circo, eu acabei fazendo um texto emocionado com nossos personagens de Tormenta RPG, em história na qual EU sou o mestre... pra variar. Mas, excepcionalmente mesmo, ás vezes eu consigo ser jogador, e nessas raras ocasiões eu me empolgo MUITO com personagens que crio, dando a eles histórias mais complexas e, se puder, escrevendo sobre. Quem trago hoje é o Padre Thomas, um brujah da Idade Média que se embrenhou na igreja pra construir seu exército justo. Infelizmente pra ele, no meio do caminho, surgiu um...

Pequeno Incômodo

Eu senti a criatura antes de vê-la sair das sombras. Era pequena, de aparência ignóbil e provavelmente pareceria uma criança escrava não fosse o fato de ser feita de escuridão. Tomaria por uma ilusão facilmente. Veio rastejante, as garras esfregando no chão produzindo um som agudo e maldoso. Daria medo a provavelmente a maior parte dos devotos dessa igreja. Mas não a mim, principalmente porque de longe eu era mais forte do que ele.
Por seu tamanho e também por parecer um pouco confuso eu o domei facilmente, colocando meu joelho sobre sua... nuca? E seus braços pendiam quase imóveis esmagados pelo meu punho. Ele guinchou, aparentemente surpreso pela inversão de papéis.
- Ai, ui! Larga! LARGA!
- Vejo que fala minha língua, criatura abissal. O que me espanta mais até do que sua aparição.
- Ai! Solta, seu... seu... padre fajuto!
- Para um diabrete seu vocabulário de impropérios é bem limitado, não?
- Quer que eu xingue sua mãe? Se for pra me soltar posso até ofender seus futuros filhos!
- Eu estou morto, imbecil, e não, eu vou lhe manter preso.
- Você não pode fazer isso!... pera... você não pode mesmo... eu... posso ficar intangível!
E se livrou de mim, voltando a ser um espectro e se materializando próximo, mas com as mãos levantadas em defesa. Pelo jeito compreendeu que caso ficasse físico provavelmente eu o pegaria de novo. Mais esperto do que parece.
- Então... o que você quer em meus aposentos? Imagino que não tenha vindo para ser humilhado livremente... ou vocês, servos do demônio podem se dar a esse luxo?
- Sua alma, é claro! Eu poderia fazer um bom uso dela!
- Eu pensei ter perdido a alma quando fui transformado em um servo de Caim... você está me dizendo que ainda a tenho?
- Mas é claro! Acha que porque agora você rouba a dos outros você deixou de ter sua ligação espiritual com Deus? É uma alma bem sujinha, mas por que não? Ela vai servir pra cumprir minha cota!
- Você tem um linguajar estranho... e achei que não pudesse falar o nome do Senhor, mas bem... não terá minha alma, criaturinha tola. Ela me pertence e não vou cedê-la a um verme tão infeliz.
- Que maldade! Só porque eu sou pequeno... sofro muito por isso, viu?
- Oh, como lamento saber...! Agora deixe-me, preciso terminar uma carta para o príncipe de Yorkshire.
- Vejo que está ocupado, então vou... atrapalhar! – ele pulou de onde estava para cima da minha escrivaninha, derrubando a tinta sobre meus papéis – Ah, que desastrado! Veja o que fiz!
- Quer ser capturado novamente, seu imbróglio?
- Que palavra feia, padre! Talvez eu nem precise me esforçar muito pra ter sua alma.
- Tenho pena de você, demoninho... aparentemente não percebe sua insignificância. Se quiser me incomodar, fique à vontade, mas se ficar ao alcance da minha mão, parto-lhe em dois. Não desafie um brujah.
- Ah, que medo... epa!
Saltou antes que eu pudesse pegá-lo, mas ficou muito mais atento e também recolhido. Suas costas pareceram se fundir às sombras, como se fosse se tornar uma delas.
- Quase, padre!
- Eu lhe avisei.
- Ah, padre... não faça isso... vamos, temos que ser amigos... eu vou roubar sua alma algum dia.
- Precisará se esforçar muito para isso, janota.
- Ei, o que eu disse de palavras feias?
- Percebo que você não é muito culto, Astolfo.
- Como é?
- Se pretende continuar me perseguindo e não posso me livrar de você... apesar de que talvez eu ainda possa realizar um exorcismo... então quero lhe nomear. Sabe, nomes tem poder.
- Astolfo?
- Exato.
- Tá de sacanagem, né chefia?
- Se compreendi bem, sim, você merece um nome ridículo para acompanhar essa forma.
- Você diz... assim?
Astolfo se moldou, crescendo exponencialmente e ocupando um espaço maior da cela, mas não o suficiente para eu não perceber o truque. Sua constituição me pareceu a mesma, um tanto ampliada e portanto apenas ilusória. Falsa. E fraca.
- Continua servindo muito bem, Astolfo. Agora, saia de meus aposentos.
- Eu vou lhe esmagar, seu humano inútil!
- Nem que realmente houvesse ficado maior.
- Quer tentar! – e derrubou alguns livros meus – Vê?
- Regna terrae, cantate deo, psállite dómino...

Em instantes ele havia sumido, desaparecido completamente. Mas algo me dizia que ele voltaria para me atormentar em outro momento. Peguei outro pergaminho e uma nova pena com um tinteiro e voltei a escrever minha correspondência. No fundo, por mais chato que ele pudesse ser, ainda era insignificante demais para eu me importar. Por hora.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

4º Desafio - Ariana

Quase meia-noite, eu tive que correr para conseguir escrever, hoje foi um dia bem corrido para mim. Mas aqui está, o desafio da adorável Ari, que não foi tão difícil assim, e rendeu uma boa história. Espero que ela aprecie essa visitação à casa noturna que sua personagem Rosemary irá fazer, algum dia, no meu cenário de Vampiro, a Máscara. Fiz questão de escolher uma situação bem divertida para ela aproveitar. E claro, fazer uma certa propaganda dessa maravilhosa instalação. Aproveitem!

Belíssima imagem de uma dançarina daqui.
Fora da Rotina

A rotina no Rosa di Fiore pode se resumir a: Prepare-se para subir ao palco, ande entre os clientes, faça os serviços VIP e vá para casa depois. Raramente envolve algo mais perigoso como atender um assassino profissional com uma enorme cicatriz no rosto. Quando o gerente disse à Érica que havia um homem especial para ela, a garota pensou que fosse o jovem cavalheiro de olhos azuis que era grande amigo de sua patroa. Ao entrar na sala, um grandalhão careca e com cara de poucos amigos a encarou.
- Você é a garota que eles mandaram?
A pergunta parecia bem obtusa, com uma resposta muito óbvia, mas Érica demorou pra responder pela postura daquele homem. Mesmo usando terno e com uma maleta aparentemente bem cara, a expressão dele dá a entender que poucas pessoas poderiam chegar perto sem sofrerem lesões seríssimas.
- Ahn, sim... Eu vim lhe dar uma sessão super-especial. Disseram-me que o senhor é muito importante para nós e por isso vai receber uma atenção extra.
- Ótimo. Sente-se.
Esse era realmente um pedido estranho. Geralmente os homens, e até algumas mulheres, exigiam uma dança, um afago ou até algo mais íntimo, que seria muito bem pago depois. Sentar do lado era tão “normal” que Érica demorou a entender. Quando ficaram lado a lado, o homem pegou a maleta e colocou em cima da mesa. Um arrepio subiu pela espinha da garota, uma espécie de mau-pressentimento. O que quer que tivesse ali dentro não poderia ser boa coisa. Pensou em usar o botão de perigo, mas o homem lhe segurou a mão de forma autoritária.
- Eu quero que você tome algo. – disse ele levando a mão dela até a mesa. – Espere. Aqui.
De dentro da maleta ele tirou um frasquinho semi-transparente com algumas capsulas coloridas. Despejou algumas na mão dela e indicou três de cores diferentes.
- Escolha uma e tome. É isso que quero que faça para mim.
O sangue que Érica tomou mais cedo poderia lhe garantir uma boa resistência à qualquer droga, mas por algum motivo ela sabia que não seria o caso ali. Estava entre a cruz e a espada e não tinha uma alternativa segura. Engoliu a capsula vermelha o mais rápido que pode. Ficou olhando para o homem, esperando algo.
Ele tirou da maleta uma pistola, e o sensor de perigo de Érica estourou. Iria apertar o botão AGORA, antes que algo de mal lhe acontecesse. Mas seu corpo não correspondeu ao pânico. Pelo contrário, pareceu relaxar e uma excitação anormal tomou conta da sua libido. O homenzarrão ficou mais atraente, muito mais do que era possível para um 4x4 cheio de cicatrizes e com um aeroporto de mosquitos na cabeça. Érica não conseguiu mais se segurar e tomou o rosto dele para beijá-lo.
Pela resposta dele, não esperava por aquilo. Ele recuava, tentava impedi-la de tirar a roupa e de tentar tirar a dele. Movimentos amplos fizeram com que ele caísse no chão e demorasse para levantar, dando tempo para que ela subisse nele.
- O que está fazendo, garota maluca? – ele perguntou quase gritando e preparando a arma para atirar nela.
Nesse momento a porta se abriu violentamente. Um rapaz, não muito mais velho que Érica e vestindo um colete sobre uma camisa vermelha, entrou carregando um bastão de beisebol. O careca olhou para ele, apontando a arma e desferindo três tiros. Todos erraram o alvo, que se mexeu entre eles rápido demais para ser seguido por olhos humanos. O rapaz, que era o gerente da Rosa di Fiore, acertou um golpe que quebrou os dentes da frente do homem.
- Por favor, não se mexa muito, deixe-me lhe dar o tratamento dedicado a pessoas do seu naipe, senhor. Com todo o refinamento merecido. Espero que esteja aproveitando nossos serviços.
Enquanto falava, o gerente acertava mais um, dois, três golpes, imobilizando o homem enorme, quase três vezes o seu tamanho. Érica parecia aflita, incapaz de escolher a qual dos dois dar o seu corpo. O gerente se posicionou atrás do homem e colocou o bastão em seu pescoço, puxando para si, asfixiando-o.
- Por favor, relaxe, meu senhor. Quero colocar-lhe em uma condição mais... Apropriada. Ah sim, exatamente isso.
Quando o homem apagou, o gerente olhou para Érica e lhe deu uma ordem para ficar quieta e esperar. Viu que a droga quase venceu sua dominação, mas ficou contente por ter sucesso. Duas mulheres entraram pela porta, assim como dois homens grandes, muito maiores do que o rapaz.
- Frank, Lloyd. Arrastem nosso amigo para os fundos onde terei uma conversinha com ele. Desarmem-no e amarrem-no em nossa cadeira preferencial. – os homens saíram levando o desmaiado –Tiffany, Joseane, acho que Érica precisa de um tratamento para desintoxicação. Ela tomou uma droga que está causando euforia e muita vontade de sexo. Façam com que ela volte a si, como for preciso.

Com um sorriso de orelha a orelha, Érica viu as amigas se aproximarem, e preparou-se para o que viria em seguida. O gerente as deixou a sós e pediu que desligassem a câmera da sala. Daria privacidade a Érica e revogaria os direitos do tal assassino profissional que pelo jeito roubara um traficante. Experimentar uma droga daquelas em uma de suas garotas era imperdoável. O Rosa di Fiore cuida das suas garotas.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Noite das Bruxas

Antes que perguntem, não, não estou fantasiado de fantasma escritor, eu realmente estou de volta. Passei por um longo período em que não consegui me concentrar em escrever, revisar e mandar pra cá meus textos, mesmo aqueles mais antigos. Em compensação, consegui muitas novidades. Estou escrevendo para a NeoTokyo agora, e saiu uma matéria minha na edição 91. Sobre o quê? Bom, sobre Great Teacher Onizuka, versão dorama. Acreditem foi muito bom escrever e espero que gostem.
Também estou de emprego novo, a começar na terça-feira agora, dia 5. Vou trabalhar na ComDado Revistaria, no Kobrasol, uma loja de card games bem legal comandada pelo Rafa Barcelos. Quem quiser dar um pulo lá pra ver os produtos, conhecer o local ou jogar alguma coisa, estarei toda segunda à sexta lá pela manhã até umas cinco horas!
E pra completar minha volta, uma série nova de textos, meio a ver com a data, baseada no cenário que eu criei para Vampiro a Máscara. Casualmente criarei mini-histórias de personagens meus envolvendo outros PNJ's (Personagens Não Jogadores) e até alguns PJ's quando eu tiver como. No caso de hoje... Todo mundo tem que fazer relatórios, até mesmo os mais confiantes e responsáveis. Mas... E quando tem que relatar algo bem ruim? Vejam por si mesmos.

Audiência com o Demônio



As portas do elevador se abriram, revelando o saguão de piso de mármore. Uma única mesa esperava por ele, e duas portas duplas de mogno escuro o separavam do seu objetivo, a reunião que não queria ter, mas precisava. Dois olhos azuis o fitaram detrás da escrivaninha, e um homem de cabelos tão negros quanto a noite e sorriso contido o cumprimentou com um meneio singelo, quase como se quisesse se ocultar da pessoa na sala fechada. Uma rápida troca de gestos e os dois se entenderam, o chefe estava furioso.
Percorreu o espaço até a maçaneta com passos rápidos e duros, parou para inspirar o ar desnecessariamente, e então forçou a entrada. O homem estava lá, de pé, observando sua cidade pela parede de vidro. Nenhum movimento, nem uma palavra para dizer que entrasse e fechasse a porta. Ele já sabia disso, era o costume, e quebrá-lo é que seria estranho. Postou-se aos pés dos três degraus que separavam o platô onde a cadeira do patrão repousava. Em silêncio o homem de terno rubro postou-se a frente dele. Mesmo que não houvesse diferença de altura, era óbvio que o mais poderoso entre eles não poderia olhar nos olhos o mais fraco. Ele não iria discordar da obviedade.
- Você falhou comigo mais uma vez. – as palavras soaram pesadas como chumbo e o fizeram baixar ainda mais a cabeça, encarando os detalhes dos degraus.
- Senhor, eu...
- Sem desculpas. Quero um relatório completo. Se mentir, saberei, então esteja ciente, é sua única chance de se retratar.
Suspirou, soltando um som engraçado pela falta de ar nos pulmões. Estar morto deveria parecer o suficiente, não importa a situação. No entanto, é claro que “morte final” poderia ser bem pior. Tantas obrigações, tanto a fazer, e a qualquer momento acabaria deixando tudo para trás e embarcando numa viagem só de ida para o Inferno. Escolheu bem o que dizer.
- Bem, como começar...
...
A noite começou particularmente calma para uma quarta-feira. Normalmente o meio da semana poderia ser irritantemente barulhento, considerando que era o dia em que todos os neófitos decidiam ir para as ruas caçar para estarem prontos para o fim de semana. Uma rotina idiota criada pelas primeiras crias dos anciões quando chegaram à cidade. Logo, era impossível que ninguém estivesse se preparando para aprontar alguma coisa, então parti em ronda, passando pelos principais pontos de encontro.
Depois de mais de duas horas de passeio, acreditei que realmente era um daqueles dias milagrosos em que as pessoas sem combinar acabaram fazendo algo em comum e que poderia partir para as MINHAS tarefas. O senhor sabe, aquelas que não envolvam meus deveres para com a seita. E é claro, foi exatamente aí que as coisas deram errado.
Eu peguei um idiota perseguindo um grupo de baderneiros, tão magrelos que poderiam ser levados pelo vento caso fosse a temporada. Sinceramente, eu já vi gente recém-criada mais esperta do que ele. De longe dava pra avistar que os moleques, mesmo sendo tão fraquinhos, estavam armados e em número muito maior. Tudo bem que ele poderia ser rápido e forte, talvez fosse do clã certo, porém duvido que ele tivesse a capacidade de dar cabo de todos eles sem chamar a atenção, então resolvi seguir. Meu primeiro erro foi aí, senhor, pois em nenhum momento pensei que poderia ter algo bem mais errado na situação.
Eles continuaram andando por mais umas três quadras, com o babaca na retaguarda, seguindo abertamente o grupo. Eu juro, senhor, que se ele estivesse com os dentes à mostra e os olhos vermelhos não dava para parecer mais culpado. Depois que eles entraram em um estacionamento fechado, saltando a cerca, ele foi atrás e aí estava meu segundo erro. Eu deveria ter pensado em uma abordagem que não envolvesse jogar o cara na parede e estapeá-lo, antes ou depois de ele apanhar e eu ter de salvá-lo.
O estacionamento era enorme, provavelmente por conta do clube ao lado, mas esta noite não tinha eventos para que ele estivesse aberto e dava espaço para aqueles moleques invadirem lá e pensarem em usar alguma droga, beber ou praticar que espécie de ato ilícito eles quisessem. É, eu sei, mas a noite estava tão calma que não passou pela minha cabeça que isso era ainda mais suspeito do que o cara seguindo eles sozinho. Dá um desconto... Digo, me perdoe, senhor, eu sei que ferrei com tudo. Ainda piora.
Quando eu localizei o cara, ele estava observando o grupo de trás da guarita, exposto como um lagarto tomando banho de sol. Péssima comparação, aliás, porque eu finalmente notei que parte da pele dele parecia descamar. Apesar de tudo, o novato era um dos feiosos, então nada do que ele estava fazendo tinha sentido. E sim, foi aí que percebi que as coisas não estavam se encaixando. Parei onde estava e olhei em volta rapidamente. O grupo tinha sumido e o cara agora me encarava. Lugar grande, céu aberto, grandes chances de estar cercado de atiradores e a única arma que eu tinha só devia ter doze balas. O que queria dizer que eu precisava contar com o que tirasse de cada um deles depois de derrubá-los.
Consegui achar os cinco “mortais” nas minhas costas. Eles deviam ser rápidos ou eu estava muito lerdo, não importava. Eram seis alvos ao todo e ao menos um deles tinha disciplinas para usar contra mim. Achei melhor deixar para usar a pistola direto nos miolos de cada um deles. Esperei que alguém se mexesse, qualquer um, para que eu tivesse a vantagem dos movimentos, mas eles esperavam pacientemente como hienas, loucos para tirar o meu sangue. E só então eu entendi. Eles eram viciados, do tipo que deve ter provado nossa vitae alguma vez, por conta de algum imbecil e agora se juntavam a fornecedores que armavam para nós e tiravam uma grana com isso.
Por isso tão magros, os viciados deviam se alimentar só da gente, e vez por outra lembravam de que deviam comer, quase sempre morrendo antes disso. Cheguei a sentir pena por... Uns dois segundos. E então cansei de esperar e ataquei. Ia acabar com o vampiro que havia me metido naquilo, talvez dando uma lição nos pirralhos. Acho que ele não imaginava que eu ia ter coragem ou talvez pensou que na vantagem numérica eu ia atacar os outros primeiro. Sei que eles também cometeram dois erros: Eu não sou qualquer um, sou o cara que coloca a ordem nessa cidade... A serviço do senhor, é claro. E sou bom no que faço.
O segurei pelo pescoço e o pressionei contra a guarita. Ele perdeu a noção do que estava acontecendo por um tempinho, o suficiente para que eu forçasse a cabeça dele janela adentro, quebrando o vidro. Com outro movimento usei o que havia restado da janela e cravei no pescoço dele, fazendo a cabeça rolar para a cadeira e ensanguentando tudo na guarita. Sim, foi precipitado e o tipo de coisa que eu não deveria fazer. Mas teve o efeito desejado, senhor. Os garotos se borraram de medo, literalmente.
Não precisei da pistola. Cheguei entre dois deles antes que pudessem pensar em fugir. Joguei um contra o outro, amassando seus crânios. Quebrei o pescoço de mais um próximo e encarei os dois últimos que finalmente saíram correndo. Admito que queria isso, queria a adrenalina de me jogar em cima deles, caçá-los como gazelas. Estava ficando com fome e a raiva havia subido pelas veias, liberando parte da besta em mim. Joguei um deles no chão, com certeza cravando asfalto em seus miolos e abocanhei a garganta do último. Houve algo de ironia nisso, já que peguei de volta o que eles estavam roubando. Tudo bem, não foi engraçado.
Encarei todo o estrago, e poderia ter sido pior, senhor, juro. Foi um trabalho rápido, quase sem fazer barulho, e com certeza não havia nenhuma testemunha. Minha equipe chegou em questão de minutos para limpar a bagunça. Eu ainda consegui uma forma de justificar a guarita destruída (que eu tive que arrancar para não limpar o sangue) com o roubo do único carro parado lá, provavelmente um pobre coitado dum mensalista. Fiz o melhor que podia pra transformar tudo em algo produtivo.
...
Ainda sem olhar para seu mestre, o xerife engoliu em seco, outro ato falho de sua mortalidade insistente. Como vampiro, nunca precisava demonstrar cansaço ou nervosismo, no entanto, sua natureza não o deixava desacostumar. Pelas sombras, percebeu que o príncipe se recolhera à cadeira e aguardava sua atenção. Levantou devagar a cabeça e o encontrou encarando com um ar maligno. Viria uma bomba ali.
- Compreende que você mais uma vez causou mais danos do que o necessário e que em breve acabará por falir esta unidade?
- Sim, senhor, eu lamento por tudo, senhor, mas eu posso pagar...
- A questão não é de quem arcará com os gastos, e sim, eles serão seus, mas do princípio de suas atividades. Você se gaba de ser bom, e ainda assim é incapaz de dar conta de reles mortais sem tornar isso algo comparável ao que aquela outra seita faz, e por diversão. Se continuar assim, me parecerá uma propaganda, e você sabe o quanto detesto este pensamento.
Ah, é óbvio que sim. Nunca partilhara da mesma ideia de seita que seu senhor, e odiava pensar que tinha que seguir as regras dele só porque a hierarquia milenar o mandava. Porém, se saísse dizendo isso, sua cabeça estaria em uma bandeja de prata antes que pudesse dizer “Caçada de Sangue”. Quem sabe não seria agora que testaria essa teoria?
- Não vou lhe punir como deveria, Takashi, porque detesto pensar que perderia tempo e um funcionário, quem sabe, valoroso com isso. Não. Vou lhe dar algo que vai detestar mais ainda: Uma tarefa especial.
Conhecia aquela expressão, sempre indicava algo pior do que a morte final, o tipo de coisa que te faria desejar ter a cabeça arrancada, se banhar no sol do meio dia ou tomar um banho de água benta.
- Você terá que cuidar de receber nossos visitantes em breve, na próxima lua cheia, e tratá-los com cortesia, além de levá-los para onde quiserem enquanto preparamos a recepção em nosso salão de festas.
- Como o senhor desejar, meu príncipe... Mas... A próxima lua cheia não é amanhã?
O soberano inclinou-se um pouco para ficar mais perto do xerife.
- Exato. E os visitantes são a corte de São Paulo.
Sem querer, Takashi engoliu em seco mais uma vez. Marcos, seu príncipe, não fora misericordioso, ele realmente lhe condenara à morte final. Se havia alguém que gostaria de matá-lo, este era o príncipe da maior capital dos vampiros no país. E pensar que tudo havia começado tão bem naquela noite. Sem dizer mais nada, fez uma reverência e saiu, deixando para trás um monarca orgulhoso de como fora inteligente na sua escolha. Ouviu ainda ele dizer antes das portas fecharem:
- Ninguém falha comigo tantas vezes e sai impune.

domingo, 4 de agosto de 2013

Lua Macabra... O Retorno

É, eu sei. Eu estou sumido daqui há algum tempo, mas foi por uma boa causa... Ou algo assim. O que importa é que estou de volta, com um conto novo, revisado e preparado para servi-los com uma deliciosa história que... Melhor não dar spoilers, pega mal. Já aviso, porém, que provavelmente fará parte da safra Lua Macabra, então esperem por algo que terá sim a combinação de terror, romance e... Algo mais. Vocês verão. Aproveitem o conto!

Grandes Erros


O celular gemeu mais duas vezes e então apagou, a bala atravessada na tela de cristal líquido deixando preso para sempre o pedido de ajuda não enviado. A ponta da pistola ainda fumegava, agora apontada para seu peito, e não haviam sorrisos ali, nem olhares amigáveis. Só o terror absoluto da morte certa. Alguns grunhidos desajeitados escapavam da sua boca, os olhos circulando pela sala, em busca de salvação, mas só encontravam os corpos dos amigos caídos pelo chão e o sangue lavando a parede cinza de sujeira.
Como havia parado ali mesmo? O que tinha feito de errado pra que ficasse na pior, para estar tão perto de suas últimas palavras?
Havia levantado bem, escolhido uma lingerie sexy, preta em contraste com sua pele muito branca, e um vestido nem longo nem curto que cobriria só o necessário e mostraria o suficiente. Um pouco de maquiagem e “voilá”, estava pronta para encontrar aqueles que eram sua família escolhida e que a aguardavam na frente de uma boate da zona leste, com um nome genérico e bebidas idem, mas com gente suficiente para ela poder escolher qualquer acompanhante. Estava pronta para fisgar sereias ou tritões, independente da vontade, seria capaz de levar qualquer um na sedução.
Os amigos se dispersaram, lançando-se em todos os focos possíveis, fossem os fãs da banda no local, os ratos de bar ou os visitantes perdidos a fim de um affair. Para ela, no entanto, alvos tão fáceis eram um grande problema, um tédio sem fim que não valia a saída em uma quinta à noite. Com uma olhada rápida, visualizou algumas boas presas, deliciosos homens e mulheres que se renderiam a um belo decote e um sorriso fatal. Escolheu entre eles o que parecia mais difícil e lançou-se ao desafio.
O homem que estava sentado perto de um dos pilares da danceteria poderia passar tranquilamente por um segurança, tamanha carranca e distinção do seu terno. Ele a notou de longe, enquanto ela cruzava a pista dançando, e fez que não havia percebido suas intenções. Quando ela se recostou ao seu lado, ele se afastou um pouco para não ficarem ombro a testa, e ela pode ver os contornos dos músculos por baixo da camisa social azul. Seria uma ótima conquista, das que se vangloriaria para as amigas depois.
- Que foi, está com medo que eu morda?
Ele não respondeu e ela mordeu os lábios, tanto por raiva quanto provocação, exibindo os belos dentes brancos. Olhou para a mão dele e não encontrou nenhum anel, então provavelmente era birra, ou talvez fosse mesmo um segurança perdido.
- Se não está aqui para procurar por mim, talvez esteja aqui por homens, certo? – tirar sarro era uma de suas alternativas mais baixas, mas já rendera bons momentos no estacionamento.
- Você não é o tipo de mulher que eu procuro. – respondeu ele com uma voz cavernosa e ela chegou a sentir as pernas tremerem, mesmo que com uma frase tão rude.
- Como sabe se nem me viu direito? Está desviando o olhar desde que eu cheguei na casa.
- Não preciso ver para ter certeza de que não queremos a mesma coisa.
Era realmente um páreo duro, dos que figurariam como lendas em futuras conversas de bêbada. E exatamente por isso não desistiria, não tão fácil, por mais que seu orgulho, e talvez algum outro instinto mais primordial, estivesse dizendo que não era uma boa ideia.
- Façamos assim, eu lhe pago uma bebida ali, sem compromisso, e você me deixa tentar ao menos uma vez te fazer mudar de opinião.
Isso foi capaz de tirar os olhos dele do globo de luz, DJ, ou o quer que fosse que ele estivesse dedicando mais atenção do que a ela. Por isso, ela se arrepiou quando os olhos negros dele se cravaram nos seus e quase se arrependeu da proposta. Quase.
- Feito. Tem uma mesa vagando ali.
E foi, sem esperar por ela. Em outras circunstâncias ela teria procurado outro cara ou garota e simplesmente abandonado aquele troll, mas havia algo dentro dela que despertava, uma sede intensa por aquele homem que, não importava o quê, a estava não só esnobando, como ignorando completamente seus ataques. Pensou no perfume que escolhera, na pele exposta, na maquiagem delicada que a fazia parecer uma garotinha, e no sorriso treinado à exaustão diante do espelho e nada parecia estar errado, então o problema só podia ser ele.
Acompanhou-o rebolando, para que os outros ficassem alertados que, assim que ela tivesse acabado com aquele homenzarrão, estaria pronta para mais. Ela nunca se contentava com um só e não seria ele a mudar isso nela. Sentou-se no lado oposto da mesa e pediu por dois copos de uísque. A escolha o fez levantar o olho e ela sorriu, deliciada com a surpresa.
- É óbvio que um homem do seu porte bebe algo de igual valor.
Ele sorriu pela primeira vez e ela notou os dentes sujos de fumo, o que reduzia em muito o tesão, pelo menos naquele momento. Fumantes eram um problema que ela preferia evitar, principalmente porque eles lidavam com algo extremamente perigoso, o fogo. Para os outros era fácil, mas ela tinha um pouco mais de medo da chama matriz, a grande inimiga de coisas que eram altamente inflamáveis, como a bebida que acabava de chegar.
Durante os vinte a trinta minutos seguintes ela tentou de todas as formas puxar um papo interessante, que rendesse no mínimo uma agarração na porta do banheiro, o que resultou em saber que o nome dele era Adam Corso, mais conhecido por Corsário, tinha em torno de trinta anos, solteiro convicto e gostava de cachorros grandes, tipo dobberman. Além disso, ele tinha uma fixação meio mórbida por objetos de prata, e ela temeu que ele fosse tirar de dentro do colarinho um crucifixo daqueles que seria capaz de se colocar em cima de um túmulo, mas foi apenas um colar de caveira mexicana.
- É para dar sorte, uma vez estive por lá no Dia dos Mortos e ganhei isso de um dos locais, que garantiu que me protegeria para sempre. Realmente, acabou me salvando a vida outro dia.
- Verdade? – perguntou já quase sem interesse. Que ele fosse um desafio, OK, mas ela estava começando a pensar que ele era apenas um chato.
- Ah sim, mas isso... Eu posso te contar depois. Está a fim de dar uma volta?
A pergunta a pegou de surpresa, desarmada, e ela acabou deixando mostrar que não tinha uma resposta pronta. Nunca antes tinham sugerido sair dali que não fosse para qualquer lugar próximo onde ela daria um sumiço na calcinha ou algo assim e por um instante pensou nos prós e contras. Por um lado ele poderia querer levá-la a um motel, onde poderia desfrutar de privacidade suficiente para se saciar nele, apesar de depois ser meio chato fingir que não esteve lá. Nada que um papo cabeça com os atendentes e uma rápida passada pela sala de segurança não resolvesse. Por outro lado, ele poderia estar planejando levá-la a seu apartamento, tentar estuprá-la e dar um fim ao seu corpo jogando-o no lixão. O que também era uma boa oportunidade, já que perigo sempre gera ótimos momentos de tensão e isso a deixava acesa como uma vela na igreja... Epa. Péssima metáfora.
- Tudo bem, garotão. Só deixa eu avisar meus amigos. – e então vasculhou o lugar, procurando por qualquer um deles, mas estranhamente não os encontrou.
Talvez tivessem escolhido sair todos juntos para comerem, ou talvez fosse apenas a falta de atenção, como não os viu decidiu dar o fora assim mesmo. Qualquer coisa voltaria depois, de repente usando o carro daquele homem misterioso, e poderia buscá-los em alto estilo. Ou isso ela esperava, pensando sinceramente que se visse um Fusca na vaga dele, mudaria de ideia na hora. Por sorte encontrou uma belíssima Mercedes Classe A escura como os olhos dele e partiu dali, para onde quer que ele a estivesse levando.
- Gosta de música? Eu tenho alguns cd’s interessantes no porta-luvas.
Agora ele queria ficar animado, ela pensou, e decidiu que era melhor manter o clima, por isso abriu o porta-luvas e encontrou ao menos cinco cd’s, todos de bandas completamente diferentes.
- Você é bem eclético, né?
- Tento. Sempre que posso, compro algo baseado em quem dou carona. Gosto de conhecer coisas novas. Qual sua banda favorita?
- The Damned, mas duvido que você os conheça, são uma banda undercover da área onde moro.
- Vou tentar escutar depois, então. É um hobby, se quer saber, e é muito divertido.
- O quê? Conhecer as bandas que as garotas que você pega escutam?
- Exatamente.
Por algum motivo aquilo a deixou muito desconfortável, o que não era habitual. Percebeu que quanto mais avançavam, mais perdia o controle, e esse era um terreno desconhecido para ela. Nunca antes tivera tantos problemas em uma caçada ou demorara tanto para pegar um homem. A curiosidade começava a sumir e uma pontinha de medo surgiu em seu coração negro, que por um instante pensou ainda possuir.
- Estamos chegando. – disse ele, de repente, e ela se assustou ao ver que não sabia onde estavam.
Era uma área residencial bem pacata, do tipo que os pais escolhiam para viver com seus filhos quando eles nasciam e não havia mais nada importante no mundo. Ela podia ver as crianças correndo pelas ruas tranquilas, homens e mulheres passeando com seus cachorros e o carteiro pedalando a bicicleta em paz, sem pressa. Tão simples e calma que poderia fazê-la se jogar para a morte de tanto tédio. Um pensamento cruzou sua cabeça: Talvez fosse isso mesmo que estivesse fazendo. Afastou as ideias ruins e saiu do carro com ele na frente de uma garagem fechada. Ele a levou mesmo para casa e ela pensou em como faria para voltar para a danceteria depois, sem saber o caminho. Maldita hora que ficou escolhendo os cd’s.
- Pode entrar, sinta-se em casa. – ele disse quando abriu a porta e ela agradeceu mentalmente que ele fosse gentil ou teria um momento constrangedor.
Era uma sala bonita, de móveis novos e com uma lareira e a casa parecia muito amigável, o que reforçou a sensação de que algo estava terrivelmente errado. Sentia o cheiro de bolo de canela, de uma cerveja tomada no fim da tarde e das flores nos vasos, além de outro que era muito, muito familiar, mas que por algum motivo lhe escapava da memória e era ruim, ruim pra cacete. Ele tirou o paletó e jogou sobre o sofá, em um gesto displicente, mas que nada tinha a ver com uma demonstração de excitação que denunciaria um ataque à sua donzelice.
- O que foi? Algum problema?
- Não, é só que não estou acostumada a fazer isso. – confessou, aproveitando que não era uma mentira para esconder a verdade.
- Acredito, você tem jeito mesmo de quem faz muitas coisas, menos ir à casa de um homem direto de um bar.
Ela riu, nervosa, do que talvez fosse o comentário mais maldoso e perverso dele até agora. Pensou nas rotas de fuga, em como tudo poderia estar certo e ela estar simplesmente necessitada, e por isso não estava pensando direito. Ouviu o som estralado de uma garrafa abrindo e retesou, vendo-o de costas mexendo em um armário.
- O uísque não foi suficiente?
- Nah, eu só estava pegando o brinquedo certo para uma vadia como você. – disse ele e se virou apontando uma arma para o meio de seus olhos.
Ok, então ela tinha ouvido uma arma e confundido com uma garrafa. Normal, muita gente fazia exatamente o contrário. Arreganhou as presas e lançou-se sobre ele, completamente transformada, antes que ele pudesse pensar em sentir coceira no dedo da arma. Ainda assim, ele desferiu o tiro que atravessou seu pulmão morto e causou intensa dor. Por pouco não acertou o coração.
- Ê, ê! Cuidado, as balas são de madeira e prata.
A frase soou tão errada que ela demorou a perceber o porquê, e era algo mais do que apavorante. Era uma frase muito certa, típica de alguém que estivesse não só ciente, mas confiante de como se mata vampiros. Se pudesse, sua espinha teria gelado naquela hora.
- Como...?
- Sem perguntas, ande em direção ao quarto.
E apontou para uma porta semi-aberta, de onde ela percebia que vinha o cheiro de antes, que ela não reconhecera. Assim que chegou perto pensou em como era estúpida, em como havia falhado muitas vezes e estava tremendamente ferrada agora. Atravessou a porta e encontrou um quarto muito grande, praticamente sem móveis, no qual outros três homens apontavam armas para ela. Eram como ele, normais demais para parecerem estranhos, e portavam armas igualmente simples, mas com munição letal à sua espécie. Morreria antes de pensar em sugar o sangue de qualquer um deles.
Demorou pra perceber o que causava o cheiro e quando viu só pode chorar. Havia pelo menos uns dez corpos de vampiros estirados no chão, em decomposição acelerada. Tornariam-se pó antes do amanhecer. Eles eram caçadores e estavam satisfeitos em dizer que haviam feito uma grande caçada e talvez continuassem depois dela. Em soluços fingidos, acompanhando as lágrimas de sangue que corriam de seus olhos, tentou tirar o celular de sua bola em extrema velocidade e ligar para pedir por ajuda. Um dos caçadores percebeu seu movimento e atirou, jogando-o no chão e ferindo sua mão. A tela ainda brilhou com o primeiro botão apertado, o número de emergência.
E lá estava ela, no único quarto podre daquela casa bela, em um bairro pacato e que provavelmente era apenas uma enorme sede de caçadores disfarçada de subúrbio. Ela tinha encontrado seu fim, e não havia nada que trouxesse satisfação naquele momento. Para piorar, não tinha bebido nenhum dos homens que agora a torturariam antes de explodir sua cabeça e a sede ficava muito forte. Tanto que seus sentidos estouravam, aguçados ao máximo. Um zumbido irritante começou a soar em seus ouvidos e ela amaldiçoou o dia em que ganhou esse poder, até que percebeu o que ele indicava. Sorriu.
- O que é, sua vaca? Surtou sabendo que vai virar poeira? Você e sua espécie de merda vão todos virar pó e a gente vai fazer de tudo pra isso acontecer. Ah, porra, por que você está, rin...?
Ele não terminou a pergunta porque um carro, o seu carro, havia atravessado a parede, abrindo ao meio os quatro caçadores. Pelo jeito eles não tinham pego TODOS eles, um escapara e agora saía pela porta de trás do sedan quase completamente demolido.
- Ei, Ann, está bem? – perguntou a mirrada vampira que a idolatrava e que pelo jeito a seguira também.
- Por pouco, querida, por pouco. Se você não tivesse entrado com o carro...
A bola atravessou suas costelas, raspou no coração e foi parar no pedaço de parede que pendia do teto no buraco aberto pelo carro. Ann virou furiosa para o atirador e encontrou seu homem, o Corsário, ás portas da morte, sem o braço e sem um olho. Ele parecia ter sido esmagado pelos destroços e talvez não sobrevivesse para o próximo minuto mas ela não o deixaria escapar tão fácil. Mordeu o pulso e enfiou na boca aberta dele antes que ele pudesse pensar em algo e o fez absorver o suficiente.
- Toma, seu filho da puta. Transforme-se, e espero que sobreviva para devorar seus amigos de fome antes do sol nascer. E amanhã, quando estiver perdido e desamparado, eu vou te caçar e dilacerar e sugar de volta todo o sangue que te dei. Vou ficar esperando, seu desgraçado.
E abraçou a amiga, saindo para o céu noturno.
- E agora, Ann, o que vamos fazer?
- Vamos pra minha casa, eu preciso arranjar um outro vestido e... Droga, eu adorava essa lingerie.
- E depois?
- Depois vamos atrás de um lanchinho, porque eu estou morrendo de fome.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Uma bela imagem

Eu não tinha NADA preparado pra hoje, nem ao menos uma linha que pudesse me dar um texto descente. Mas daí, subitamente, uma Wild Ariana me aparece com uma imagem que simplesmente desperta uma ideia que não poderia perder e dá-lhe página em branco do Word! Conclusão? Um conto novo, quentinho, para vocês aqui. E é um que eu realmente gostei de fazer. Espero que gostem! A imagem que gerou tudo está ao fim do texto e vocês vão entender o porquê.

A Mulher na Cripta

Noites de tempestade são extremamente desagradáveis, e não falo isso por ser um adepto de sair e me divertir, mas porquê trabalho com filmes e não há nada pior do que gravar de noite e ficar com medo de a energia acabar e nos vermos com horas de trabalho perdido. Seria mais simples se tivéssemos um bom orçamento mas, já que filmamos terror quase classe C, então não posso mesmo pensar em ter um estúdio e equipamento de ponta. Fico muito feliz por ter uma câmera e bastões de luz suficientes para conseguir fazer uma cena no meio do cemitério.
A tal cena, aliás, é o grande problema. A chuva cai e já inunda tudo do lado de fora do mausoléu que invadimos para filmar e eu acho que os cabos, que o nosso único técnico de filmagem, som e qualquer coisa que não seja principal, colocou em cima de alguns túmulos, já devem estar debaixo d’água, então em breve é capaz de eu acabar me juntando aos defuntos por eletrochoque. E pra finalizar, nossa atriz principal está fazendo doce no “camarim” improvisado, uma tenda que conseguimos montar no morrinho do lado de fora.
O rolo é com o maldito figurino e eu sempre soube que ele causaria atrito entre ela e o roteirista depravado que o diretor arranjou. Desde o primeiro dia ele veio com ideias que envolviam mulheres nuas, cenas de soft porn, sangue tipo catchup, cabeças decapitadas e um vampiro carniceiro, do tipo que faria Freddie Krueger se orgulhar de ter como professor. Era mais do que o necessário para a namorada do técnico, que foi a única garota a aceitar se meter nessa treta, começar a ter chiliques e ameaçar desistir várias vezes.
Agora ela estava lá, sendo convencida pelo namorado super seguro de que aquele biquíni obsceno tampava o suficiente para ela poder vestir branco quando casassem e que estava tão escuro que era capaz de ninguém notar que era ela. Eu confirmo essa informação, com a precariedade do material e a maquiagem enjambrada, eu poderia dizer que era a Madonna ou a Adele sem medo de errar. E claro, não me importaria em descobrir o que há por trás dos dez quilos de roupa fechada que ela usa. Dependendo do caso, poderia valer todo o esforço.
- Ei, John. – me chama o diretor. – Vem cá um minutinho?
- Fala, Arthur. – respondo, me aproximando, e percebo que ele treme muito.
- Cara, me quebra um galho? Acabei de ouvir, houve uma espécie de acidente perto de casa. Duas gangues brigando, algo assim. Pessoas ficaram muito feridas. Meu pai é policial, ele tava de ronda... Eu preciso ir...
- Claro! Vai lá! A gente pode parar a filmagem, não fica...
- Não! Paguei muito caro no aluguel, a guria tá quase caindo fora e se a gente sair agora, capaz de não conseguir invadir isso outro dia. Precisa ser agora!
- Tá, tá, eu faço tudo aqui. Só leva aquele maluco do roteiro junto pra te dar uma mão. Senão é capaz de eu encher ele de porrada.
- Tudo bem, valeu, você é um grande amigo.
E sai levando o Abraham juntos. Acabamos ficando só eu, o técnico e a namorada dele. Começo a arrumar tudo, imaginando o que poderia dar errado ou quanto tempo mais eles iriam demorar quando escuto o som de abrindo a porta e o barulho do vento lá fora. Não há nenhum passo na escada, mas eu consigo escutar o som de véus arrastando nos degraus. Quando me viro, me deparo com uma Lúcia completamente paramentada, em um biquíni que faria as garotas daqueles programas de tevê corarem e um roupão transparente que não deixa dúvidas a como ela é gostosa. Engulo em seco e ela sorri, e é um sorriso lindo. Paro pra pensar em como o técnico é sortudo, em como ela faz pra esconder tudo isso e em que estamos sozinhos, o que é extremamente perigoso. Até os caninos falsos ficaram perfeitos.
- Ok, vejo que está pronta. Podemos começar? – e ela concorda muda. – Como a gente disse antes, essa é uma cena simples. Você precisa andar pela cripta, parar na frente do caixão que está ali e começar a chorar. Eu vou cortar, mudar o ângulo e mostrar lágrimas de sangue que eu tenho aqui no bolso. Não vai doer nem nada, é só um corante pra derramar perto dos olhos. Aí paro de novo, você dá um berro e fechou por aqui. As externas a gente pode filmar depois, e você não precisa aparecer. Fechou?
Ela simplesmente abre outro sorriso que me deixa desconjuntado. Que mulher maravilhosa, e aquele namorado nada ciumento não estava agora ali para aproveitar a visão. Tá, tudo bem, provavelmente ele a veria depois em casa e acho que o biquíni vai acabar ficando pra eles, mas... Nada vai me estragar o momento. Levanto a câmera e ela faz seus movimentos, muito suaves, parando exatamente no ponto certo. Não precisaríamos repetir a cena. Em seguida eu mudo de posição para colocar as lágrimas falsas e esbarro em sua pele, gelada, provavelmente pelo tempo ruim.
- Desculpa mesmo pela escrotice do Abraham. Vou falar pro Will que ele nunca mais deve escrever nada pra gente. É só que agora... Não dá pra mudar, entende?
Pelo olhar ela deixou de ligar há muito tempo e até mesmo parece estar se divertindo. Minha mão acaba deslizando pela face dela e fico parado, alguns segundos, o que provavelmente vai render comentários depois dela com o Morrisson. Afasto-me e gravo aquelas lágrimas falsas escorrendo e elas demoram tanto pra descer e parecem em tanta quantidade que até me assusto, como se ela estivesse chorando de verdade. E mais uma vez troco de posição e a filmo gritando, e o que vem em seguida nunca mais vou esquecer. O grito é como o de uma banshee e posso dizer que até mesmo quem estava longe do cemitério pode ouvir. É profundo, amargurado e realmente triste.
E finalmente, as coisas ficam estranhas de vez, mas não paro de filmar. O caixão simplesmente se abre e sai alguém de lá, e é um homem. Nesse momento eu estou pensando em como esses filhos da puta armaram para cima de mim e colocaram o Morrison lá dentro sem que eu visse e agora estavam me deixando morrendo de medo. Ele puxa Lúcia para si e dá o beijo mais arrepiante da minha vida, que me deixa aterrorizado e excitado ao mesmo tempo. Eles se afastam e ela vem até mim e também me beija, mas mais delicada, como uma despedida. Em seguida eles saem, e eu posso jurar que a tempestade parou por um segundo e escutei risadas macabras. Eu demoro muito tempo pra me mexer e desligar a câmera e então subir as escadas correndo.
Lá fora a chuva é torrencial, posso ver os clarões ao longe onde caem os raios e até mesmo um incêndio, talvez provocado por um deles. Na tenda, Morrison e Lúcia parecem discutir e ela está com o casaco dele. Ando até eles para tirar satisfações quando percebo algo caído no chão, o biquíni dela solto, uma peça abandonada. Pego-o e entro na tenda.
- Ei, vocês dois! Que ideia foi aquela de improvisar na cena? Sabe como vocês me deixaram assustado? E ainda jogaram o biquíni na lama! E se tiver que filmar de novo?
- Que história é essa, cara? A gente tava discutindo agora mesmo porque ela tinha jogado o biquíni fora de raiva e achamos que não ia dar mais pra filmar!

A resposta me deixa encucado, será que eles continuam com a brincadeira? Só então percebo que a Lúcia sentada ali e encolhida está tremendo de frio e tem grandes olhos azuis focados em mim e os olhos da mulher na cripta eram negros. Negros como a noite de tempestade.

Venha a mim, meu pobre mortal.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rebeldia e Tradicionalismo

Sempre que eu vejo vampiros "modernos" eu me pergunto que diabos fariam os antigos se tivessem como pegá-los no flagra, em seus ataques de histeria e colocá-los em seu devido lugar... Bom, não fiquei só na imaginação, transformei em conto, um dos meus favoritos da primeira leva do Lua Macabra, mas que não sei se encaixa REALMENTE nele... Já consegui alguns bons sorrisos de dentes pontiguados com ele, então... Quem sabe... Eu traga mais alguns caninos para o meu lado hoje... Aproveitem o sangue jovem, mas não esqueçam do poder do sangue antigo!



Abaixo o Antigo, Viva o Novo!

Houve um tempo em que éramos poucos. Tão poucos que não encheríamos um prédio de condomínio, daqueles com só quatro andares, que não se vêem mais por aí. Agora, se eu piscar, verei dois novatos entrando pelas portas de minha casa, implorando ensinamentos antigos, que não são capazes de compreender. Eu bebo raramente agora, minha idade me deu tanta força que não preciso me conter para andar por entre os mortais. Sei que eles me sentem, um frio inconstante que me impede de simular vida, mas o que eu faria, com tantos séculos, se ainda andasse com trajes dos tempos de seus avós? Eu precisava me atualizar. E isso foi o que os atraiu. Como poderiam menosprezar a chance de conhecer alguém tão velho? Heh, velho, é claro.
Não vou mentir. Seu fedor chegou a mim no instante em que o carro virou a esquina. Vinham precavidos, refazendo o caminho que treinaram tantas vezes, para que não fossem percebidos. Falharam, óbvio. Desceram do veículo e ouvi os passos pesados. Ao menos um deles portava armas, o tilintar extremamente audível para qualquer um com minha idade. Se me ameaçassem, tinham a vã esperança de me causar algum dano antes de reagir. Talvez conseguissem, não luto há mais tempo do que eles existem.
A porta abriu, sem parcimônia, e eles entraram, demonstrando o mínimo de respeito possível. Claro, para eles, cujos costumes eram mais bárbaros que o povo mais selvagem de minha época, este era o certo, o "educado". Não queriam me pertubar, para que eu não lhes desse a reprovação sem antes abrirem suas bocas e falarem todas as besteiras que pensaram durante aquele mês. Prometi a mim mesmo que lhes daria a chance. Quem sabe não doeria tanto, quem sabe não seria como ouvir os bardos cantando sobre heroísmos que nunca existiram? Poderiam até ter pesquisado sobre mim, e encontrado algumas daquelas anedotas quase perdidas sobre o tempo.
Eram dois, realmente, e tão díspares, um magrelo e uma mulher. Desconfio que gostassem das mesmas coisas, visto que se trajavam de forma dissonante, ainda que reveladora de suas almas. Os cabelos, ralos, dele, caíam sobre os olhos, raspados ao lado da cabeça, passando do intenso negro para um vermelho berrante. Suas roupas se resumiam a uma folgada camiseta bordô e uma calça colada, que provavelmente era de couro. A maquiagem em seu rosto, banal nos dias de hoje, era tão ou mais pesada que a da fêmea. De forma esguia e sensual, ele tentava transperecer tanta feminilidade quanto ela, em seu vestido canudo, com abertura no ventre para revelar a barriga bem construída e uma nesga da lingerie preta. Os cabelos, curtos em corte Cleópatra, caíam leves logo acima dos intensos olhos azuis. Seus lábios, vermelhos, quase tão convidativos quanto os seios, apertados no topo do vestido tomara-que-caia. Definitivamente, duas jóias raras, que poderiam me atrair e levar ao inferno pessoalmente.
A voz que saiu do garoto não era o que esperava. Tinha um tom grave, com pequenas desafinações, como no fim da adolescência: - Aí está você... Milorde. - A bajulação soou fria, vazia, um gracejo pobre para convencer-me de devoção inexistente. - Procuramos pelo senhor há tempos...
- Não diga, asneiras, Todd. Ele sabe que não é verdade. - a voz dela, no entanto, era bem o esperado, um arfar sensual, como se precisasse conter toda a sua eroticidade em cada palavra.
Decidi me abster de comentários, continuar apreciando o espetáculo. Esquadrinhei seus perfis no escuro, imaginando se poderiam oferecer ao menos uma fração do perigo que desejavam transmitir. Ela era a inteligente, claro. Ele, por outro lado, era o esperto, o sobrevivente e sacrificaria tudo, inclusive ela, para sair dali vivo. Resolvi jogar esse jogo.
- Desculpe minha companheira, mestre. Ardell nunca aprendeu a ser digna diante de um nobre. Mais ainda quando o nobre é tão importante quanto o senhor. - ele já me deixava enfadado e pensei seriamente em cortar seu pescoço naquele momento.
Ela bufou, compartilhando da minha falta de entusiasmo e me peguei pensando em como uma garota tão esbelta poderia ter tanta falta de ar. Não com aqueles pulmões, imagino. Já ele, tentava abertamente me chamar a atenção, dominar minha vontade. Falhou completamente.
- Se o mestre permitir, gostaríamos de um minuto do seu tempo. - me perguntei se ele havia sido transformado por caridade ou brincadeira e que estúpido o fizera.
Finalmente resolvi que seria bom me pronunciar, talvez conseguisse mandá-los embora. Apesar de tudo, não gosto de matar aqueles da minha raça: - Você já está gastando meu tempo, criança. Então seja rápido antes que a conta fique muito cara.
As reações, adversas, foram as melhores até aquele momento. Todd, como chamara a garota, parecia estupidamente ofendido e fazia uma expressão perdida que talvez lhe levasse ao erro fatal. Já ela, pela primeira vez, olhava diretamente para mim, entretida com a forma como eu despachara os dois. O garoto procurou em volta e diversas vezes conteve a mão que se dirigia para as costas, provavelmente à procura da arma. Antes que voltasse a falar, me ergui de minha poltrona e caminhei até eles. A mão enfim fez o percurso, mas não encontrou coisa alguma. Seus olhos não poderiam crêr que eu realmente brincava com a pistola, uma calibre .38 como viria a saber, procurando entender seu funcionamento. A garota, Ardell pelo que ele tinha dito, colocava a mão suave sobre os lábios, contendo o "Oh" de assombro. Joguei a arma por sobre o ombro esquerdo e toquei o rosto do jovem, trazendo-o para perto do meu. Nossa diferença de altura, eu dez centímetros maior que ele, no mínimo, sumiu assim que ele se pôs nas pontas dos pés.

- Não me dê motivos para achá-lo ainda mais irritante. Se nada tem a dizer, aproveite que estou satisfeito com o presente de metal, e suma de minha presença.
Soltei-o e ele caiu de joelhos, chorando. Dei as costas, crente de que eles partiriam, quando fui surpreendido pela garota. Ela utilizou tudo que tinha para conseguir velocidade suficiente para surgir na minha frente. Sorria, nervosamente, e passava um pirulito vermelho por entre os lábios, encarando-me com forte admiração. Naquele momento, incoerentemente, eu que me tornei a presa. Delicadamente me tocou o peito, apertando os dedos sobre a minha carne e arfou profundamente.
- Sabe o que queremos, não sabe? Já sabia assim que entramos em seus domínios. Bom, eu estou disposta a me oferecer em troca de tudo que você puder me passar. - ela provocou, mordiscando o pirulito com vontade.
Ergui a sobrancelha, mantendo a aspereza na voz: - E o que me impediria de tirar de você isso que tem a me dar? Acha que vale tão pouco o que EU tenho?
Ela não respondeu, continuava com a malícia nos lábios e virou-se, caminhando e rebolando, em direção ao caixão antigo que conservava em meu refúgio. Apoiou as mãos nele, erguendo o traseiro e me observando por sobre os ombros.
- Nada impede, porém, nada garanto que será tão bom quanto o que EU tenho para sacrificar. Só quero... Um pouquinho de seu poder. - ela dizia, sua voz ainda mais provocante.
Movimentei-me para suas costas, apertando seu corpo ao meu, revelando quão pequeno era. Comprimi sua cintura entre a minha e o caixão e cravei os dentes em seu pescoço fino e macio. Eu havia lhes dado todas as chances. Se ela queria isso, teria. Rasguei seu vestido sem pensar duas vezes, fazendo com que ela desse um gritinho assustado. A expus completamente, satisfazendo-me com a visão de um corpo perfeito, parte moldado com as facilidades dessa era moderna. Passei a sugar o ralo sangue daquela criatura por tempo suficiente para eu mesmo estar livre de roupas. Ouvi os gemidos dela passarem de dor para prazer e foi o que dei a ela. Sabia que o rapaz ainda não havia fugido e decidi que se o que ele queria era apreciar o que eu fazia com a sua amiguinha, deixaria que o fizesse. Pressionei-a por muito tempo, até me sentir completamente agraciado com seu corpo. Larguei-a, longe do meu caixão, e olhei de um para o outro. Havia bebido o suficiente dela para que estivesse realmente renovado.
- Agora, se nada mais tem a fazer. Por favor, abandonem meu... - uma pontada estranha me fez olhar para meu peito.
Destoando do resto de minha roupa, uma pequena estrela de prata adornava a região próxima ao meu coração. De fato, a garota errara por centímetros. Se ainda não sentira, era por causa do êxtase que ela me causara. Eu agora estava furioso. Os dois não haviam percebido que falharam em seu plano e riam descordenadamente. Com extrema raiva, eu agarrei a garota pelo pescoço, e como estava ainda exausta do meu tratamento, foi fácil jogá-la para dentro de uma porta, um quarto anexo ao meu. O garoto, lentamente entendendo o que acontecia, não escapou de um golpe profundo, que o lançou pela janela. Eu moro no quinto andar de um prédio antigo. É muito alto. Antes que ela se levantasse, eu a pressionei contra o chão de madeira. Ainda não estava pronto para deixá-la morrer. Ainda não. Entre gritos, eu a arrastei para dentro da sala escondida, trancando-a longe de qualquer ajuda, e utilizei a estrela de prata para deixá-la imóvel. Ao que parece, ganhei dois presentes nesta noite.

Venham a mim, crianças da noite! - ordena Drácula, imortalizado por Bela Lugosi.