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terça-feira, 1 de julho de 2014

Nove anos atrás...

Poucos sabem, bem poucos mesmo, mas há exatos nove anos atrás eu fazia, pela primeira vez, um pedido de namoro. Bobão, falei algo como "amanhã vamos no cinema... Como amigos ou algo mais?". Foi ainda mais engraçado ao vivo, e talvez tenha sido o motivo de ter dado certo. Ela aceitou. Nove anos depois, estamos casados, morando juntos e ainda muito felizes.
Eu queria comemorar esse momento com algo mais, talvez uma chance de mostrar que construímos juntos não só um relacionamento ou uma casa, mas um grande conjunto de coisas boas. Entre elas, amigos excepcionais, que poderiam fazer a mágica acontecer e, mais rápido do que escrevo este texto, trazer uma mensagem bonita. Desde o princípio eu sou o Lobo, a criatura sorrateira, que muita gente julga como um grande larápio, cretino e safado. Eu gosto disso. Ela também. E ela é a Tigresa, um animal majestoso que só não é o rei dos felinos ou dos animais da selva porque o Leão tem mais juba e fez mais fama. Acreditem, como esta linda criatura, minha esposa é uma caçadora nata e cada vez mais mostra suas garras. Fiquem de olho. Enfim, nós estamos juntos e é isso que importa. Aqui vai uma prova disso. Se é que precisa. Agradeço principalmente à Ariana, à Mônica, ao Karu meu irmão fantástico e a um convidado especial que prefere ser considerado uma incógnita... Por enquanto!

Este é da Ari, a terceira ponta deste casal que é tão diva que merece ser sempre lembrada.

Este é da Monichan, minha nova kouhai tão drag e tão fofa que precisava ser trazida pra cá.

Nosso amigo misterioso disse que estava incompleto... Eu vou bater nele, juro XD

Meu irmão conseguiu colocar tanto romance que eu tô abismado. Obrigado, Karuma!

E claro... Eu tinha que trazer algo meu pra cá... Segue aqui um certo papo entre os dois animais...

- Onde vai amigo Lobo?
- Oh, lugar nenhum, cara Tigresa. E tu, o que fazes nesta parte da floresta?
- Vou ao concerto dos Tucanos, parecem preparar um bom Tango, e como sabe, Tucanos são engraçados e divertidos.
- Posso lhe acompanhar?
- Mas é claro, só não queira devorá-los.
- Nunca, minha amiga felina. É uma pena que estejamos sozinhos.
- Achas? Pois penso que iremos rir muito nós dois apenas.
- Se dizes, não tenho porque discordar.
- Veja, são eles! Como pulam e cantam e tocam de maneira formidável!
- É sim... Eu não imaginava que vê-los novamente me traria tanta alegria.
- Já veio aqui antes?
- Ah, sim, Tigresa, mas na outra vez apenas pude apreciá-los, e não a companhia. Hoje, no entanto, estou feliz, pois te tenho ao meu lado.
- E que seja assim para sempre, Lobo.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

23º Desafio - Ari para Ann

Alguém aí ainda lembra do desafio 30? Nunca acabei né? Pois é, que feio... Mas, como nunca é tarde para continuar um bom projeto, resolvi voltar atrás e completar pelo menos o último pedido. Estive tão preso neste e em outros dois projetos que durante muito tempo não escrevi nada. Bem, é hora de acabar. O que a Ari queria é, de certa forma, um grande presente pra Ann também, então estou dedicando este conto às duas. Acabou que ficou muito maior do que imaginava então espero que aguentem o longo texto.
Há duas coisas que desejo fazer com a Ann, senão no aniversário dela, ao menos em um meeting das lolitas (as quais estão também retratadas aqui, como poderão perceber): Um encontro de Eevees, cada um representando um. A mim caberá o Leafeon, quem me representa no conto a seguir. Boa leitura e aproveitem a festa!

Esta belíssima imagem é do deviantart de CreepyFish, que está vendendo várias outras lindas como esta em sua loja.

A Recepção para uma Fada

As festas nesta família geralmente acontecem a cada três, quatro anos, quando algum novo membro surge. Na primeira só haviam quatro, na segunda já eram seis, na terceira oito. Estavam agora esperando pelo caçula, e ninguém sabia o que pensar dele. A primeira a chegar foi a apressada Jolteon, sempre elétrica e atacada. Seu pelo espetado quase furou os balões na entrada, assustando o pobre Leafeon, quem ofereceu sua casa para a festa.
- Jolie, cuidado! Deu muito trabalho pra enchê-los! E senta a bunda nessa cadeira. Seus spikes vão acabar destruindo tudo antes que os outros possam ver!
- Você é muito fresquinho, Leon, tinha que ser mais selvagem que nem os outros do seu tipo.
- E o que você quer dizer com isso?
A porta abriu-se subitamente com a chegada de Glaceon e o clima esfriou vertiginosamente. Seu vestido semi-transparente fez com que os dois enrubescecem.
- Por favor, Glenda, vista uma roupa decente! – reclamou Leafeon, tentando tampar os olhos.
- Oh, meu amiga, não comesce! Não estou dispostar a discutir isso oche.
- Esse falso sotaque é que me mata. – grunhiu Jolteon virando um copo de suco.
- O que disse, querridinha?
- Nada não, só tava pensando que o Leon tinha que colocar uma música mais animada. Tá parecendo festa de criança.
- Eu... – ia responder o pobre anfitrião quando foi interrompido mais uma vez pela porta.
Deslizando para dentro, fluído como água, Vaporeon rapidamente se encostou em Glaceon passando o braço pelo seu ombro e abrindo um sorriso muito malicioso.
- Tá a fim de dar uma esquentadinha no quarto de Leon, gata?
- Ui ui ui, Varen! Tirra suas mãos de mim! Que grurdento! ARGH!
E lá se foi Glaceon pisando fundo, extremamente revoltada com a aproximação do primo.
- Cara, isso foi nojento. – comentou Jolteon que ainda segurava o salgadinho a caminho da boca.
- Vocês são primos! Em primeiro grau! – gritou Leafon completamente escandalizado.
- E daí? Eu sou tranquilo, mano, faço o que dá na telha. Não é, Jolie? – uma piscadinha marota rendeu um salgadinho no meio da testa – Ah, valeu, tava com fome.
- Eu não mereço isso... Da próxima vez me recuso a sediar essa reunião! – Leafeon começou a arrumar novamente os salgadinhos, já que Jolteon os traçava rapidamente.
- Na verdade, pelas regras, é a novata hoje quem vai fazer isso. Só não sei bem como vai ser, alguém sabe como ela é? – perguntou Jolteon.
- Espero que seja gata, muito gata, mais gata que a Glenda. Mas não tanto quanto você Jolie. – mais uma piscadela que gerou uma marca de coxinha no seu rosto – Prefiro pastel, falando nisso.
De repente um bocejo pode ser escutado vindo de trás do sofá. Espeon, com o pelo todo bagunçado,  e ainda com olhos de sono, levanta-se dando uma vasculhada no ambiente.
- Ué, já chegou todo mundo?
- Ester? Você ‘tava aí o tempo todo? Como é que o Leon não te viu antes? – perguntou Jolie lançando um olhar meio atravessado para Leafeon.
- Ah, é que, eu... É...
- Eu dormi aqui ontem, e ia embora de manhã, mas... Eu tinha perdido minha blusa, então eu fui procurar e... Uaaaaaaaah – mais um longo bocejo – Acabei caindo no sono atrás do sofá.
- Perdeu sua... – começou Vaporeon mostrando-se empolgado.
- BLUSA? – completou Jolteon claramente irritada.
- Não é o que você está pensando!!! – adiantou-se Leafeon recuando para fugir dos ataques de Jolteon – Ela pegou chuva! Lembra? Choveu ontem? Daí eu emprestei uma roupa e...
BAF! O tapa só não acertou Leafeon porque uma sombra estava entre eles. Umbreon, quase todo de negro, interrompera a briga surgindo sabe-se lá de onde. Com o vestido preto mais deslumbrante que pode achar no armário de roupas pretas, era uma gótica perfeita.
- Então minha irmã está causando problemas de novo...
- Uaaaaaah... Eu?
- Sim, você, Ester. Acalmem-se, lindezas, minha irmã está com sono demais para conseguir colocar a grande cabeça dela pra funcionar.
- Desde quando você tá aqui, Brienne? Dormiu também com Leafeon? – a voz de Jolteon estava dois tons acima do normal indicando o perigo.
- Cheguei agora mesmo. Ninguém me ouviu entrar? Normal.
- Bom, agora só faltam nossa rainha e a novata... Nham, duas pelo preço de uma!
- CALABOCA, VAREN! – gritaram todas em uníssono.
- Pera... Não tá faltando também a...
A porta praticamente explodiu com a forma que Flareon abriu, entrando como em uma passarela. Linda e poderosa, vestida em um casaco de pelos vermelhos brilhantes e com uma sedosa bata cobrindo-lhe o corpo, desfilou até o meio da sala.
- Olá, pessoal, sentiram minha falta?
- NÃO! – responderam Umbreon e Jolteon.
- Na minha cama, AGORA! – foi o que disse Vaporeon.
- MINHA PORTA! AAARGH! – Leafeon só pode reclamar.
- UAAAAAH! – foi a resposta inteligente de Espeon.
- HUNF! Plebeus! Eu chego aqui, linda e divosa e sou assim recebida? Não me admira que esta festa esteja um uó! Vocês não merecem minha presença!
Os seis primos e irmãos começaram a discutir (bom, na verdade cinco, Espeon puxou uma soneca no sofá) avidamente, o que só piorou com a entrada de Glaceon, rival eterna de Flareon e a única ali a se destacar tanto quanto ela. De repente alguém fez:
- Caham! – veio o pigarro entre os Eevolutions.
Nenhum deles respondeu, todos olhavam uns para os outros mas conheciam bem aquela voz. Flareon decidiu dar uma olhadinha para baixo só para ver os grandes olhos divertidos de Eevee.
- Olá, Flaire. Como vai? – perguntou inocentemente a criaturinha tampinha.
- O-olá, minha querida! Vou bem e você?
- Muito bem, só um pouco triste, já que minhas queridas crianças estão brigando.
- Brigando? Nós? Nunca! – corrigiu Glaceon rapidamente – Só estávamos em um caloroso debate!
Leafeon deu um tapa na própria testa.
- Caloroso? Você, Glenda?
- Aaaaah, bem...
- Não importa. Vocês todos estão aqui reunidos para conhecerem o mais novo membro da família e aqui está ela! Pode entrar, Sylvia!
Os Eevolutions todos prenderam a respiração quando a garotinha de chiquinhas, vestido rosado parecendo um doce e grandes olhos azui apareceu entre eles. Delicado, fez uma mesura para cumprimentar os outros.
- Olá, eu sou Sylvia, muito prazer!
- Tão... Doce... Eu preciso... – Vaporeon tentou se aproximar, mas um puxão o fez cair no chão.
- Te acalma aí, papa-anjo, que ela não é pro teu bico. – bronqueou Jolteon, não alto demais para Eevee ouvir.
- Bem vinda à família, Sylvia, eu sou Leon e...
A garota começou a rir, rir e rir. Leafeon ficou desconcertado e procurou os outros para tentar entender o motivo de tanta graça.
- Você tem um topete engraçado. Desculpe. – Sylveon disse entre as risadas.
- Ah... Tá... – Leafeon se recolheu, envergonhado e alisando os cabelos.
- Oi, somos as gêmeas, Brienne e Ester, tudo bem?
- Noooossa, que olhos grandes ela tem. – comentou Sylveon olhando para Ester muito de perto.
Foi a vez de Glaceon impedir que Umbreon desse um soco na garotinha. Por fim, Flareon se aproximou.
- E não é uma coisinha linda, tão fofinha, vai ficar quase tão bonita quanto eu quando crescer.
- Obrigada, TIA, só espero não ganhar tantas rugas quando chegar na sua idade.
Muitos ataques desordenados e um rugido de Eevee depois, os Eevolutions estavam caídos, exaustos e alegres. Apesar das maldades, Sylveon foi bem recebida entre os primos, percebendo que a garotinha tinha o dom para o caos, com a sutileza e o veneno de uma fada. Leafeon passou entre eles deixando cobertores para que não sentissem frio à noite e sentou-se ao lado de Eevee que tomava seu chocolate quente com calma.
- Ótima festa, Leon, que a próxima seja tão boa quanto!
- Vai ser dada pela Sylvia, né? – perguntou Leafeon preocupado.
- Claro, essa é a regra... Apesar de que... Não sei se ela vai estar preparada para o que vai vir?
- O que você quer dizer com isso, Vivi? – um brilho no olhar de Eevee deixou Leafeon assustado.

- Isso, meu querido... É surpresa!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Como uma folha no vento

Engraçado o título dessa postagem, vem de outro personagem que eu curto muito e de repente fiz uma ligação bizarra entre ele e a imagem que me fez escrever esse conto. Bom, de qualquer forma, isso não importa, quero que vocês mesmos tenham uma impressão nova sobre o texto. Hei, é o primeiro depois de meses! Estou devendo ainda uns textos do desafio (mais precisamente três) que trarei logo pra fechar minha conta. E também retornarei a projetos antigos e verei no que dá.
De resto, agora casado e na minha própria casa (apartamento, na verdade), estarei pronto pra me dedicar um pouco mais, de cada vez, ao blog.
Aproveitem o conto!

Almas Prometidas

Encostou-se na parede, segurando a barriga para não deixar o sangue escorrer mais depressa. Não tinha muito tempo pelo jeito, então o negócio era conversar para se distrair. Ela chorava, chorava de soltar berros de dor.
- Ei... Cala a boca...
- Por que... Por que você fez isso?
- Nem eu sei bem... Acho que foi instinto, algo dentro de mim disse para fazer. Nem pensei muito.
Ali perto, próximo de cair do penhasco, o corpo do assassino finalmente ficou frio, a nesga de vida se esvaindo para o limbo de onde voltaria algum dia. Sua espada escorregou para o vazio, o nada em que ele iria jogá-la. Ainda bem que não conseguiu, mas não sabia por que pensava isso, a conhecera há tão pouco tempo.
- Como é mesmo seu... Ah, esqueça... Não preciso saber...
- Diga, se for te ajudar, diga.
- Seu nome, qual é mesmo?
-Zee. É assim que meus amigos me chamam.
- Zi. Diferente...
- É Zee, com dois e’s. Eu não gosto muito do meu nome, era de uma antiga rainha, só que as histórias sobre ela são cheias de tragédia.
Ele olhou de relance para seu inimigo morto, pensando quão irônica ela podia estar sendo. Seu coração começou a bater mais devagar, muito mais fraco, então logo chegaria sua vez. Ao menos ela estava inteira, poderia fazer sua parte, talvez transformar aquele mundo negro em algo bom, trazer de volta os sorrisos dos aldeões, dos povos da floresta, da montanha e do mar... Por que pensava nisso? Nunca fora tão altruísta.
- Eu realmente queria ter viajado mais, conhecido outras pessoas...
- Você vai, vamos sair daqui, eu vou lhe recompensar e então você poderá ter sua própria fazenda! Talvez comprar outra égua como aquela... Sinto muito, não tive a intenção.
- Tudo bem, era só uma égua velha. Nós tivemos nossos momentos, mas ela não andava bem da cabeça. Sua fixação por cenouras quase me faliu.
- Você é engraçado. Quero te conhecer melhor.
- Garota... Não vai dar... Ele me cortou ao meio com a espada, eu...
- Por favor não! Não quero que meu salvador vá embora assim.
Que menina egoísta, como se ele tivesse ao que se agarrar. Órfão, pobre, apenas algumas heranças como o chapéu idiota que o protegia do frio, a flauta esquisita e a égua que nunca o levava para onde queria. Agora estava tudo perdido, o chapéu caíra no abismo, a flauta fora quebrada e a égua... Pensou nos últimos momentos ao lado dela e seu coração falhou em uma batida ou duas. Não conseguia mais respirar.
- Zee... Vem cá.
Ela se aproximou, agarrando sua mão. Chorava de soluçar, os olhos completamente marejados. Incrível como mesmo assim era a garota mais bonita que já vira.
- Hei ei ei. Tudo bem, estou aqui ainda. Fique do meu lado.
- Vou ficar,pode acreditar!
- Também... Também quero te conhecer melhor... Talvez, algum dia.
- Vocêpromete?
- Eu... Eu prometo, juro!
Ela sorriu, a primeira vez que ele viu aquele sorriso, e foi com essa visão que ele se foi. Sua alma abandonou seu corpo logo antes do resgate chegar. Eles tiraram ela de lá arrastada, aos gritos.
...
O homem entrou no palácio acompanhado do filho que tropeçava nos próprios calcanhares. Era o grande dia, o nascimento da herdeira do trono. Há anos que esperavam por ela, por aquela que carregaria o legado da família real. Seus pais pareciam felizes, a primeira menina em trezentos anos. Todos foram trazidos para festejar.
Debaixo da sacada, metade do reino esperava ansioso pelo aparecimento do rei carregando a bebê nos braços e ovacionaram quando as cortinas se abriram. Ainda com o manto de dormir, o soberano trouxe a menina enrolada nos cobertores arroxeados. O fazendeiro ergueu o garoto nos ombros para que conseguisse olhar para ela.
- Vê, Link? Essa será sua rainha!
E com os olhos vidrados, completamente hipnotizado pela criança que mal conseguia ver, o menino sorriu com tudo, algo vindo de dentro do seu espírito.

- Sim, pai. E eu lutarei por ela. É uma promessa!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

21º Desafio - Bruno Benetti

Tudo bem, eu sei, estou BEM atrasado, mas alguém ainda está contando pra ver se estou em dia? Ok, vocês estão, mas, poderiam, talvez, serem piedosos comigo? Prometo que vou compensá-los! O desafio do dia foi proposto pelo meu colega de jogos de carta Bruno Benetti que achou que seria divertido ver... Bem, uma certa ficção em um conto que misturasse um de nossos hobbies com o "mundo real". Vejam e divirtam-se!

Um belíssimo pássaro que trará a esperança, nesta arte do DA.
O Mestre

O garoto corre para o beco, olhando em volta para garantir que não estava sendo seguido. Uma porta escondida abre-se quando ele bate três vezes na parede, levando a uma sala mal iluminada por uma lâmpada vermelha. Outro rapaz o esperava ali, encostado perto da passagem que leva ao subterrâneo.
- E então? Tranquilo?
- Sim, ninguém me viu e minha mãe tá de butuca pra impedir que eles venham atrás da gente.
- Tua mãe topou mesmo a parada?
- Ela não é dessas, cara, ela sabe o valor dos bichinhos.
- Beleza, bora então, parece que tá todo mundo lá embaixo.
A medida que desciam o som ficava cada vez mais alto. No subsolo, quase meia centena de adolescentes como eles conversavam, trocavam ideias, e até mesmo exibiam seus monstros. Em um canto com sofás, o líder debatia com seus companheiros. Assim que viu a dupla o homem, um pouco mais velho que os outros, levantou-se e foi até eles.
- Noah, é ótimo vê-lo por aqui.
- Moses. Obrigado pelo convite, a Arena está pronta?
- Perfeitamente. Trouxe o time todo?
- Só três. Não estou treinando mais nenhum. Não depois...
- Tudo bem, não falemos nisso. Também usarei três então. Se ganhar, eu te passo a medalha, mas se perder...
- Já sei, eu me junto à vocês e vamos seguir sua ideia idiota de lutar contra o governo.
- Idiota ou ousada? Se nos unirmos, poderemos acabar com a opressão e libertar nosso povo. Olhe em volta, somos muitos!
Noah realmente olhou e poderia concordar, mas sabia que o governo era bem maior, não só por aqueles que mandam, também aqueles que obedecem, seja por medo, seja por dinheiro. Suspirou, seria uma batalha dura e esperava ganhar. Conhecia a fama de Moses e esperava que ela fosse exagerada. Seria uma derrota dura demais para aguentar.
- Bem, quando estiver pronto.
E fez um sinal para que as pessoas se afastassem, liberando o espaço para eles duelarem. Com estilo se posicionou no canto oposto, o Azul do defensor do título. Noah foi até o canto vermelho, do desafiante, e olhou para o controle de teleporte. Era seu terceiro console desde que fora descoberto no verão anterior, sempre com a sensação que seria novamente hackeado pelos técnicos do governo. A dor de perder alguns parceiros era sempre rápida, e passava quando chegava em casa e os encontrava ainda lá.
Apertou o botão convocando o primeiro deles. Uma tartaruga gigante, com canhões saindo de dentro dos cascos e o tamanho de uma caminhote surgiu na parte vermelha da Arena. Do outro lado Moses chamou uma enorme cascavel roxa com presas que poderiam furar a lataria de um tanque.
- Blastoise? Uma escolha interessante, Noah. Mas não se preocupe, Fear vai dar uma lição nele.
Por um minuto Noah pensou em rir. A cada instante, cada movimento, as memórias de treinador voltavam e teve certeza de que não perderia. Conhecia o monstro do seu oponente, já enfrentara outros antes. Moses era bom, mas ele com certeza era melhor.
- Treinadores, podem começar! – gritou o juiz.
- Tempest, Jato de Água!
- Fear, cave por baixo dele e o ataque pelas costas!
Os dois monstros obedeceram ao mesmo tempo, água pressurizada rachando a parede logo atrás de onde antes estava a cobra. Para Moses era uma batalha garantida, mas ao ver Noah dar um sorrisinho sua confiança se abalou.
- Tempest, Terremoto.
A arena e até o prédio tremeu com a batida da pata da grande tartaruga no chão. Pode-se apenas ouvir o chiado da cobra que conseguiu se espremer para fora do buraco completamente destruída. Se não fosse seu corpo maleável poderia estar morta agora.
- Por essa não esperava. Tudo bem. Teleporte para fora, Fear. Teleporte para dentro, Pain.
Com essas palavras o Arbok foi retirado da arena e surgiu em seu lugar um inseto de carapaça amarronzada com duas enormes pinças espinhosas em cima da cabeça. Sua mandíbula abria e fechava em um som medonho e seus olhos brancos davam a impressão de que conseguiam ver tudo.
- Um Pinsir? Uau, esse realmente...
- Pain, estrangule o Blastoise, agora.
Mal teve tempo de reagir, o monstro já pulava no pescoço da tartaruga quando Noah gritou:
- Defesa de Ferro, Tempest!
O Blastoise parou, permanecendo firme, enquanto as pinças se fechavam ao seu redor, mas elas não conseguiram produzir nenhum efeito ao se apertarem. Parecia que ele havia virado rocha.
- Tempest, Jato de Água na fuça desse Pinsir. Sem dó.
O inseto foi jogado contra a parede a tal velocidade que quase a perfurou. Moses trincou os dentes de raiva, incapaz de achar uma boa expressão pros seus pensamentos malignos. Estava sendo humilhado e detestava isso.
- Muito rápido esse seu monstrinho... Parece que você andou dando alguns buffs nele...
- Apenas treinei e cuidei dele o máximo possível.
- Tudo bem... Então eu vou lhe recompensar colocando em campo alguém que preparei especialmente para você... Plague, teleporte para a arena.
Noah não teve tempo de pensar. De repente uma sombra negra surgiu na arena e golpeou Tempest com uma energia densa, parecida com uma nuvem tóxica. A tartaruga estendeu as garras para o garoto, como que pedindo ajuda e eles só pode apertar o botão de teleporte. Seus olhos estavam arregalados, seus maiores temores tomando conta de sua mente.
- Nã-não... Não pode ser!
- Sim, eu trouxe um amigo que achei que você gostaria de encontrar. E então, ninguém mais para enfrentar meu Plague?
Ele encarava o Gengar, apenas um amontoado de matéria escura que tinha uma expressão como um sorriso maligno. Duas luzes vermelhas, seus olhos, estavam olhando de volta e pareciam entrar no seu corpo lhe causando uma intensa tremedeira. Teve medo, muito medo, de chamar seu próximo monstro e acontecer tudo de novo. Lembrou-se do seu amiguinho caído, da dor de vê-lo se contorcendo com o pesadelo e então tudo parou. Uma cova, muitas lágrimas e o enclausuramento auto inflingido. Isso o paralisou.
- Bem, vou considerar então sua desis...
- Hope, é agora.
O botão pressionado fez surgir uma intensa luz no meio da arena, teleportando o seu monstro favorito. Uma ave esquisita, de corpo branco, e com manchas azuis, pairava brilhante, sua própria presença afastando o fantasma.
- O... O que é isso?
- Um Lugia. O Lugia. Hope. Choque Psíquico.
Havia frieza na voz de Noah, mas o pássaro lendário o obedeceu, lançando uma onda de energia mental tão forte, visível apenas como o grito dele, que fez desaparecer o fantasma instantaneamente.
- Vitória do canto vermelho, Noah!
Moses caiu de joelhos mas seu oponente não comemorava. Na verdade ele estava de pé, observando os movimentos do seu monstro, que, agora que tinha completado sua missão, também o olhava. O pássaro voou para perto dele e o envolveu, sumindo em uma explosão de luz branca.

- Obrigado... Amigo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

20º Desafio - By myself

Como eu não tive mais sugestões (e uma ainda está no forno), acabei fazendo hoje um desafio para mim mesmo com uma ideia que tive repentinamente arrumando as caixas de livro pra mudança. Algo meio perturbador que realmente mexeu comigo um pouco. Por que será? De qualquer forma, eu acho que vocês podem se identificar com a historinha. É curta, verdade, mas tinha que ser assim. Enjoy it!

Um ambiente macabro criado por MSHFAR.
A Sala Escura

Primeira hora.
Nada demais, apenas alguns sons estranhos vindos dos cantos e a constante impressão de estar sendo observado, o de sempre. Sei por experiência própria que nada deveria mudar nesse curto espaço de tempo. As badaladas me avisaram de que uma hora havia passado, se não eu nem perceberia. É a partir de agora que as coisas vão ficar ruins de verdade.
Segunda hora.
Ele está ali, eu sei, esperando que eu me distraia, que eu durma. Não vou lhe dar esse gostinho, estou bem armado, alimentado e descansado. Só com muita sorte ele poderia me pegar desprevenido. É claro, usa truques para isso. Eu tenho certeza de que ninguém bateu na porta umas vinte vezes. Um de seus joguinhos mentais mais perversos.
Terceira hora.
Agora há mais uma pessoa comigo na sala, Bob. É um cara legal, mas com certeza não estava preparado para isso. A experiência está sendo chocante para ele, que agora treme de medo de tudo e também parece não conseguir controlar suas vontades. Devorou sua barrinha de cereal em minutos, bebeu a garrafa d’água e espero que tenha sido isso que vazou pro chão.
Quarta hora.
Bob está irritante, tentando o tempo todo devorar as MINHAS provisões e me acusando de coisas que não fiz. Ou melhor, que ELE fez. Foi ele quem abriu a porta e deixou que a criatura entrasse. E foi ele quem deu dois tiros e errou, fazendo com que a criatura se misturasse às sombras. Agora nunca saberemos para onde ela foi.
Quinta hora.
Matei Bob, aquele maldito. Quem mandou chegar perto da MINHA espingarda? E tentar ainda usar lógica contra mim para provar que eu que estou errado. Ora bolas, eu sou expert nesse game, Bob! Eu te odeio, seu gordo filho da...
- Jimmy, desliga esse videogame que já tá na hora de dormir!
- Mas mãe! Eu ainda não consegui acabar!
- Obedece, menino, ou vou aí e te dou uns tabefes!
- Droga, velha...

Jimmy levanta, vai até o videogame e toca no botão de desligar. Antes da tela ficar preta ele olha para o cadáver de Bob que acabar de saquear, levando seus itens. Em outro lugar do mundo algum garoto ou garota deveria estar roendo as unhas de raiva. Bom, problema dele, que não sabe jogar direito!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

18º Desafio - Rodrigo "O Bardo"

E ESTE foi o texto que escrevi ontem, mas não saiu a tempo. Bom, desafio respondido, senhor Bardo! Espero que curta a narrativa que desenvolvi para completar sua ideia. Sinceramente? Adoro trabalhar com personagens assim, seguros de si mesmos. E é isso aí, desafio aceito!

Falha de Julgamento

A mulher arrastou-se pela neve, tremendo de frio, próxima da morte. A ferida nos quadris quase impossibilitava o movimento. Havia um bocado de sangue encharcando as roupas. Dificilmente poderia se esconder de predadores. Avistou ao longe o mosteiro, as portas abertas para necessitados e pensou que poderia ficar ali por um tempo. Monges dificilmente a julgariam e fariam mal. Perfeito.
Apesar das dores ela conseguiu chegar até as portas e entrou em uma sala iluminada e aquecida por uma lareira. Três homens correram para ajudá-la, levando-a para a enfermaria. Trataram seus ferimentos, deram uma espécie de soro de ervas que nem quis saber e a colocaram em uma cama coberta da cabeça aos pés.
Percebeu que eles a olhavam, principalmente quando encontraram a faca, e seu instinto lhe disse que suas previsões haviam sido incorretas. Poderia ser que eles a deixassem morrer por conta de sua profissão. Analisou o ambiente procurando rotas de fuga. Talvez, com sorte, podria encontrar mantimentos suficientes para escapar nessas condições e sobreviver algum tempo naquele clima ártico. Escolheria melhor a próxima missão.
Quando enfim ficou sozinha buscou pela arma e os equipamentos,mas não os achou em lugar algum. Estava pensando em ir mesmo sem eles quando a porta abriu lentamente. Jogou-se para dentro dos cobertores mais uma vez e ficou esperando. Um único monge, o mais velho, percebeu, entrou carregando uma bandeja com um prato e um copo de suco, que colocou ao lado dela.
- Olá, espero que esteja melhor. Os nossos chás são muito bons para curar machucados.
- Obrigada, meu senhor. Mas não quero atrapalhar, partirei logo. Estava em jornada para uma vila não muito longe daqui. – mentiu, preparando um motivo para ir embora.
- Honestia, imagino. – e sorriu quando ela concordou – É um lugar bonito, o povo é bem educado e as pessoas tendem a se entender bem.
- Parece realmente bom. Foi recomendada por um amigo... – ela pensou em parar ali, qualquer mentira a seguir poderia estragar tudo.
- Agora coma, a sopa vai lhe recuperar as forças.
Realmente, o caldo fumegante exalava um cheiro maravilhoso, despertando um apetite desconhecido. Em outras ocasiões teria ficado preocupada, mas naquele lugar estaria tranquila. Pegou o prato e tomou um boa colherada de uma sopa muito gostosa.
- Diga-me, criança, o que mais você veio fazer nestes lados? Essa faca me parece muito perigosa, por exemplo.
Ele dizia isso segurando a lâmina de um jeito estranho, que despertou os sentidos dela. Precisava ficar atenta, não poderia se deixar ser enganada por qualquer um.
- Eu estava usando para me proteger dos animais que surgissem. Detesto pistolas, apesar de terem me recomendado, e ainda poderia usar para cortar algumas coisas. – eram apenas meia-verdades, então não estava fazendo tão errado.
- Entendo. Realmente é uma bela faca. Bem, espero que ela lhe seja útil.
- Sempre foi e sempre será.
- A sopa está gostosa?
- Muito! É fantástica... De que é?
- Uma mistura ótima de ervas finas, um pouco de creme, cenouras, batata e arsênico.
Achou que não tinha ouvido bem a última palavra, ela tinha soado muito errada.
- Perdão, eu ouvi arsênico, mas você quis dizer...
- Isso mesmo que ouviu. Claro, você não notaria nunca com a combinação que fiz, que tira o gosto ruim e deixa apenas o efeito. Neste momento seu corpo já deve estar perdendo o controle enquanto o veneno age.
Era verdade, ela tentou chegar até a faca, mas sua mão caiu no meio do caminho, fraca e mole. Sua boca secara, e tinha certeza de que estava morrendo. Uma dor escruciante cortou seu corpo ao meio.
- Mas... O quê...?
- Eu achei que nunca te encontraria, mas você cometeu uma falha grave e foi avistada quando correu da mansão do pobre Rochefeller. Sorte que sobreviveu à armadilha deles, senão eu não teria a oportunidade de capturar seu cadáver. Não se preocupe, não deixarei que ninguém tire um troféu seu.
Quase não ouvia mais nada, o que o falso monge percebeu, pois parou de falar. Ele sorria de um jeito diabólico e só então ela notou que ele era bem diferente dos outros. Tinha a pele em um tom mais ocre, seus braços eram um pouco musculosos e seu olhar nada sereno. Como se deixou errar tanto? Treinamento idiota.

- Ah sim, antes de morrer, um alento... Não existe Honestia. Mas você adoraria morar lá. Morra bem, criança.

17º Desafio - Bruna Cristina

Uau, esse foi intenso. A Bruna, depois de muito, muito me enrolar mesmo, finalmente me desafiou a fazer um conto usando como fundo a música Behind Blue Eyes do The Who. Digamos que eu acho que consegui entrar no feeling da coisa e saiu um conto bem tenso que eu adorei escrever. Era pra ter saído ontem, mas exatamente o sentimento que me fez atrasar pra hoje é que tornou o conto tão legal. Eu ainda devo dois textos a vocês. Não se preocupem, voltem em meia hora, no máximo. Coloquei a música junto para que vocês possam sentir o que quero dizer.


Anger - Raiva

As janelas fechadas. As portas trancadas. A luz apagada. Apenas uma vela iluminando fracamente a parede forrada de fotos. Todas manchadas com cola, umas poucas riscadas nos rostos alheios. Apenas o dela intacto.

No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes

Chora, o corpo tremendo de dor e medo. Medo da morte. Medo da vida. Uma faca ao lado, suja de um líquido vermelho espesso. Provavelmente ainda quente. Os gritos do lado de fora, chamando, perguntando o quê, o por quê. Na cabeça milhares de pensamentos.

And no one knows what it's like
To be hated
To be fated
To telling only lies

Memórias de quando se conheceram, flashbacks de cada encontro, da troca de sorrisos, da promessa de amizade e amor. Tudo se desvanecendo, sobrando apenas lembranças sutis de momentos juntos. Os gritos ficam mais altos, as mentiras vão caindo uma a uma.

But my dreams, they aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free

Cada uma das histórias contadas, as verdadeiras e as falsas, se tornam lágrimas em seus olhos. Os sonhos de dias felizes desmoronam diante da intrincada rede de bobagens ditas. Se há algum remorso, se mistura com a ira e o rancor. Ela não poderia ter feito o que fez.
Pega a faca, pronto para fazer o que se prometeu fazer. Passou dias pensando nisso, arquitetando uma forma de se livrar de uma vez do sentimento que apertou seu coração até espremer toda a felicidade. A vingança que o libertará de um amor cruel.

No one knows what it's like
To feel these feelings
Like I do
And I blame you

Ela fora a pior de todas, causadora de um mal tão profundo que ele não tinha palavras. O líquido pinga da faca, marcando o chão e secando em seguida. As pessoas do lado de fora tentam arrombar a porta, alguns gritam: “Não faça isso! Não!”

No one knows how to say
That they're sorry
And don't worry
I am not telling lies

Ignore-os, diz a si mesmo, eles não sabem de nada. Mas sabiam de tudo, ninguém o avisou, ninguém disse o que aconteceria. Só se importavam consigo mesmos. Agora pedem desculpas, tentam consolar, fingir que está tudo bem. Nada está bem.

No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes


Desfere o primeiro golpe, sujando de vermelho as fotos. E outro, e outro. Fica mais fácil a cada facada. A parede vai se colorindo a medida que as fotos são destruídas. Nenhuma do rosto dela fica intacta. Ele levanta, abre a porta, não há ninguém, apenas fantasmas. Vai embora.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

15º Desafio - Antônio Henrique

Era para ter saído ontem. Minha mente, no entanto, pediu arrego. Os últimos dias foram tensos para ela e quis respeitar. Assim, o desafio que seria do meu pai foi transferido até eu ter algo bom pra escrever com ele. Mas aí surgiu uma ideia, depois de ver uma imagem e eu precisei escrever sobre isso. Duas pessoas talvez entendam bem a referências, às outras só desejo que tentem, e se não, que apreciem a beleza do encontro de três magníficos animais. Espero que gostem.

Ótima imagem tirada daqui.
O Tigre, o Lobo e a Raposa

O sol subiu no horizonte, clareando o vale e iluminando o lago. Das sombras, um tigre de cores claras, um animal esplêndido, saiu para beber água. Sua pelagem reluzia com o amanhecer, os olhos irrequietos procurando por possíveis presas. Nenhum som o alertou para perigo. Convencido de que ninguém poderia observá-lo, o tigre se ergueu nas patas traseiras e tirou a capa de pêlos, revelando uma bela jovem por baixo.
Corpo nú, apenas uma faca presa a um cinto para proteger-se em sua outra forma. Abaixou-se para pegar água com as mãos quando um som lhe atraiu o olhar. Discreta, uma raposa tentava sair de sua toca sem chamar a atenção, mas acabara tropeçando em um graveto, o suficiente para que o Tigre lhe percebesse. O pequeno animal não dava medo ao felino, então o ignorou. Mas a raposa continuava parada lhe olhando.
De repente, do mesmo modo que o Tigre, a Raposa se pôs de pé e livrou-se de seus pêlos, surgindo de lá outra jovem também bela e de corpo generoso. Ela usava apenas uma alforja e carregava um arco. Mesmo armada, ela ergueu as mãos para fazer sinal de “não vou lhe ferir”.
- Acalma-te, amiga Tigre. Nada posso lhe fazer de mal. Vê? Sou só uma raposa.
- Então por que te aproximas tão sorrateiramente, Raposa? Se sabes que sou um animal caçador e meu instinto diz para lhe atacar, por que me dás esta oportunidade?
- Só queria beber água ao teu lado. Nunca encontrei criatura tão excepcional antes. Tão bela és que meus olhos quase se feriram.
- Não me bajules demais, Raposa, sei de tuas artimanhas. Tramas pelas minhas costas para tirar proveito de mim.
- Oh, nunca faria isso contigo, senhorita Tigre, de forma alguma!
E ainda que a Raposa se defendesse, o tempo todo o Tigre a observava, sempre atenta a qualquer movimento suspeito. Outro somde passos atraiu a atenção das duas. Um homem, vestido de preto e portando uma espada se aproximava. Seus olhos pareciam serenos, mas sua postura de guerreiro ativou o modo de batalha do Tigre. Ele chegou até o lago, ajoelhou-se e pegou um bom golede água com as mãos.
- Não temam, garotas, nada tenho a fazer com vocês. Beberei e irei embora.
- E como posso confiar em alguém que nem conheço, senhor...?
- Meu nome não é de importância, Tigre, nem o seu. Se o sei, é apenas pelo barulho de vossa discussão.
E bebendo mais um pouco, o homem se ergueu e voltou-se para retomar o caminho. Quando passava pela Raposa, ele esticou o arco, fazendo-o tropeçar e caindo. Fora uma armadilha fácil de evitar, mas parecera que ele nem percebera.
- És cego, meu amigo, e também conheço teu cheiro e tua forma. És um Lobo não?
- Se sou, não entendo porquê terias me derrubado. Que mal te fiz?
- Mal nenhum, é fato, e por isso me desculpo profundamente, mas precisava ter certeza de minhas suspeitas. Agora que o fiz, lamento muito pela brincadeira. Como compensação, lhe indicarei o caminho correto para que sigas em paz.
- Agradeço. E também à ti, Tigre. Mesmo que eu, uma boa presa, tenha caído diante de ti, não me atacasses à traição.
- Apesar de tudo, minha alma de caçadora tem como rival minha alma de guerreira, que me impede de ferir um oponente caído. Vá, Lobo Negro. E não volte mais, não lhe darei outra chance.
- Também prezo por ti, Tigre, e espero que consigas encontrar o que procuras. E a você, Raposa, desejo sorte em tua empreitada.

E sem dizer mais nada, seguindo as informações que a Raposa lhe passou, o Lobo se foi. Quando o Tigre se virou para olhar, a Raposa também havia partido. Disposta a esquecer tal encontro, mas sabendo que nunca fugiria de sua memória aquelas auras tão ímpares, o Tigre voltou à sua pelagem e se embrenhou na floresta, seguindo seu destino.

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PS: Tentarei publicar ainda hoje o 16º Desafio para não pular NENHUM dia.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

14º Desafio - Ana Carolina e Gabriel Carneiro

Bem, teoricamente esse desafio é só da Ann, mas ela pediu pra fazer baseado em faroeste por conta do Gabriel, então resolvi fazer uma homenagem pra ele também. É um conto curtinho e simples, mas foi bem divertido de escrever. Amanhã espero voltar à programação normal, exatamente na metade do grande desafio!

Imagem simples do DeviantArt, mas ótima pro texto.

Uísque. Duplo.

Dois buracos de bala, a garrafa de uísque correu pelo balcão, caindo diante do corpo do defunto. Silêncio no salloon. Nenhuma viva alma pensou em se mexer ou contestar o assassinato. Os buracos de bala pararam se soltar fumaça.
- Duplo. – disse o atirador, sentando no balcão diante do barman enfurecido.
Havia trocado a tábua há uma semana só, exatamente pelo mesmo motivo. Era o quinto morto desde o começo do ano e ainda nem haviam chego a Março! Definitivamente um ano ruim para os negócios, a não ser para o coveiro.
- Qual seu problema, Tooth? Será que dava para... Esquece, não está mais aqui quem falou.
O revólver voltou ao coldre, levando consigo mais uma morte não concretizada. Quanto ódio Brian “Black Tooth” Holligan carregava consigo por todo aqueles homens? Ninguém sabia, mas a pilha de corpos aumentava e estava ficando difícil contar. Um dos homens sempre jogando pôquer havia começado a contar com cortes na parede.
Ninguém pensaria em enfrentar o velho Tooth, poucos seriam capazes disso, na verdade. O medo que sua arma trazia poderia ser comparável ao medo do próprio ceifador. O demônio também tinha olhos negros, e sua história era tão obscura que preferiam ignorar.
- Aqui está, Tooth, mas por favor... Vá embora.
E foi, porque depois de beber o Tooth não tinha mais o que fazer por ali. Havia matado mais um e pronto. Era o bastante.
Mas as coisas mudaram um dia, quando um chicano de sombrero e com uma Winchester surgiu na borda da cidade. Ele dizia procurar pelo pai, um homem que havia fornicado com sua mãe e fugira. Agora teria seu couro curtido preso nas costas de seu cavalo. Todos pensaram em Tooth, já que sua fama de grande comedor chegara longe. E o garoto tinha fibra.
O grande Tooth ignorou, preferiu fingir que não era com ele e foi beber como sempre. Dessa vez não tomou sua dose habitual, nem atirou em qualquer um. Ficou ali parado, como se esperasse por algo. De repente três tiros foram ouvidos. Tooth caiu no balcão, o copo fugindo dos dedos e se espatifando no chão do salloon. Sem dizer mais nada e passando pelo povo que absorvia a cena, o chicano sentou, deu uma batida e chamou o barman.
- Duplo. – foi tudo o que disse.

O homem, aquele das marcações na parede, pegou a faca e fez um corte por cima de todos os riscos anteriores e então iniciou uma nova sequência.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

12º Desafio - Ariana

E voltamos a nos atrasar, não é, Senhor Antônio? É, eu sei, muita coisa pra fazer, mas poderia ter escrito esse desafio da Ari antes não concorda? Bom, agora mostre pra ela o que você preparou! Bem, como ela pediu algo perto de um shoujo, acho que esta historinha deve servir. Até separei uma bela imagem da rainha em um momento mais íntimo e reservado. Fiquem com o conto!

Um lindo trabalho de Elephant Wendigo mostrando nossa Elektra em seu trono.
A Rainha deve escolher!

A fila ia longe, aparentemente todos os jovens sadios e de descendência “nobre” foram convocados para comparecer à seleção. Com isso, quase todos os futuros cavaleiros do reinado estavam ali, dos magros aos fortes, dos baixos aos gigantes, dos feios aos... Mais ou menos. As portas do salão permaneciam abertas enquanto em pares, pai e filho, entravam para conhecer a rainha Elektra.
Sentada no trono, vestida de preto dos pés à cabeça, o cajado com a pedra vermelha seguro firme em sua mão direita, a recém-coroada monarca do Reino do Crepúsculo observava cada um que entrava. Um levantar de sobrancelhas, um gesto com as mãos ou um meneio de cabeça serviam para que os visitantes fossem dispensados. Já perdera a conta de quantos vieram até ela falar de suas posses, de como seus filhos eram valentes e inteligentes e exímios em diversas artes. Todos bobos sem paixão no fim das contas.
Mesmo quando princesa, já convivia com constantes apresentações de futuros pretendentes, dos mais estranhos aos mais sem-graça. A rainha Elektra sabia bem o que queria, e não era nenhum deles. Mais uma vez teve de mandar embora alguém cuja aparência claramente não refletia o amor que poderia vir a sentir por ela.
- Próximo! – gritou seu lacaio-arauto.
- Diga-me, sir Hugo. Quantos ainda temos que ver?
- Quantos forem precisos até a senhora escolher um rei. É uma tradição do reino, minha senhora. – respondeu o quase ancião líder da guarda real.
- Diacho... Gostaria de conseguir saber as horas, mas o céu está sempre avermelhado, e este pajem inútil vive errando com a contagem.
O dito garoto se encolheu diante da acusação. Sentiu o olhar pesado de sir Hugo e temeu pela própria vida, mas a nova rainha não tinha a fama de assassina do rei anterior. O som de passos conseguiu tirar a atenção de cima dele.
- Sir Gerfried e seu filho, o bravo Gallen!
Dessa vez a rainha se animou, assim que viu o jovem seu coração de adolescente deu um salto. Alto, musculoso, os olhos azui como o mar que banha a Praia do Anoitecer, e os cabelos minunciosamente ajeitados. Não fosse o excesso de roupas, Elektra pensou que poderia ver um tronco sarado e pernas torneadas. Segurou um suspiro apaixonado até que os dois se dispuseram à sua frente, ajoelhando. O rapaz não a olhava, parecia encarar displencemente a sala, os guardas, até o pajem, mas nunca ela.
- Minha rainha, trago à sua presença meu filho, Gallen. Ele, que já batalhou ao meu lado na defesa da Baía das Águas Verdes, que venceu três torneios de Tiro, que é o mais belo deste reino.
Os elogios eram mal e porcamente ouvidos. Enquanto o pai falava, Gallen se movia, mostrando as formas para a Elektra que ardia em desejo. Ainda assim, em nenhum momento ele direcionou os olhos para ela, o que a estava incomodando. De repente, notou que ele parecia muito interessado em um recruta próximo a sir Hugo, um homem de cabelos e olhos negros. Uma ideia passou pela cabeça da rainha, que chamou pelo soldado, pedindo a ele que fosse entregar ao pretendente uma taça de água, pois ele poderia estar com sede. Quando a ordem foi atendida, Elektra captou o olhar lânguido dde Gallen para ele e só pode dar um tapa na testa. A situação foi percebida por todos, que resolveram olhar para os lados.
- Bem, lorde Gerfried, seu filho foi... Muito apreciado... Por nossa rainha... Mas voltaremos a falar com vocês... É... Depois...
Constrangido, sir Gerfried levou seu filho para fora, praticamente arrastado. Foi possível ouvir a batida que deu no garoto assim que saíram do salão. Elektra só tampou o rosto com a mão para evitar o riso. A dupla seguinte lhe chamou ainda mais atenção. Parecia um belo par de gêmeos ruivos, não fossem os cabelos rareados do pai. O mais novo claramente não era voltado para o combate, mas a beleza de seu resto anguloso e do nariz adunco foi capaz de tirar uma piscada da donzela.
- Sir Archibald e seu filho, Elliot, o sagaz.
- Minha rainha, por favor, espero que possa dar um pouco de atenção à meu rebento.
- Belíssima soberana, ouso ficar em sua presença para tentar lhe tirar ao menos um sorriso, para que possa honrar sua generosa perfeição, que a todos nós é tão acalentadora. E quando a noite finalmente cair em nosso reino, gostaria de ser o estandarte iluminado por sua luz e... – a fala de Elliot prosseguiu.
Elektra segurou um bocejo. Ele continuava falando, mesmo depois de ela ter passado a contar os detalhes dourados na bandeira de seu reino. Seria o Sagaz tão estúpido que não reparava ter perdido todos os pontos com sua pretendente? Finalmente cansada e ele ainda não parando, ela fez um sinal de corte e o rapaz foi arrastado para fora pelos guardas, levando o pai dele junto.
- Sir Hugo, por acaso o senhor está brincando comigo?
- Perdão, milady, mas não sou eu que seleciono os candidatos – e lançou um olhar intimidador para o pajem, que procurou um buraco para se enfiar.
- Então que venha o próximo. E que seja bom!
As preces foram atendidas. Diferente do primeiro, um acumulado de qualidades díspares que virou um nada, este tinha a coesão de uma obra-prima. Os cabelos curtos, espetados, os lábios carnudos, o corpo delgado, mas firme, o porte de um atleta. Trazia nas mãos um baú que deixou aos pés da rainha.
- Sir Brahm e seu filho, Conner.
Ela nem havia reparado no idoso com rosto de falcão que viera acompanhando o rapaz. Tão diferentes, ele partilhava dos mesmos olhos intimidadores do filho.
- Trouxemos um presente, caríssima rainha, algo que não chega aos pés de sua magnificência, mas desejamos que aprecie.
Sir Hugo abriu o baú, mostrando à rainha o conteúdo da caixa, que a enojou. Era a carcaça de algum animal selvagem, talvez a cabeça de um lobo. Foi o suficiente. Fez um movimento com as mãos e a caixa, o pretendente e seu pai sumiram de sua vista. Estava prestes a chorar. Em questão de minutos tivera experiências tão ruins que teve certeza que surtaria antes do último. Precisava de alguém decente, carinhoso, que fosse bonito, mas não precisava ser tanto assim, desde que fosse um homem bom.
Tão enfiada na própria cabeça estava que mal ouviu o anúncio do pretendente seguinte. Quando levantou os olhos, seu coração perdeu o compasso, seu estômago revirou e suas mãos suaram frias. Ele não era o mais bonito, mas tinha o charme de um músico. Também não parecia o mais forte nem o mais ágil ou inteligente, parecia mais matreiro, o tipo de cara que teria uma boa ideia na hora certa e a tiraria do perigo. Não precisaria enfrentar um dragão, e matar o pobre bichinho por ela, ele o enganaria e conseguiria fugir com o tesouro e tudo.
- É ele! Por favor, tragam-no aqui! – gritou apontando para o garoto.
- Mas senhora...
- Agora! Depois de tudo isso, eu mereço falar com ele diretamente!
- Senhora...
- Obedeçam!
Por algum motivo o rapaz foi levado até ela de um jeito brusco, e sob olhares nervosos de todos. Sir Hugo trocava o peso dos pés e segurava a espada da forma errada. Todos pareciam não saber onde enfiar as próprias cabeças. O jovem estava tremendo um pouco de um jeito fofo.
- Então, por favor, pode repetir seu nome?
- É... Janus, minha rainha, mil perdões.
- Não precisa se desculpar, Janus. Diga-me, você não é adepto de caçar lobinhos e me trazer a pele como troféu, não é?
- Não, minha senhora! Juro que não! Odeio caçar! Prefiro... Adestrar os animais.
- Ótimo! Imagino também que goste de mulheres, não é? Digo... Acha-me bonita?
- Linda... Bela como uma rosa desabrochando sob a luz do sol.
- E ainda é sucinto! Sim! SIM! É você! Venha aqui, meu príncipe!
- Mas senhora! – interrompeu Sir Hugo não mais se contendo – Ele é apenas o pajem de Sir Harold e seu filho Mardock! Aqueles são seus pretendentes!
A rainha olhou para onde o cavaleiro apontava e encontrou o olhar reprovador e indignado de pai e filho, dois exemplares perfeitos de pessoas mais noção que já vira. Perto deles Janus passava de um simples servo para um magnífico pretendente.
- E daí? Eu o compro de Sir Harold, o transformo em cavalheiro e o caso comigo! Quer dizer, se você aceitar, sir Janus...
O garoto claramente ficou sem o que dizer. Engasgou nas palavras, trocou os pés pelas mãos e tremeu ainda mais. Ainda assim, quando olhou para ela, Elektra sentiu o calor de uma paixão inesperada. Talvez, aos poucos, ele estivesse se apaixonando por ela.
- Não precisa ter pressa, sir Janus. Pode apenas dizer que sim agora e ficaremos um bom tempo noivos, para nos conhecermos melhor. Se eu tiver te aceitado, ninguém vai poder me dizer que não. Entenderam?
Apesar de contrariados, os servos da rainha e os pretendentes só puderam concordar, frustrados.
- Eu... Eu adoraria... Minha dama...
A rainha se levantou do trono, desceu sorrindo e pegou na mão dele que ficou vermelho como um pimentão.
- Venha, vou lhe mostrar meu... Nosso reino.

E saiu feliz.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

11º Desafio - Aleatório

Sim, voltei a um dos desafiantes anteriores. Até surgir alguém novo, vou aproveitar segundas e terceiras sugestões de alguns deles. Este desafio me lembrou muito o filme Memento, que virou Amnésia em português, e que tem uma das montagens mais simples e divertidas que já vi. Assim, não foi lá muito difícil imaginar como proceder com o texto. Espero que gostem!

Como me meti nessa?

Percebi na hora que havia feito a escolha errada. Tive apenas dois segundos para pensar, tempo suficiente para apertar o gatilho. A bala atravessou a mesa e ouvi o baque do corpo caindo em seguida. Gosta de sangue escorreram pela borda, manchando o carpete na minha frente. Respirei fundo e contei até dez. Nenhum som novo. Ótimo. Saí do esconderijo. BANG!
Quando nada mais pode me frustar, os problemas começam. Escuto os passos no corredor e mal tenho tempo de me esconder embaixo da escrivaninha e deixar que as armadilhas façam seu trabalho. A navalha cai e uma cabeça rola pelo chão. A espingarda acerta um e ouço o grito gargarejado do sangue saindo pela boca. Os passos cessam. Aparentemente estão todos mortos. Resolvo tentar sair.
Realmente não é meu melhor dia. Toda a sala está coberta dos mais variados truques para acabar com os homens que podem nem aparecer. Dificilmente as coisas já estiveram mais complicadas. Foi uma ideia idiota armar isso tudo, o telefonema, a conversa com Diana, ter deixado Roger fugir. Suspiro aliviado quando termino de colocar o fio quase invisível que vai soltar a lâmina do teto.
Como se eu já não tivesse feito uma grande burrada antes. Diana bateu a porta quando saiu, irritada e pisando pesado. Tenho que falar com ela depois, seria uma boa nos reconciliarmos. Agora, preciso me concentrar. Há muita coisa que posso usar aqui. Uma base de guilhotina, uma espingarda antiga, algumas atiradoras de pregos e outras coisas menores que podem ser bem letais. Comecemos a trabalhar!
- É claro, porque você é muito imaturo! – ela grita chegando a me assustar. – Você tem o péssimo hábito de coletar inimigos por aí, atrapalhando sempre qualquer chance de vida a dois que podemos ter! Francamente, Daniel, cresça de uma vez ou eu... Ou eu... – Oh, oh, ela viu a sacola em cima da mesa – O que é isso? DEUS! Quer saber, desisto disso! Vou embora! Lide com eles sozinho!
- Eu não tenho culpa de nada, eu juro! – aquilo explodiu dentro de mim, havia cansado de ter que me explicar sempre – Por favor, Diana, eles que vieram até mim, e isso porque o SEU amigo Roger me deixou na mão! Olha que legal, foi só as coisas apertarem e ele deu no pé levando a única chance de eu me livrar na conversa. Que grande amigo ele é que me sacaneia assim logo na primeira briga né?
- Você sempre reclama muito. – disse ela, as lágrimas começando a escorrer – Eu não vou aguentar se continuar assim. Eles invadiram o apartamento quando eu estava sozinha. SOZINHA! E se tivesse me acontecido algo? Você tem que tomar mais juízo, Daniel, ou eu vou te deixar!
- É essa bosta de cobrança louca desses caras. Eu falhei em uma missão apenas e lá vem “Daniel, você é um merdinha!”, “Daniel não faz nada direito!”, “Daniel sempre falta com a gente!”, mas que droga! Eu recebo a pior parte e a menor divisão dos lucros sempre. Sabia que não era uma boa ideia ter aceitado aquela proposta que você me trouxe por conta do Roger.
- Qual a sua justificativa pra ISTO? – ela levanta os restos da maçaneta – Diga, Daniel, por quê esses caras invadiram o apartamento enquanto eu tomava banho e vieram atrás de mim? – coloco a sacola em cima da mesa pensando no que falar – DIGA!

Sabia que tinha algo errado quando cheguei lá. A porta estava semi-aberta e Diana me esperava sentada no sofá, só de robe, os olhos me fuzilando enquanto entrava. Seus lábios tão apertados que dificilmente passaria um fio de cabelo. Droga, pelo jeito hoje seria meu último dia na terra. Essa mulher ainda me mataria.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

8º Desafio - Pedro Rockenbach

Juro de pés juntos que tentei lançar esse texto ANTES da meia noite, foi realmente difícil e... Não deu. Mas aqui está. Respondendo ao desafio do Pedro Rockenbach aqui está um texto sobre... Bom, é melhor que vocês mesmos leiam. Só posso dizer que foi divertido voltar a uma ideia antiga, de um dos meus textos favoritos. Dessa vez, o Velho e a Caixa tem uma nova ambientação, um novo significado. Espero que gostem.

O Velho e a Caixa

Encontrei o Velho por acaso. Ele estava sentado na praça, com a caixa na mão, observando os passantes. Abria de vez em quando um sorriso meio bobo e tentava oferecer sua caixa, mas ninguém parava pra conversar. Senti uma certa pena e sentei ao seu lado, crente de que ele me faria amesma oferta, mas me ignorou completamente. Preferiu tentar a sorte com um rapaz de moicano que fez que não o viu. Deu até aquela suspirada de quem poderia fazer alguma coisa, mas se os outros não fazem, então porquê se incomodar?
- Sabe, você poderia falar comigo. – eu disse, esperando que ele me respondesse.
- Ah, não, você não. É muito cedo. – respondeu, mas foi como se estivesse falando com qualquer outra pessoa.
Levantou-se e estendeu a caixa. Dessa vez uma moça parou, olhou para ele, para o objeto de papelão em suas mãos e até mesmo ensaiou abrir, mas afastou-se e foi embora. Outros vieram, de vários tamanhos e cores. Posso até dizer que várias culturas e religiões. Um monge, inclusive, chegou a olhar dentro dela, e saiu correndo, aparentemente assustado. O velho voltou a sentar do meu lado e deu uma risadinha triste. Parecia decepcionado.
- Ás vezes eu penso que eles têm medo de se decepcionar. Em outras imagino que já estejam tão cansados disso que nem querem mais tentar ver no que dá. Eu fico até surpreso que eles ainda me aguentem.
Não entendi nada do que ele disse, e de que adiantaria? Só pude concordar e prestar atenção. Apesar de estar abatido e de parecer um mendigo, seus olhos eram dos mais profundos que já vi, duas esferas azul-escuras como um céu estrelado noturno. Admiráveis, e também bem melancólicos, refletindo uma vida terrível.
- Será que eu não poderia...
- Ver? Talvez, será que você aguentaria? Você é bem jovem, forte, já teve seus momentos de triunfo. É, quem sabe...
- Você não faz muito sentido, sabia?
- E por que deveria? Se eu fosse a resposta para tudo, vocês nada teriam que fazer. Só aproveitar as ondas que vêm e vão, seria bem legal no começo, tranquilo, mas depois de um tempo encheria o saco.
- Você fala como se... – não terminei a frase.
- O quê? Fala!
- Nada não, só pensei uma besteira.
- Besteira é não falar o que pensa. Vocês perdem tempo demais pensando no que dizer em vez de dizer. Por isso que tem tanta gente solteira, tanto casal se separando e tanto viúvo se lamentando. Outro dia mesmo tive que dar um empurrãozinho para um garoto pedir o namorado em casamento. Foi difícil...
- Namorado? Eu pensei que...
- Pensou errado. O espírito não tem sexo, meu filho, só o corpo. E eu não vejo vocês da mesma forma que me vêem. Tá vendo aquela garota linda e gostosa ali? É uma pena que, além de sustentar mais vícios do que seu corpo é capaz de aguentar, ela também seja bem mesquinha.
- Jura? Olhando daqui...
- Aparências enganam, meu filho. Já levei pra longe e pra baixo muito pastor que vivia dizendo que eu era acima de tudo e roubava dos seus, e já deixei ir pro Nirvana muito jovem que se tatuava dos pés à cabeça e é vendedor de seguros.
- Inferno e Nirvana? Isso parece meio contraditório...
- Cada um tem seu paraíso particular. Ou acha que alguém realmente vai ter razão? Até minha forma é algo misterioso, varia de acordo com os SEUS calendários, suas vontades e principalmente com a capacidade de raciocinar da espécie que estou visitando.
- Acho que você está brabo conosco.
- Desculpe, me acostumei a tentar discutir isso com os líderes religiosos que não são capazes de dar o braço a torcer. Por sorte de vez em quando me aparece um Papa mais cabeça aberta ou um médium com algum temperamento menos... Complicado.
- Pelo jeito todos estão certos.
- E errados ao mesmo tempo. É complexo, não funciona tão simples. Quem sabe em mais uns dois mil anos vocês entendem.
- Justo, acho que não posso esperar, mas, se você fala a verdade, pode ser que esteja de volta.
- Se você acreditar nisso...
- Gosto da sua forma de falar. Queria muito que fosse Ele mesmo.
- Agora você está pronto. Fique com a caixa. Meu tempo por aqui acabou e quero que você a guarde até o próximo chegar. Quando eu sair, olhe dentro da caixa.
Ele a largou no meu colo e foi andando. Vi quando virou a esquina e fiquei esperando que voltasse rindo, mas nada aconteceu. Louco ou só brincando, foi uma conversa divertida. Eu agora segurava a caixa como ele minutos antes, então achei que era melhor olhar pra matar a curiosidade. Tudo se iluminou. Foi uma sensação indescritível, mas vou tentar resumir.
Dentro havia o infinito. Cada fragmento de cada mundo possível se refletia nos meus olhos. Pude ver o pensamento de todas as criaturas viventes, e me surpreendi em saber que o universo se espandia segundo a segundo. Ouvi suas vozes, mesmo aquelas que não podia entender, seja pela língua, seja pela falta de percepção da faixa sonora. Respirei odores de milhares de lugares, comidas e pessoas ou coisas. E então localizei um pequeno brilho, praticamente ínfimo, em um planeta longe, bem longe. Aproximei a vista e então lá estava eu, de pé, parado em uma imensidão de sensações, sentimentos.

Levantei, fechei a caixa e fui embora.

domingo, 26 de janeiro de 2014

6º Desafio - Mônica Pedrini

É, eu sei, pela hora deveria ser domingo, mas... Eu ainda não dormi, então é sábado e este conto não está atrasado! Yes! Hoje eu trouxe o desafio da Mônica, que me pediu um conto sobre o romance de uma humana com um alien... Bem, vocês verão o que saiu disso aí! Espero que apreciem!

Contatos Imediatos de Quarto Grau e Meio

Todo mundo tem aquele amigo de um amigo que um dia passou por uma situação que é fora de série, inacreditável, o causo que conta em uma festa aleatória. Só que ás vezes, bem ás vezes mesmo, algumas dessas histórias são reais.
É o que venho contar, algo que aconteceu com uma amiga de minha prima. Uma tal Jéssica. Dizer que a garota era esquisita era pouco, apenas seus poucos amigos conseguiam compreender, ou fingir isso, sua paixão pelo que há universo afora. Não falo de um gosto por astronomia, viagens espaciais ou talvez um sonho com ficção científica.
A coisa é um pouco mais complicada, do tipo “Possua-me, alien!”. Pelo menos é o que diziam. Nunca vi, como saber?
Só que Jéssica tinha uma falha agravante em sua busca por ser um dia abduzida: Um medo mórbido de ficar na rua de noite.
Essa situação mudou em uma festa que Jéssica foi, praticamente empurrada por essa minha prima. A festa em si estava uma droga, com música ruim e gente esquisita. Tão esquisita quando a pobre garota, o que quer dizer que ela devia se sentir em casa. Mas não.
Depois de uma hora zanzando, tentando se enturmar, Jéssica sentou no sofá ao lado de um casal se pegando. Um par de olhos violetas atraiu seu olhar do outro lado da sala. Cabelos loiros espetados e uma roupa de nerd. Muito deslocado para uma festa tão estranha.
Jéssia se sentiu sem ar, totalmente envergonhada. A boca secou, as mãos suaram, os olhos vidraram. Tentou levantar, tentou caminhar, tentou não tropeçar no pessoal “dançando”, tentou chegar perto, tentou puxar conversa.
- Ahn, oi?
É, foi um bom começo Jéssica. Muito bem, mas pela história, isso DEU CERTO! Ela conseguiu que o garoto a respondesse, desse trela, a seguisse para a cozinha onde pegou ponche para os dois (está batizado, não é?). O garoto parecia divertido demais e NADA alienígena, o que é bem diferente de tudo que ela já apreciou antes.
- Então... Qual seu hobby, Jess?
- Ah, é, então, sabe?
Foi difícil confidenciar sua paixão, sua vocação.
- Ah, o espaço? Uau! Eu também gosto disso! Demais, cara!
E lá ficaram conversando sobre et’s, espaçonaves, teorias da conspiração, beijos, amassos, pegada em certas partes. Foi uma união muito boa de fluídos corporais, química e talvez uma boa dose de bebida. O ponche estava REALMENTE batizado.
- Eu... Nunca fiz isso antes.
- É, eu sei. Eu sei tudo sobre você Jéssica. Na verdade, eu venho observando você há muito tempo.
Foi nessa hora, sozinha com ele na varanda, que Jéssica notou que estava tudo muito quieto. Pior, estava tudo muito ESCURO. Ela estava no meio da noite a céu aberto. Sua pequena fobia repuxou suas orelhas, fez seu corpo reagir na defensiva e se afastar desse garoto que de repente pareceu mais bizarro do que o “normal”.
- Não entendi bem...
- Ah, não se preocupe, Jess, você está segura. Seus desejos serão todos realizados em breve. É só esperar um sinal.
O papo sem pé nem cabeça fez Jéssica tremer por inteiro e pensar em abrir a porta, que por algum motivo estava bem trancada. Oh-oh, Jéssica, isso não deu muito certo.
- Por favor, tá me assustando!
- Espere só mais um pouco... Ah, está ali!
Um círculo azulado cruzou os céus e parou bem em cima do garoto, começando a sugá-lo e levando Jéssica com ele. A garota até tentou se segurar em uma cadeira, mas acabou levando-a junto.
- Por favor, pára!
- Eu sempre pensei que você quisesse vir com a gente, Jess, o que foi, mudou de ideia?
- Eu só quero ir pra casaaaaaaa!
Bling! Jess, a cadeira e o pobre nerd caíram todos na varanda, bem antes do brilho azul sumir.
- Ué, quê? Ei! Voltem aqui!
Jéssica olhou para ele, para a situação ridícula que estavam e saiu correndo, deixando-o para trás todo aturdido. Depois disso o garoto ficou observando onde ela caiu, respirou fundo e puxou uma espécie de celular interplanetário. Discou um número e aguardou.
- Oi? Mals aê, mas minha carona me deixou, pode vir me buscar? É mãe, eu tava tentando achar uma acompanhante pro baile, mas não deu certo... Ah, não enche, mãe! Vem logo!

E como eu sei disso tudo? Bom, lembra do casal se pegando no sofá? Minha prima. Ela resolveu ir com o cara pro segundo andar e eles acabaram descendo para o telhado. Quando a nave sugou tudo, ela e o cara acabaram caindo na árvore do lado da casa. E minha prima jura de pé junto que depois disso a Jéssica só fala de morar no interior, bem longe de qualquer estação espacial!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

4º Desafio - Ariana

Quase meia-noite, eu tive que correr para conseguir escrever, hoje foi um dia bem corrido para mim. Mas aqui está, o desafio da adorável Ari, que não foi tão difícil assim, e rendeu uma boa história. Espero que ela aprecie essa visitação à casa noturna que sua personagem Rosemary irá fazer, algum dia, no meu cenário de Vampiro, a Máscara. Fiz questão de escolher uma situação bem divertida para ela aproveitar. E claro, fazer uma certa propaganda dessa maravilhosa instalação. Aproveitem!

Belíssima imagem de uma dançarina daqui.
Fora da Rotina

A rotina no Rosa di Fiore pode se resumir a: Prepare-se para subir ao palco, ande entre os clientes, faça os serviços VIP e vá para casa depois. Raramente envolve algo mais perigoso como atender um assassino profissional com uma enorme cicatriz no rosto. Quando o gerente disse à Érica que havia um homem especial para ela, a garota pensou que fosse o jovem cavalheiro de olhos azuis que era grande amigo de sua patroa. Ao entrar na sala, um grandalhão careca e com cara de poucos amigos a encarou.
- Você é a garota que eles mandaram?
A pergunta parecia bem obtusa, com uma resposta muito óbvia, mas Érica demorou pra responder pela postura daquele homem. Mesmo usando terno e com uma maleta aparentemente bem cara, a expressão dele dá a entender que poucas pessoas poderiam chegar perto sem sofrerem lesões seríssimas.
- Ahn, sim... Eu vim lhe dar uma sessão super-especial. Disseram-me que o senhor é muito importante para nós e por isso vai receber uma atenção extra.
- Ótimo. Sente-se.
Esse era realmente um pedido estranho. Geralmente os homens, e até algumas mulheres, exigiam uma dança, um afago ou até algo mais íntimo, que seria muito bem pago depois. Sentar do lado era tão “normal” que Érica demorou a entender. Quando ficaram lado a lado, o homem pegou a maleta e colocou em cima da mesa. Um arrepio subiu pela espinha da garota, uma espécie de mau-pressentimento. O que quer que tivesse ali dentro não poderia ser boa coisa. Pensou em usar o botão de perigo, mas o homem lhe segurou a mão de forma autoritária.
- Eu quero que você tome algo. – disse ele levando a mão dela até a mesa. – Espere. Aqui.
De dentro da maleta ele tirou um frasquinho semi-transparente com algumas capsulas coloridas. Despejou algumas na mão dela e indicou três de cores diferentes.
- Escolha uma e tome. É isso que quero que faça para mim.
O sangue que Érica tomou mais cedo poderia lhe garantir uma boa resistência à qualquer droga, mas por algum motivo ela sabia que não seria o caso ali. Estava entre a cruz e a espada e não tinha uma alternativa segura. Engoliu a capsula vermelha o mais rápido que pode. Ficou olhando para o homem, esperando algo.
Ele tirou da maleta uma pistola, e o sensor de perigo de Érica estourou. Iria apertar o botão AGORA, antes que algo de mal lhe acontecesse. Mas seu corpo não correspondeu ao pânico. Pelo contrário, pareceu relaxar e uma excitação anormal tomou conta da sua libido. O homenzarrão ficou mais atraente, muito mais do que era possível para um 4x4 cheio de cicatrizes e com um aeroporto de mosquitos na cabeça. Érica não conseguiu mais se segurar e tomou o rosto dele para beijá-lo.
Pela resposta dele, não esperava por aquilo. Ele recuava, tentava impedi-la de tirar a roupa e de tentar tirar a dele. Movimentos amplos fizeram com que ele caísse no chão e demorasse para levantar, dando tempo para que ela subisse nele.
- O que está fazendo, garota maluca? – ele perguntou quase gritando e preparando a arma para atirar nela.
Nesse momento a porta se abriu violentamente. Um rapaz, não muito mais velho que Érica e vestindo um colete sobre uma camisa vermelha, entrou carregando um bastão de beisebol. O careca olhou para ele, apontando a arma e desferindo três tiros. Todos erraram o alvo, que se mexeu entre eles rápido demais para ser seguido por olhos humanos. O rapaz, que era o gerente da Rosa di Fiore, acertou um golpe que quebrou os dentes da frente do homem.
- Por favor, não se mexa muito, deixe-me lhe dar o tratamento dedicado a pessoas do seu naipe, senhor. Com todo o refinamento merecido. Espero que esteja aproveitando nossos serviços.
Enquanto falava, o gerente acertava mais um, dois, três golpes, imobilizando o homem enorme, quase três vezes o seu tamanho. Érica parecia aflita, incapaz de escolher a qual dos dois dar o seu corpo. O gerente se posicionou atrás do homem e colocou o bastão em seu pescoço, puxando para si, asfixiando-o.
- Por favor, relaxe, meu senhor. Quero colocar-lhe em uma condição mais... Apropriada. Ah sim, exatamente isso.
Quando o homem apagou, o gerente olhou para Érica e lhe deu uma ordem para ficar quieta e esperar. Viu que a droga quase venceu sua dominação, mas ficou contente por ter sucesso. Duas mulheres entraram pela porta, assim como dois homens grandes, muito maiores do que o rapaz.
- Frank, Lloyd. Arrastem nosso amigo para os fundos onde terei uma conversinha com ele. Desarmem-no e amarrem-no em nossa cadeira preferencial. – os homens saíram levando o desmaiado –Tiffany, Joseane, acho que Érica precisa de um tratamento para desintoxicação. Ela tomou uma droga que está causando euforia e muita vontade de sexo. Façam com que ela volte a si, como for preciso.

Com um sorriso de orelha a orelha, Érica viu as amigas se aproximarem, e preparou-se para o que viria em seguida. O gerente as deixou a sós e pediu que desligassem a câmera da sala. Daria privacidade a Érica e revogaria os direitos do tal assassino profissional que pelo jeito roubara um traficante. Experimentar uma droga daquelas em uma de suas garotas era imperdoável. O Rosa di Fiore cuida das suas garotas.